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O ônus da verdade vivida

O ônus da verdade vivida

13/08/2016 Amadeu Garrido

Há poucos anos atrás a maioria de nosso povo, pobre, estava embalada no cântico de demagogos.

A criança talvez não seja capaz de articular plenamente o modo como seu mundo se encaixa, nem o homem de expressar o significado de sua vida em palavras.

Para a maioria de nós, a visão do mundo é uma verdade vivida, algo que simplesmente existe e que dificilmente procuramos descrever.

Na verdade, só há motivação para fazê-lo se algo vai mal, se de alguma maneira nossa visão de mundo está inadequada ou em fase de mudança.

Só então tomamos consciência dela (Danah Zohar, "O Ser Quântico"). Há poucos anos atrás a maioria de nosso povo, pobre, estava embalada no cântico de demagogos. As classes sociais haviam deixado de ser castas.

Movimentavam-se de modo ascensional. A pobreza desaparecia. O emprego mostrava números satisfatórios. O Governo não se queixava de faltas de verbas públicas. Ao contrário. O FMI poderia receber nossa ajuda.

Tirava-se sarro dos loirinhos de olhos azuis. A crise, ora, uma marolinha num oceano pacífico. No momento em que as ondas se agitaram, ainda não foi hora da consciência do perigo. O Estado socorreu segmentos como o dos automóveis, sob os aspectos tributário e financeiro.

Empréstimos longos, supostamente nos limites do orçamento, e carros "zero", jamais sonhados. O Brasil ainda não voava, mas era um avião que taxiava para tanto. Ninguém percebia - ou queria perceber - que estávamos assentados sobre um vácuo de falsos potenciais.

O dinheiro que nos mantinha derivara de conjunturas favoráveis, mas se entendia que caminhávamos sob mudanças estruturais, ainda que sob um Estado politicamente desorganizado, carente das reformas tão decantadas: política, administrativa, trabalhista, financeira, tributária.

Sobre essas pilastras mal ajambradas, não se ergueria um estado de bem-estar permanente. Entretanto, a vida "vivida" dizia outra coisa. E a gerência política mantinha a falsa impressão, fundamental para seus propósitos eleitoreiros.

É claro que um edifício erguido nessas condições desaba, como desabou. O mal começou a dar as claras em momento eleitoral e, consequentemente, foi preciso manipulá-lo, fazer o diabo para manter o projeto de poder. Vieram à lume os acordos indecorosos com o legislativo para manter-se a miragem.

A lei não poderia permanecer morta e ressuscitou. Ídolos começaram a descambar, um indício de que a consciência coletiva da maioria poderia começar a despertar para necessidade de mudanças, segundo aquele postulado da física.

Em verdade, são poucos os que têm consciência da vida do momento, seja materialmente boa ou má. A consciência mira o futuro, dias melhores (a teleologia aristotélica). É mais fácil saber o que queremos, ou com o que sonhamos, do que ter clareza sob os componentes de nossa realidade atual.

O barco soçobrou e, agora assim, temos consciência de que devemos escapar do naufrágio. Em política, porém, não há consenso. Felizes dos países que se limitam a dois grupos antípodos. Temos uma miríade de partidos sem cor, sem dor e sem valor, em que preponderam interesses pessoais e grupais.

O que se apresentou como ideológico se transformou numa gosma solidária de solidariedade aos corruptos. Dizem que retornarão do zero, da brancura das virtudes. É pagar para ver. Só há um caminho, ainda que não se tumultue tudo com a deposição do governo provisório sob uma alegação de urgência e indesejável correria.

Não há dúvidas de que, agora, conscientes do futuro, não mais crianças ou adultos alienados, devamos pensar na extração de nossos caroços prontos a se metastasiar, a partir de um novo texto constitucional que estabeleça com densidade e força os princípios das reformas estruturais, sem as quais não teremos sequer como caminhar a pé, pausadamente, mas em frente e com segurança.

* Amadeu Garrido é advogado subscritor da respectiva petição inicial e poeta.



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