Portal O Debate
Grupo WhatsApp

O que estamos esperando?

O que estamos esperando?

01/05/2018 Júlio Röcker Neto

O ano que passou foi, sem dúvida, importante para a educação brasileira.

A aprovação da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) para os ensinos Infantil e Fundamental e a reforma do Ensino Médio talvez tenham tirado o cenário educacional do ponto de inércia. O que não significa que fechamos 2017 com motivos para comemorar.

Dados do Censo Escolar mostram o quanto ainda temos para avançar até que se consigam oferecer condições mínimas de aprendizagem nas escolas de todo o país. Um dos maiores desafios continua a ser o Ensino Médio. A evasão escolar dessa etapa ultrapassa os 11%.

E, para reduzir esse número, é preciso analisar com cuidado e precisão não apenas essa fase da vida escolar, mas sim toda a trajetória de aprendizado do estudante. O levantamento nacional mostra que, em 2017, mais de um terço dos jovens entre 15 e 17 anos que frequentavam a escola estavam em situação de distorção de idade e ano escolar.

A fórmula que reúne atraso, baixo desempenho e um contexto de estagnação produz péssimos resultados. Grande parte dos estudantes que concluem o 9º ano não se sente motivada a seguir para o Ensino Médio.

Para reverter isso, não basta oferecer a vaga e facilitar o acesso à escola. Governo e educadores precisam enxergar a urgência de se mudar por completo o modelo de ensino e oferecer para o jovem estudante um processo de aprendizagem mais atraente e efetivo.

Para melhorar os indicadores do Ensino Médio, é preciso começar a fazer – bem – a lição de casa, muito antes da última etapa da Educação Básica. As dificuldades de aprendizado, em geral, surgem no início da trajetória escolar, principalmente na fase de alfabetização, e produzem estragos ao longo de toda a vida do estudante.

A Avaliação Nacional de Alfabetização aponta que mais da metade dos alunos brasileiros entre 8 e 9 anos não está plenamente alfabetizada – o que traz repercussões graves se pensarmos que essa realidade está diretamente ligada à distorção de idade e ano e, mais tarde, à evasão escolar.

Garantir que crianças e jovens aprendam e que o façam na idade certa requer um enfrentamento do problema que ainda está longe de acontecer quando se analisam a postura de nossos governantes e a falta de prioridade com que conduzem as questões ligadas à educação.

Um país em que quase metade das escolas públicas de Ensino Fundamental não possui biblioteca ou sala de leitura é um país que ainda tem um grande problema e não é de se surpreender que mais da metade de nossas crianças não esteja alfabetizada no tempo certo.

O Plano Nacional de Educação (PNE) completa 4 anos em 2018 e é outro indicativo de que essa luta está longe de ser vencida. Das 20 metas e centenas de estratégias com previsão para serem alcançadas a curto, médio e longo prazos (mesmo sabendo que a maioria das metas teve algum encaminhamento), quase nenhum dos prazos até agora foi cumprido.

Precisamos, entre outras coisas, deixar de acreditar que condições mínimas e pequenos avanços serão suficientes. É preciso oferecer ensino de qualidade para uma trajetória de aprendizagem digna.

Precisamos olhar para países como Finlândia, Coreia do Sul, Hong Kong e Japão, que têm os melhores indicadores do mundo quando se trata de educação, e repensar com urgência o fato de que o Brasil ocupa a penúltima posição no ranking mundial que avalia a qualidade da educação.

Se não houver um verdadeiro compromisso de mudança que coloque a educação como a prioridade maior de nosso país, continuaremos perpetuando um cenário de desigualdade de oportunidades, no qual poucos são contemplados e muitos deixados pelo caminho.

* Julio Röcker Neto é gerente editorial do sistema de ensino Aprende Brasil.

Fonte: Central Press



Mortes e lama: até quando, Minas?

Tragédias no Brasil são quase sempre pré-anunciadas. É como se pertencessem e integrassem a política de cotas. Sim, há cotas também para o barro e a lama. Cota para a dor.


Proteção de dados de sucesso

Pessoas certas, processos corretos e tecnologia adequada.


Perspectivas e desafios do varejo em 2022

Como o varejo lida com pessoas, a sua dinâmica é fascinante. A inclusão de novos elementos é constante, tais como o “live commerce” e a “entrega super rápida”.


Geração millenials, distintas facetas

A crise mundial – econômica, social e política – produzida pela transformação sem precedentes da Economia 4.0 coloca, de forma dramática, a questão do emprego para os jovens que ascendem ao mercado de trabalho.


Por que ESG e LGPD são tão importantes para as empresas?

ESG e LGPD ganham cada vez mais espaço no mundo corporativo por definirem novos valores apresentados pelas empresas, que procuram melhor colocação no mercado, mais investimentos e consumidores satisfeitos.


O Paradoxo de Fermi e as pandemias

Em uma descontraída conversa entre amigos, o físico italiano Enrico Fermi (1901-1954) perguntou “Onde está todo mundo?” ao analisarem uma caricatura de revista que retratava alienígenas, em seus discos voadores, roubando o lixo de Nova Iorque.


Novo salário mínimo em 2022 e o impacto para os trabalhadores autônomos

O valor do salário mínimo em 2022 será de R$ 1.212,00.


2021 – A ironia de mais um ano que ficará marcado na história

Existe um elemento no ano de 2021 que imputou e promoveu uma verdadeira aposta de cancelamentos e desejos para que ele seja mais um ano apagado da memória de milhares de pessoas: A pandemia, que promoveu o desaparecimento definitivo de milhares de pessoas.


Negócios do futuro: por que investir em empreendedorismo no setor financeiro

Você sabia que 60% dos jovens de até 30 anos sonham em empreender?


A importância de formar talentos

Um dos maiores desafios das empresas tem sido encontrar talentos com habilidades desenvolvidas e preparados para contribuir com a estratégia da empresa.


Sustentabilidade em ‘data center’: setor se molda para atender a novas necessidades

Mesmo que a sustentabilidade ainda seja um tema relativamente novo no segmento de data center, ele tem se tornado cada vez mais necessário para as empresas que querem agregar valor ao seu negócio.


Tendência de restruturações financeiras e recuperações judiciais para o próximo ano

A expectativa para o próximo ano é de aumento grande no número de recuperações judiciais e restruturações financeiras, comparativamente, aos anos de 2021 e 2020.