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Olimpíadas e desafios

Olimpíadas e desafios

03/08/2016 Amadeu Garrido

As Olimpíadas foram inspiradas pelos deuses gregos. Competição integrativa, o antípoda das guerras, as destrutivas.

O potencial físico dos diversos povos, gerados em ambientes diversos, uns frios, outros quentes, sociedades democráticas, plutocráticas, abertas e fechadas, livres ou opressas.

A vitória era a demonstração da saúde social, política e econômica da sociedade daqueles que a representavam. Consciente disso, Hitler tentou comprovar sua tese de superioridade dos loiros, a quem, unicamente, estava destinada a terra.

Um grande homem, vindo de lá onde surgiu a vida, um negro, foi a demonstração vexatória da inanidade de sua tese. Imaginem o continente africano sustentável e desenvolvido - e não o é como consequência da rapina dos dominadores coloniais -.

Creio que a imensa maioria das moedas de ouro iria para as savanas africanas. Não porque seus habitantes sejam mais fortes do que os de outros continentes, mas porque deve haver uma razão, que desconhecemos, para que a vida inteligente tenha se iniciado em terras tórridas tropicais.

De todo modo, os times estariam em melhores condições de igualdade; e os resultados seriam somente o reflexo de valores positivos. Os conflitos mundiais chafurdaram em sangue a humanidade. Fizeram a história do século vinte composta de intervalos entre as guerras, em que, mesmo sem os confrontos físicos, tencionavam-se os povos.

Não foram só mortos e feridos; fome, abandono, separação de famílias, noites frias ao luar, intelectuais, literatos e poetas que deixaram de revelar o íntimo da alma humana e se tornaram enfermeiros de guerra, cuidando do íntimo massacrado dos corpos e vendo os olhares macilentos de jovens moribundos.

Já na guerra da secessão americana, o grande poeta da vida, Walt Withman, feito um desses cuidadores dos enfermos, noticia a tétrica visão de um amontoado de órgãos humanos, resultado de amputações, no canto de um hospital militar.

André Breton sentiu brotar em si a nota do surrealismo em condições semelhantes; um mundo desses só poderia ser um mundo surreal. Durante a efervescência de sangue das greves não foram realizadas olimpíadas. Os jogos foram de canhoneiras, trincheiras povoadas de ratos e bactérias, aviões militares, bombardeios atômicos e tudo o que sabemos sobre esses interregnos negros da civilização.

As medalhas foram de metal vil e rubro. Entre as guerras tradicionais e o terrorismo do Al e da Al Qaeda a distinção é do grau de irracionalidade. Foi menor na primeira hipótese, conflitos oficiais entre estados, declarações formais de deflagração, composição de gabinetes em torno da busca dos armistícios e da paz duradoura, negociações diplomáticas, delimitação conhecidas dos "fronts", algum respeito à população civil, às mulheres, crianças e idosos.

Exceção foram as decisões do Fuhrer, que tinham força de lei. Um grupo de jovens juristas compulsoriamente servindo à SS tentou, em desespero de causa, blindar parte dos judeus destinados ao holocausto mediante recurso à "interpretação das normas jurídicas".

Indagaram ao satânico autor do memorando se os destinatários seriam todos os judeus, mas com exceção das mulheres e crianças, e receberam um rotundo "Não, são todos". Sob esse aspecto, o terror é mais maligno e severo. Tem como objeto a população civil.

E, para acentuar o paroxismo, que se encontra em atividades lúdicas ou de lazer: corrupção do homem, felicidade contrária ao ascetismo do Alcorão pré-humano e às profecias de Jheová. Dissemine-se a tristeza entre os homens.

Essa a mensagem repulsiva do terror. Ataque-se os desprotegidos, por exemplo, uma reunião pública atropelada por um gigantesco caminhão. Pouco importa aos morcegos hematófagos ou vampiros o sangue alheio e seu significado.

A alma, o espírito, nada tem a ver com o corpo, um cartesianismo deturpado. Vai-se para outro mundo, onde há 11 virgens esperando àqueles que se encarregaram da divina missão de matar seus semelhantes na terra. A seletividade em favor do mal no paraíso e na eternidade.

Não se pode suspender as Olimpíadas. Mas polícias do mundo inteiro devem preservá-las. Compreendemos o colega Alexandre de Morais, Ministro da Justiça, ao cumprir sua função de Rivotril. Mas não podemos confiar. O terror aparece como insetos emergem das catacumbas sombrias na escuridão da madrugada.

Isso, se não quisermos trilhar o idealismo daqueles jovens juristas utópicos, saídos das Faculdades germânicas, que consideraram seus conhecimentos capazes de amainar a fúria do demônio da segunda guerra mundial.

*Amadeu Garrido é advogado e poeta, autor do livro Universo Invisível, membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas.



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