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O namorado

O namorado

17/12/2008 Divulgação

Nada é tão desejado quanto estar namorando uma menina que faz meu coração bater mais forte. Parece ser a composição do hino nacional, na qual a palavra Brasil cede espaço para o nome de minha namorada. Ela é mais florida, é quem tem o sorriso mais límpido. E a satisfação quando eu me vejo deitado em seus braços esplendidos, saboreando os formosos lábios? Certamente indescritível. Quando estou namorando, as aulas de literatura brasileira, principalmente a de poetas românticos, ficam mais vivas.

O coração dispara quando a vejo. Ela chega perto de mim, e minhas pernas ficam bambas. Basta eu tocar meus lábios nos seus, pronto, pega fogo todo meu corpo, e se ela não me regular, sou capaz de fazer loucuras.

Tudo que ela me fala cai certinho. Temos muitos planos juntos. Adoro o inverno, pois tenho o corpo dela para aquecer o meu. Amo de paixão o verão, para ver as pernas, o bumbum nos shortinhos que ela costuma vestir. E a camisetinha com as pontas dos deliciosos seios apontando para mim.

À tardinha, vamos dar uma volta na praça do bairro. Sentados em banco de pedra, ela me sorri, me conta coisas trivialmente importantes. Prefiro quando estamos a sóis, escondidos. Mas vendo seu sorriso no rostinho iluminado pelo pôr do sol, fico satisfeito. Mais satisfeito ainda quando ela vai comprar um sorvete e passa desfilando pela calçada. Outros olhos gulosos ficam com a boca cheia d’água. Eu sei que é cretinice, mas que fazer, gosto de ver minha gata cobiçada. Os olhares a ela só valorizam meu ego. Claro, desde que não haja baixaria, tipo querer passar a mão, ou cantadas grosseiras. Daí, corro o risco até de apanhar, pois só em pensar que ela pode sofrer alguma agressão meu corpo treme, e quando vejo estou avançando no malandro.

Sabe aquele papo de que amor não enche barriga. Pois enche sim. Só não enche a barriga de quem não ama. Eu sempre sou reclamão quando fico com pouca grana para ir me divertir nos bailes, nas baladas. Mas basta estar com a namorada que me alucina, para o dinheiro significar bem pouco. Se tiver uns trocados para um sorvete, legal, se não, também está valendo.

À noitinha, juntinhos, debaixo de uma árvore, no quintal ou na laje da minha casa ou da dela. Legal ver as estrelas no céu ou as do brilho do seu olhar. Os lábios mais sedosos, os seios mais firmes e saborosos, a pele mais cheirosa. Dureza é ter que ir para casa neste estado, e precisar trocar de cueca ou aliviar no banheiro. Nas primeiras vezes eu encanava. Entendo: somos animais. É a biologia que nos limita. O que resta a fazer? Aproveitar o prazer e ir driblando o inconveniente.

Estamos de férias da escola. Sobra mais tempo para namorar, visto que amanhã de manhã ela não vai para o colégio e eu, que estudo à noite, posso estar ao lado dela. Decerto que férias mesmo eu não tenho, pois estou estudando para entrar na AMAM. Estou empenhado em ser oficial do Exército.  Um pouco serve como estímulo aos meus pais que me permitem estudar o dia inteiro. Não fosse por isso, eu já teria arrumado um trabalho durante a semana. Eu trabalhava nos fins de semana num clube na zona sul, mas larguei depois de uma briga com ela. O serviço me exigia ausência justamente nos fins de semana. Ela me falou de sua solidão, escondendo a insegurança.

Ela e seus planos. Sou todo ouvido. Minha primeira namorada séria, que me assumiu. As outras só queriam zoar, me beijar, abraçar, abusar de mim. As garotas cariocas são cruéis quando querem. Talvez por isso que eu continuo apaixonado como se fosse nosso primeiro dia de namoro.

*Escritor, autor do romance ANDO DE ÔNIBUS, LOGO EXISTO, disponível na livraria www.corifeu.com.br 



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