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Os erros mais comuns de brasileiros nos Estados Unidos

Os erros mais comuns de brasileiros nos Estados Unidos

11/12/2020 Daniel Toledo

Existem alguns hábitos que estão intrínsecos na cultura do brasileiro, e que são difíceis de reverter.

O imigrante que deixa o país, a lazer ou a negócios, sempre busca o melhor dos dois mundos, mas muitas vezes se esquece que para ter algo é necessário abrir mão de outras coisas.

É preciso ter equilíbrio, para conviver com pessoas de outras nações, e capacidade para se adaptar e ter um comportamento adequado.

Por isso, apesar de ser um tema controverso, separei alguns momentos para tratar dos erros que os brasileiros cometem no exterior.

O primeiro deles é que boa parte das pessoas que vão para outro país não estão em busca de um trabalho efetivamente, mas sim um emprego apenas para receber um salário no final do mês.

Isso gera problemas de identificação principalmente nos Estados Unidos, onde as pessoas recebem por hora e por produtividade, com menos vantagens trabalhistas.

Existe uma grande preocupação com o retorno financeiro de uma atividade, mas não em relação ao que pode oferecer para o mercado, através de desenvolvimento ou interesse no trabalho realizado, coisas que são fundamentais para aumentar os ganhos.

Acredito que por conta da legislação extremamente protecionista no Brasil, as pessoas costumam pensar mais nos direitos, do que nos deveres.

Também é famoso, e discutido em outros países, o ‘jeitinho brasileiro’: o pensamento de que tudo tem solução, ainda que não seja algo tão ético.

Burlar burocracias ou situações que necessitam de algum tempo para análise pode ser muito satisfatório, mas normalmente não tem um fim positivo.

Um amigo costuma dizer, por exemplo, que todo crime de estelionato envolve um esperto e uma pessoa que achou que era esperta. Normalmente, cair num golpe é resultado de optar por um caminho mais curto.

Por conta disso, muitas pessoas que fazem parte da comunidade brasileira em outros países optam por se isolar do restante para evitar relacionamentos com quem apresenta essas características.

Outro ponto é falta de preparo e de prioridade. Quando alguém quer sair do país, é comum querer que o processo seja instantâneo, o que não é possível.

Por essa razão, eu costumo dizer que é essencial que o advogado não se envolva emocionalmente com os casos defendidos de clientes, pois fica ainda mais difícil ter clareza do processo, da capacidade desse solicitante e se ele está apto a modalidade de visto aplicado.

Esse envolvimento é muito perigoso para ambos, então o ideal é evitar ter um olhar protetivo sobre os casos, ainda que sejam de pessoas próximas, justamente para que não ocorra essa falta de preparo, estrutura ou perspectiva ao chegar em outro país.

Erros assim são comuns especialmente para os recém chegados, mas é importante ter em mente que essas visões podem ser diferentes, de acordo com o comportamento e cultura de cada pessoa.

No entanto, uma das coisas mais comuns quando alguém se muda para os EUA é o deslumbramento com toda a situação, visto que há inúmeras diferenças relacionadas a poder de compra e facilidades que não são tão habituais no Brasil.

Com isso, muitos entram num status de ‘vida nova’ e se esquecem tanto das coisas ruins, como das boas, que são os valores, as dificuldades e superações que o levaram até esse lugar privilegiado, causando também uma falsa ilusão de poder.

Por fim, algo que também leva a uma visão negativa, são os grupos e festas de brasileiros, pois isso não é parte da cultura americana, já que costumam ser mais regrados, mas sim da latina, com necessidade intensa de socializar.

Durante a pandemia, ouvi diversos relatos sobre o assunto, seja através de jornais de notícias brasileiros ou pessoas em redes sociais, e é fundamental lembrar que no momento ainda existe uma quarentena que deve ser respeitada.

Do contrário, acontece o que temos visto: manchetes que relacionam brasileiros à baderna. Não se adaptar às regras é levar o pior do Brasil para esse novo lugar.

Uma vez que a decisão de sair do país é tomada, o ideal é que algumas considerações entrem no jogo. As prioridades mudam e também é necessário abrir mão de algumas coisas para começar um novo estilo de vida, o que pode ser muito bom.

* Daniel Toledo é advogado da Toledo e Advogados Associados especializado em direito Internacional.

Fonte: Carolina Lara



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