Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Obesidade: educar ou chocar?

Obesidade: educar ou chocar?

18/09/2017 Dr. Cid Pitombo

Há 20 anos me dedico a cuidar e entender o que acontece aos pacientes com obesidade.

Obesidade: educar ou chocar?

Operei no mundo todo, escrevi livro e artigos, fiz mestrado e doutorado e, principalmente, vivenciei e vivencio a vida deles. Aprendi muito. O Brasil é um dos países com uma das maiores epidemias de obesidade, mas será que nós e o governo sabemos realmente quais as reais consequências dessa doença?

Será que a população sabe que a infiltração gordurosa no fígado, conhecida como esteatose hepática, pode levar a uma hepatite por gordura e cirrose hepática? Hoje, essa já é a segunda causa de transplante de fígado.

E quantas das mortes anotadas como infarto decorreram de uma barriga volumosa, que sabidamente inibe uma enzima protetora das coronárias e facilita o acúmulo de gorduras nela? Diversos estudos demonstram que, em alguns anos, nenhum sistema de saúde terá capacidade financeira de arcar com os custos de pacientes infartados, hipertensos, diabéticos e com outras tantas doenças causada pela obesidade.

Estamos lidando com uma epidemia de ramificações descontroladas, potencializada por uma população mal informada. Campanhas para enfrentar a aids, o tabagismo e mesmo para estimular o uso do cinto de segurança inicialmente chocaram a população, mas pouco a pouco todos entenderam que, às vezes, o impacto de uma má notícia serve como aprendizado.

É dever nosso, e principalmente do governo, demonstrar a trágica história de saúde que acompanha a obesidade — assim como fizemos com o fumante. É a partir daí que cada um deve decidir se é esse o caminho que planejava trilhar. Era isso que você imaginava quando criança? O excesso de peso pode dificultar o caminhar e as atividades cotidianas mais simples, como tomar banho ou se higienizar.

Não se trata de discriminar o obeso. Pelo contrário. Estamos falando de uma doença, e não de preguiça ou gula. Existem milhões de indivíduos com obesidade em filas para tratarem problemas associados a ela. O Sistema Único de Saúde incorporou às suas diretrizes medidas como a disponibilização da cirurgia bariátrica por acesso videolaparoscópico, sabidamente muito mais seguro e menos invasivo.

No entanto, essa ainda não é uma realidade na maioria dos serviços espalhados pelo país afora. O acesso ao procedimento ainda está limitado, e não cresce na mesma progressão que a quantidade de obesos em situação de morbidade. O tempo de espera nas filas para a cirurgia bariátrica, dependendo do Estado, pode chegar a sete anos. Alguns, como Rondônia, Paraíba, Acre, Roraima e Piauí, sequer disponibilizam o procedimento.

O Rio de Janeiro, no entanto, tem dado o exemplo e está garantindo vida a essa população. Em pouco mais de seis anos, saímos de uma realidade de 20 cirurgia por ano para cerca de 500 em 12 meses. E todas por acesso videolaparoscópico, o que inspirou o Ministério da Saúde a recomendar o mesmo para todo o país.

O tempo de espera médio para atendimento no Rio de Janeiro não chega a um ano e a chamada fila está totalmente equilibrada. Estamos chegando a 2 mil pacientes operados, que juntos perderam quase 100 toneladas de peso. No Rio, provamos que é possível. Dignidade no tratamento de uma doença que é grave e está matando.

* Dr. Cid Pitombo é cirurgião e coordenador do Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica do Rio de Janeiro.



Análise de dados e a saúde dos colaboradores nas empresas

Como a análise de dados está ajudando empresas a melhorar a saúde dos colaboradores.


16 senadores suplentes, sem votos, gozam das benesses no Senado

Quando o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), pretende colocar em votação Emenda Constitucional para acabar com a figura de SENADOR SUPLENTE?


Há tempos são os jovens que adoecem

Há alguns anos o Netflix lançou uma série chamada “Thirteen Reasons Why”, ou, em tradução livre, “As Treze Razões”.


Administração estratégica: desafios para o sucesso em seu escritório jurídico

Nos últimos 20 anos o mercado jurídico mudou significativamente.


Qual o melhor negócio: investir em ações ou abrir a própria empresa?

Ser um empresário ou empresária de sucesso é o sonho de muitas pessoas.


Intercooperação: qual sua importância no pós- pandemia?

Nos últimos dois anos, o mundo enfrentou a maior crise sanitária dos últimos 100 anos.


STF e a Espada de Dâmocles

O Poder Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Investigativa são responsáveis pela persecução penal.


Lista tríplice, risco ao pacto federativo

Desde o tempo de Brasil-Colônia, a lista tríplice tem sido o instrumento para a nomeação de promotores e procuradores do Ministério Público.


ESG: prioridade da indústria e um mar de oportunidades

Uma pesquisa divulgada recentemente pelo IBM Institute for Business Value mostra que a sustentabilidade tem ocupado um lugar diferenciado no ranking de prioridades de CEOs pelo mundo se comparado a levantamentos anteriores.


Como conciliar negócios e família?

“O segredo para vencer todas as metas e propostas é colocar a família em primeiro lugar.”, diz a co-fundadora da Minucci RP, Vivienne Ikeda.


O limite do assédio moral e suas consequências

De maneira geral, relacionamento interpessoal sempre foi um grande desafio para o mundo corporativo, sobretudo no que tange aos valores éticos e morais, uma vez que cada indivíduo traz consigo bagagens baseadas nas próprias experiências, emoções e no repertório cultural particular.


TSE, STF e a censura prévia

Sabe-se que a liberdade de expressão é um dos mais fortes pilares da democracia.