Portal O Debate
Grupo WhatsApp


O país que queremos

O país que queremos

01/09/2017 Daniel Medeiros

Há, na nossa imaginação, um retrato de um país que não existe.

E, caso este país existisse, talvez não pudesse nos incluir nele. Porque um país como o que imaginamos exigiria de nós mais do que apenas sonhar. E aí reside o problema. De tempos em tempos, os institutos de pesquisa perguntam sobre como enxergamos os políticos, os empresários, as forças armadas, os correios, etc.

E sempre o resultado traduz o quanto somos exigentes com a honestidade ou com a lassidão dos outros. Para nós, os serviços públicos são sempre péssimos, a educação vai de mal a pior, e os políticos, esses deveriam todos apodrecer no xilindró.

Mas nunca respondemos a pergunta que fica no ar: e quem iria exercer as funções dos funcionários, professores e dos políticos? E como essas funções seriam exercidas? Melhor? De forma mais eficaz e honesta? Na nossa imaginação, sem dúvida seria bem melhor, afinal nós estaríamos lá. E na nossa imaginação, tudo fica bem melhor com a nossa presença.

Certa vez, vi uma charge muito instrutiva: nela um homem pergunta para uma multidão: “quem quer mudanças?” E todos levantam os braços. E então ele pergunta: “quem quer mudar?” Bom, aí que reside o problema… Em uma velha anedota, o homem pedia todos os dias a um santo para ganhar na loteria. Até que um dia, ajoelhado para, mais uma vez, pedir a graça de se tornar rico, o homem ouviu uma voz do alto lhe dizendo: “eu quero ajudar mas, por favor, jogue na loteria!”.

O país que queremos é possível. Talvez até seja provável. E ele pode estar ao alcance de nossas ações. Mas enquanto reclamamos dos impostos que, sempre que possível, sonegamos; enquanto reclamamos da corrupção que, sempre que possível, locupletamo-nos; enquanto reclamamos da falta de civismo que, sempre que possível, negligenciamos, o país que queremos fica mais distante.

Replicando Sartre, o inferno não são os outros. O inferno é acharmos que as coisas não acontecem porque os outros deveriam fazer o que não fazemos. Certa vez, conversava com um senhor que tinha ido buscar seu cartão de idoso.

Era um homem forte e saudável e não pude evitar a pergunta: “por que o senhor vai usar o cartão de idoso para ocupar vagas especiais se o senhor não precisa delas?” E ele me disse: "eu não preciso, mas se é meu direito, vou usá-lo”. Penso que toda a reflexão sobre o país que queremos cabe nessa resposta.

E quando uma pessoa que precise estacionar naquela vaga não puder fazê-lo, porque aquele senhor forte e saudável está exercendo “o seu direito”, talvez ouçamos: “mas que país é esse, que não cria mais vagas para os idosos? Mas o que esperar, com esses políticos corruptos e ladrões? Não tem jeito mesmo!”

Bom, jeito tem. E ele está diante de nós, ao alcance de nossas mãos. Mas aí é que reside o problema.

* Daniel Medeiros é doutor em Educação Histórica pela UFPR e professor no Curso Positivo. 



Os candidatos avulsos e os partidos

Por iniciativa do ministro Luiz Roberto Barroso, o STF (Supremo Tribunal Federal) abre a discussão sobre a as candidaturas avulsas, onde os pretendentes a cargo eletivo não têm filiação partidária.


Os desafios de tornar a tecnologia acessível à população

Vivemos uma realidade em que os avanços tecnológicos passaram a pautar nosso comportamento e nossa sociedade.


O uso do celular, até para telefonar

Setenta e sete por cento dos brasileiros utilizam o smartphone para pagar contas, transferir dinheiro e outros serviços bancários.


Canto para uma cidade surda

O Minas Tênis Clube deu ao Pacífico Mascarenhas o que a cidade de Belo Horizonte deve ao Clube da Esquina; um cantinho construído pelo respeito, gratidão, admiração, reconhecimento, apreço e amor.


Como acaso tornou famoso notável compositor

Antes de alcançar a celebridade, e a enorme fortuna, Verdi, passou muitas dificuldades financeiras.


Gugu e a fragilidade da vida

A sabedoria aconselha foco no equilíbrio emocional e espiritual diante da fragilidade e fugacidade da vida.


Quando o muro caiu

O Brasil se preparava para o segundo turno das eleições presidenciais, entre o metalúrgico socialista Luís Inácio Lula da Silva e a incógnita liberal salvacionista Fernando Collor de Melo, quando a televisão anunciou a queda do muro de Berlim.


Identidade pessoal e identidade familiar

Cada família gesta a sua identidade, ainda que algumas vezes, de forma inconsciente.


Desprezo e ingratidão

Não sei o que dói mais: se a ingratidão se o desprezo.


A classe esquecida pelo governo

O fato é que a classe média acaba por ser a classe esquecida pelo governo.


O STF em defesa de quem?

A UIF, antigo COAF, foi criada como uma unidade do Ministério da Justiça (hoje, no BACEN) para fazer uma coisa muito simples: receber dos bancos notificações de que alguém teria realizado uma transação suspeita, anormal.


O prazer da leitura

Ao contrário do que se possa pensar, não tenho muitos amigos. Também não são muitos os conhecidos.