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O.V.I

O.V.I

25/11/2008 Divulgação

O que é que eu vou fazer? Ficar em silêncio? Na verdade, foi uma bela experiência. Tive sorte que me deixaram são e salvo, a três quarteirões de casa. Queriam me indenizar pela semana maravilhosa que passei. E sem fingir desprendimento de bens materiais, apenas comentei que se para uma viagem bacana como esta recebêssemos cachê, imagina o que aconteceria aos fracassados pacotes turísticos que certas agências nos propõem?

Quando lá em cima, cheguei a pensar que nunca me soltariam. Fiquei chateado. Afinal o novo assusta. Já pensou jamais voltar a ver meus filhos? A mãe deles pouco interessa. Agarrou-se a outro, e quando me sorri é para dizer que a pensão caiu. Não a culpo; ao contrário, valorizo o cuidado com as crianças. Tá, nunca fui um pai de mimar. Mas cada um tem seu jeito de expressar amor. Eu os amo muito.

Que arranquei de vantagem? Ora, as férias do serviço. Há mais de três anos que não tiro férias, sequer quinze dias de folga. Quando muito o período de natal e ano novo. Certa vez consegui me livrar vinte dias, mas os telefones e as demandas eram tais que praticamente trabalhei em casa para a empresa.

Como os ovis me acharam? Eu estava no tranqüilo congestionamento na Marginal Pinheiros. Chegaria atrasado, e teria que ficar até duas ou três horas a mais na empresa, por causa do balancete. O carro sem ar condicionado. Porém, por receio dos vendedores ambulantes e medo dos assaltantes motoqueiros, eu mantinha fechados os vidros com filme. De repente, uma pista que passava por cima dos carros surgiu a minha frente. Tentei desviar, mas o carro já não me obedecia. Quando vi estava sendo conduzindo pelas nuvens. A estrada levava para uma imensa nave. E apaguei.

Quando acordei estava lá sendo interrogado, melhor, convidado a falar sobre meu estado. Ofereceram-me um café com leite e um pão na chapa, pode? Vai ver vasculharam a mania que tenho de passar religiosamente numa padaria que fica a duas quadras da empresa lá pelas dez horas da manhã.

Que receptividade. Nada muito exagerado em termo de conforto. Algo que a classe média paulistana está acostumada. Com exceção do respeito, do sorriso gostoso, da gentileza, do amor pela vida, da espontaneidade que quase inexiste nos amarelados sorrisos dos comerciantes e clientes paulistas.

E eu que sempre fui meio ateu, teria eu tido a boa sorte de ter morrido no trânsito na Marginal Pinheiros e conseguido um cantinho no paraíso?

Infelizmente descobri que não. Que se tratava apenas de extraterrestres esquadrinhando o nosso planeta. Se eu morasse em outra cidade que não fosse São Paulo, eu ficaria apavorado. Mas vendo assalto, estupro, fila de INSS, político-ladrão e empresas corruptas, nada me assustava mais. Aliás, temo que o efeito fora inverso. Questionado dos meus hábitos, do relacionamento com meus pares, como era o trabalho, a comunidade que me rodeava, assisti em suas fisionomia tristes decepções. Éramos superiores ou inferiores demais para o que estavam procurando? Não me disseram. Eram ovis diplomatas; no mínimo, educados. Abortaram a missão, me deixaram e foram embora, talvez para outra galáxia.

*Escritor, autor de romances. Contato: [email protected]



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