Grupo WhatsApp

Nossos direitos vêm

Nossos direitos vêm

14/10/2020 Wagner Dias Ferreira

Mais recentemente, quando atuei num júri onde os fatos apurados aconteceram na comunidade Fábio Alves, sediada no Barreiro, em Belo Horizonte, veio-me forte a memória do amigo e mestre professor Fábio Alves dos Santos.

Meu primeiro contato com ele aconteceu quando eu, estudante de Direito na UFMG, ainda atuava na Pastoral Universitária da Arquidiocese de Belo Horizonte, e ele, professor de cultura religiosa na PUC Minas, participou de uma de nossas atividades conduzindo um trabalho de espiritualidade, sempre buscando engajamento social comprometido com os pobres.

Um ano depois, fui selecionado para ser estagiário de Direito na Comissão Pastoral de Direitos Humanos da Arquidiocese de Belo Horizonte.

E na mesma semana em que o professor Fábio foi designado pela PUC Minas, a pedido de Dom Serafim, para atuar como advogado da Pastoral de Direitos Humanos. Aquelas coincidências da vida que reforçam a fé de qualquer pessoa. Nesta ocasião, a minha.

Muitos casos passaram por nós nos dois anos em que trabalhamos juntos. Processo indenizatório contra a empresa de cimento Soeicon que resultou em acordo.

A resistência de dona Geralda no PTB enfrentando a empresa H Assunção. O acompanhamento da instalação da Vila Padre Dionízio.

Foi numa das reuniões da Vila Padre Dionízio que ouvi pela primeira vez o prof. Fábio entoar, ensinar e cantar coletivamente o refrão:

“Nossos direitos vêm, nossos direitos vêm, se não vêm nossos direitos o Brasil perde também.”

Esse refrão mostra claramente como todos nós devemos estar atentos à promoção dos direitos humanos. Cada vez que um ser humano sofre, toda a humanidade sofre.

Quando Jesus esclareceu aos seus discípulos o que era e quem era o próximo a ser amado deixou bem claro que o homem que foi vítima dos salteadores poderia ser qualquer um. Portanto, estava ali representada toda a humanidade.

O refrão aprendido com o prof. Fábio Alves expressa bem este conceito de que se algum ser humano tem seus direitos diminuídos, toda a humanidade tem seus direitos diminuídos.

É algo como ficar ao lado daquele homem agredido pelos salteadores e que na parábola de Jesus é o próximo do samaritano, que exerceu sobre ele misericórdia. Aí reside o verdadeiro sentimento de todos que operam com a Justiça.

Buscar a justiça nada mais é que ficar ao lado daqueles que estão desfavorecidos. A lembrança do prof. Fábio Alves é sempre uma memória de misericórdia e solidariedade com os desfavorecidos.

E por isso é uma lembrança que sempre aviva o espírito de compromisso e engajamento para pelejar em busca da justiça e de um melhor funcionamento do judiciário.

A cada vitória onde o direito vem, o advogado é tomado por uma forte alegria, porque é como uma gota d'água para amenizar a sede de justiça no deserto que vivemos.

Nossos direitos vêm, nossos direitos vêm, se não vêm nossos direitos o Brasil perde também. Que muito rapidamente o Brasil pare de perder, e permita a chegada dos direitos.

Obrigado, Fábio!

* Wagner Dias Ferreira é advogado especialista em Direito Criminal e do Trabalho.

Fonte: Wagner Dias Ferreira



Para onde caminha a humanidade?

O pragmatismo está ampliando a confrontação econômica. Novas formas de produzir e comercializar vão surgindo com mais rigidez e agilidade.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


Reforma Tributária: mudança histórica ou novo capítulo do caos fiscal

A Reforma Tributária entra na fase prática em 2026 com a criação do IBS e da CBS, que passam a incidir com alíquotas reduzidas.

Autor: Eduardo Berbigier


Austeridade fiscal, caminho obrigatório para ordem e progresso

Quando se aproximam as eleições, o brasileiro se pergunta se é possível ter um país melhor em condições de vida para todos os cidadãos. É o que se deseja.

Autor: Samuel Hanan


Impeachment não é monopólio

A decisão de Gilmar Mendes e o estrangulamento institucional.

Autor: Marcelo Aith


Nova lei da prisão preventiva: entre a eficiência processual e a garantia individual

A sanção da Lei 15.272, em 26 de novembro de 2025, representa um marco na evolução do processo penal brasileiro e inaugura uma fase de pragmatismo legislativo na gestão da segregação cautelar.

Autor: Eduardo Maurício


COP 30… Enquanto isso, nas ruas do mundo…

Enquanto chefes de Estado, autoridades, cientistas, organismos multilaterais e ambientalistas globais reuniam-se em Belém do Pará na COP 30, discutindo metas e compromissos climáticos, uma atividade árdua, silenciosa e invisível para muitos seguia seu curso nas ruas, becos e avenidas do Brasil e do mundo.

Autor: Paula Vasone


Reforma administrativa e os impactos na vida do servidor público

A Proposta de Emenda à Constituição da reforma administrativa, elaborada por um grupo de trabalho da Câmara dos Deputados (PEC 38/25) além de ampla, é bastante complexa.

Autor: Daniella Salomão


A língua não pode ser barreira de comunicação entre o Estado e os cidadãos

Rui Barbosa era conhecido pelo uso erudito da língua culta, no falar e no escrever (certamente, um dos maiores conhecedores da língua portuguesa no Brasil).

Autor: Leonardo Campos de Melo


Você tem um Chip?

Durante muito tempo frequentei o PIC da Pampulha, clube muito bom e onde tinha uma ótima turma de colegas, jogadores de tênis, normalmente praticado aos sábados e domingos, mas também em dois dias da semana.

Autor: Antônio Marcos Ferreira


Dia da Advocacia Criminal: defesa, coragem e ética

Dia 2 de dezembro é celebrado o Dia da Advocacia Criminal, uma data emblemática que, graças à união e à força da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), integra o calendário oficial das unidades federativas do país.

Autor: Sheyner Yàsbeck Asfóra


STF não tem interesse – nem legitimidade – em descriminalizar aborto

A temática relativa ao aborto e as possibilidades de ampliação do lapso temporal para a aplicação da exclusão de ilicitude da prática efervesceram o cenário político brasileiro no último mês.

Autor: Lia Noleto de Queiroz


O imposto do crime: reflexões liberais sobre a tributação paralela nas favelas brasileiras

Em muitas comunidades brasileiras, especialmente nas grandes cidades, traficantes e milicianos impõem o que chamam de “impostos” – cobranças sobre comerciantes, moradores e até serviços públicos, como transporte alternativo e distribuição de gás.

Autor: Isaías Fonseca