Portal O Debate
Grupo WhatsApp


O amor desconectado em tempos líquidos

O amor desconectado em tempos líquidos

02/09/2016 Marcelo Mourão

As únicas certezas que esse nosso mundo contemporâneo nos traz são justamente as suas várias incertezas e interrogações.

Hoje em dia, os sentimentos e as relações humanas se situam também mergulhados, de maneira inevitável, nesse mar de inseguranças.

E apresentam um grau de instabilidade tal que muitos pensadores já anexaram aos mais diversos tipos de afetos e relacionamentos o adjetivo “líquido”, devido mesmo a essa imensa fluidez e às vertiginosas velocidades com que eles surgem e se vão.

Relacionar-se, nesses nossos tempos, é como trafegar numa espessa neblina, sem qualquer noção de onde se vai chegar e até quando essa jornada irá durar. O mundo virtual é o retrato mais exato destes tempos em que “nada é feito para durar” e a rapidez do deletar é bem maior do que as velocidades da compreensão, da tolerância e da convivência.

Não há mais qualquer necessidade de se ter calma e paciência com as imperfeições alheias. As pessoas estão dando maior preferência a relacionamentos em “rede”, que podem ser desmanchados a qualquer momento. Tratam-se entre si como bens de consumo, ou seja, caso apareçam defeitos, nas relações e/ou nas pessoas envolvidas nestas, descartam-se e trocam-se por outros humanos, talvez, em "versões melhoradas".

Há ainda, por outro lado, os chamados “relacionamentos de bolso”, do tipo que se usa quando é necessário, não havendo necessidade do seu descarte total. Quando a sua utilização alcança certos fins, guarda-se para ser empregado numa outra ocasião, sem qualquer vínculo ou compromisso maior.

Agora transfigurado, o amor autêntico, exatamente como ocorre com qualquer tipo de mercadoria em sociedades de consumo, passou por um processo tal de massificação e vulgarização que acabou promovendo o aparecimento de uma série de sentimentos instantâneos e fugazes.

Rapidamente, as pessoas já se declaram amando outras que conheceram há tão poucos dias. A palavra “amor”, aos poucos, foi perdendo os seus significados e a sua profundidade e é usada banalmente entre pessoas que mal se conhecem de fato.

Hoje em dia, dizer “eu te amo” caiu no mesmo automatismo e trivialidade de se dizer um simples “bom-dia”. As pessoas, pelo que se tem visto por aí, não parecem saber direito o que sentem, nem conseguem definir sequer as diferenças entre amor e paixão, por exemplo; mas, mesmo assim, utilizam-se destas palavras, que perderam, visivelmente, as suas importâncias e sentidos.

* Marcelo Mourão é poeta, escritor, crítico literário e produtor cultural.



Os desafios de tornar a tecnologia acessível à população

Vivemos uma realidade em que os avanços tecnológicos passaram a pautar nosso comportamento e nossa sociedade.


O uso do celular, até para telefonar

Setenta e sete por cento dos brasileiros utilizam o smartphone para pagar contas, transferir dinheiro e outros serviços bancários.


Canto para uma cidade surda

O Minas Tênis Clube deu ao Pacífico Mascarenhas o que a cidade de Belo Horizonte deve ao Clube da Esquina; um cantinho construído pelo respeito, gratidão, admiração, reconhecimento, apreço e amor.


Como acaso tornou famoso notável compositor

Antes de alcançar a celebridade, e a enorme fortuna, Verdi, passou muitas dificuldades financeiras.


Gugu e a fragilidade da vida

A sabedoria aconselha foco no equilíbrio emocional e espiritual diante da fragilidade e fugacidade da vida.


Quando o muro caiu

O Brasil se preparava para o segundo turno das eleições presidenciais, entre o metalúrgico socialista Luís Inácio Lula da Silva e a incógnita liberal salvacionista Fernando Collor de Melo, quando a televisão anunciou a queda do muro de Berlim.


Identidade pessoal e identidade familiar

Cada família gesta a sua identidade, ainda que algumas vezes, de forma inconsciente.


Desprezo e ingratidão

Não sei o que dói mais: se a ingratidão se o desprezo.


A classe esquecida pelo governo

O fato é que a classe média acaba por ser a classe esquecida pelo governo.


O STF em defesa de quem?

A UIF, antigo COAF, foi criada como uma unidade do Ministério da Justiça (hoje, no BACEN) para fazer uma coisa muito simples: receber dos bancos notificações de que alguém teria realizado uma transação suspeita, anormal.


O prazer da leitura

Ao contrário do que se possa pensar, não tenho muitos amigos. Também não são muitos os conhecidos.


Desmoralização do SFT

A moralidade e a segurança jurídica justificam a continuidade da prisão em segunda instância. A mudança desta postura favorece a impunidade dos poderosos e endinheirados.