Portal O Debate
Grupo WhatsApp

O problema não é a Cloroquina

O problema não é a Cloroquina

22/05/2020 Tercio de Campos

Estamos diante de uma doença ameaçadora, nunca antes vivida por nossa geração.

Uma doença que se espalha rapidamente pelo mundo, que atinge ricos e pobres, jovens e idosos, e com alta taxa de mortalidade, levando à superlotação dos sistemas de saúde e, principalmente, das UTIs.

Os métodos diagnósticos são ainda escassos, caros e imprecisos. Não há vacina disponível no momento, e não há tratamento específico para a doença.

Por isto, a única recomendação segura é não se contaminar com a infecção. E para não se contaminar, o que sabidamente funciona, é ficar isolado em casa. E se não for possível, usar máscaras quando sair.

Parece ser fácil entender isso porque quem ficar em casa não vai se expor ao vírus e, deste modo, não será contaminado. Simples assim!

É fato que muitas pessoas não podem ficar em casa por motivos sociais. Precisam buscar o alimento. Usar máscaras, então, é fundamental nesta situação, afinal, se todos a usarem, um não contamina o outro, pois a principal forma de contaminação é a respiratória. Simples assim. Difícil conseguir polemizar isto, mas, infelizmente, é o que tem acontecido.

A doença ainda é pouco conhecida para a ciência e para os médicos. Desde dezembro, quando foi documentada inicialmente na China, se passaram cinco meses, período este em que pesquisadores do mundo todo se mobilizaram para entender melhor sobre a COVID-19.

Quando se digita o termo COVID-19 no Pubmed (principal base de artigos científicos do mundo), obtém-se 13.863 resultados.

Ou seja, este é o número de artigos científicos publicados em revistas reconhecidas até a manhã de 19 de maio de 2020.

Quando se associa a esta pesquisa o termo “treatment", são obtidos 282 artigos. E, quando é colocado o termo “COVID-19 chloroquine", são 226 estudos publicados até o momento.

No maior estudo, com 1.446 pacientes, publicado no dia 7 de maio no New England Journal of Medicine, uma das revistas científicas com maior credibilidade no mundo, o emprego de hidroxicloroquina não mostrou resultados positivos, sendo, a partir daí, retirada de vários protocolos de tratamento dos Estados Unidos.

E a preocupação existe devido a efeitos colaterais graves, como arritmias, retinopatias, entre outros. Um estudo em Manaus, publicado na JAMA, que testou doses diferentes de cloroquina foi interrompido devido à alta mortalidade em pacientes que receberam altas doses (39%) quando comparado com aqueles que receberam baixas doses (15%).

Existe lógica no emprego da cloroquina na pandemia da COVID-19. Estudos in-vitro, observações epidemiológicas, experiências individuais e a lógica de seus mecanismos de ação mantêm o sentido da continuidade da pesquisa e avaliação desta droga.

O problema é a determinação de um protocolo de tratamento instituído pelo governo federal, sem base científica. E na contramão do que está sendo feito em países como os Estados Unidos, que estão retirando este medicamento de suas recomendações.

Um protocolo de tratamento instituído pelo governo indica que o estado deverá gastar dinheiro na compra de um medicamento que não tem ação comprovada.

E deixar de gastar dinheiro em medidas que comprovadamente funcionam, tais como o fornecimento de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), treinamento de técnicas de paramentação e desparamentação para reduzir a contaminação dos profissionais de saúde, compra de respiradores, aumento do número de leitos de UTI, treinamento de técnicas de tratamento de pacientes intubados, como a pronação, para citar as principais.

A proteção e capacitação da equipe que cuida destes pacientes graves têm melhor efeito que a Cloroquina. A Cloroquina pode, sim, ser prescrita por equipes médicas habilitadas, avaliando caso a caso, seus riscos e seu eventual benefício.

Ela só não pode ser prescrita pelo presidente da República como um gesto messiânico, utilizando-a como uma droga milagrosa para salvar os brasileiros da COVID-19.

E também obrigando os médicos a passarem a prescrever esta droga, muitas vezes contra sua vontade, sob risco de serem processados por pacientes. A ciência e a medicina não entendem este modo de operação.

* Tercio de Campos é médico, cirurgião do trauma e presidente da SBAIT (Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado) – CRM 80.052.

Fonte: Patrícia Capovilla



Nexialista: o profissional plural do futuro ou de hoje?

Que o mercado de trabalho tem se transformado de forma cada vez mais acelerada, e o nível de exigência por profissionais talentosos é crescente dentro das empresas, todo mundo já sabe; não é verdade?


Onde a geração Z investe

O último Anuário de Retorno de Investimentos Globais do Credit Suisse, entre outras coisas, apresenta um raio-x de alternativas de financiamento para a Geração Z, aqueles que nasceram entre 1995 e 2000.


A CPI pariu um rato

Fosse hoje vivo, é o que Horácio, o pensador satírico romano diria sobre a CPI da Covid.


Como identificar um ingresso falso?

Com recorrência vemos reportagens abordando diferentes fraudes e golpes que aparecem no mercado.


A primeira visita de D. Pedro a Vítor Hugo

O livro: "Vitor Hugo chez lui", inclui a curiosa visita, realizada pelo Imperador, a 22 de Maio de 1877, ao célebre poeta.


São Frei Galvão, ‘Homem de paz e caridade’

A Igreja celebra, em 25 de outubro, a Festa de Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, que na devoção popular é conhecido como “São Frei Galvão”.


CPI da Covid desviou-se e não sabe como terminar

Chegamos ao cume da montanha de inconveniências que povoam o cenário contemporâneo da política brasileira.


Sentimentos e emoções provocadas pela série “ROUND 6”

Nas últimas semanas estamos vivenciando uma série de críticas, comentários, “spoilers” e reflexões sobre a série sul-coreana de maior sucesso da plataforma Netflix: “Squid Game” ou “Round 6”.


Perdas e ganhos dos médicos “filhos” da pandemia

A maioria das situações com as quais nos deparamos na vida tem dois lados. Ou, até, mais de dois.


Defensoria Pública da União x Conselho Federal de Medicina

A Defensoria Pública da União (DPU) ajuizou Ação Civil Pública contra o Conselho Federal de Medicina (CFM), objetivando a condenação por danos morais coletivos no importe, pasmem senhores leitores, não inferior a R$ 60.000.000.00 (sessenta milhões de reais).


Diálogo em vez de justiça

Viver felizes para sempre parece ser um privilégio exclusivo dos casais formados nos contos de fadas.


Salvar a dignidade também é salvar a vida

Quando recebemos o diagnóstico de uma doença grave, crônica ou que ameace a vida, muita coisa muda.