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Pagode

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22/09/2008 Divulgação

Tem ditados que por mais que você ache ridículo, sei lá, parece haver uma força que te leva a cair diante deles. Quando ouço o ditado Nunca diga que dessa água não beberá, fico com raiva, indignado. Como somos vulneráveis. No meu tempo de adolescente, odiava o tal samba. Tudo bem que calhei de ter pessoas alucinadas como vizinhos. Era samba de manhã, samba à tarde, samba à noite. Gritaria, palavrões, e toda a algazarra de quem é super egoísta em sua diversão, a ponto de infernizar a vida alheia.

O trauma se instalou. E podiam me chamar de vira casaca, que nega a raça, tudo, mas eu ficar em arquibancada vendo escola de samba, ir para barracão de escola de samba, ir para roda de samba, queria que o samba fosse para o diabo que o carregasse e levasse junto os batuqueiros de todos os gêneros. Pior que o samba só o funk. Que coisa medonha.

Claro que eu era escorraçado. Ser afro descendente e não gostar de samba ou funk em Vila dos Telles é como estar no Maracanã com a camisa do fluminense no meio da torcida rubro negro e gritando manda o flamengo para a p. que o pariu.  Ainda bem que tinha uma roda de amigos compreensível. E como eu era louco por futebol a galera me tolerava.

Gostava de rock, de preferência nacional. Para contrariar o mau gosto? Pode ser. Também porque eu me identificava.

Agora eu aqui com o pandeiro na mão, cantando, pode? Tudo bem que é a UFF em Niterói em vez da semifavela em que eu morei. Por que isso aconteceu? É como perguntar por que a gente vem para Terra, passa um tempo curto e depois desaparece. Eu não sei a resposta.

Estudante de educação física, já no primeiro ano, quase saí no braço com um cara da república, quando veio com o papo de que quem não gosta disso ou daquilo nega a raça. A faculdade me apresentou uma fartura musicalidade. Conheci o clássico, blue, jazz. Tive oportunidade de apreciar a variedade. Pasmei quando descobri que o rock é manifestação genuína da negritude, visto que é herança do blue. O que diriam meus colegas negros lá da rua ao saberem que o rock existe graças aos negros.

Nos barzinhos, rolava os grupos nacionais de rock, axé, até sertanejo. Quando me vi, estava eu empolgado pela música do SPC e Raça Negra. Eram melodiosos. E uma cervejinha também abre a cabeça. Na faculdade é que me desvirginei em beber. Antes só eram refrigerantes, água e suco.

Meados de 1995 houve uma avalanche de churrascos entre funcionários da universidade. Convidado para a maioria, eu estava lá, batucando, sambando, pagodeando. O pagode do Raça Negra me conquistou. Quem sabe o novo grupo de amigos, a solidão de minha vida em república me incentiva a isso. Volto para casa de minha mãe nos fins de semana em que estou de folga. São raros, pois justamente é este espaço de tempo que sobra para eu trabalhar em academias, visto que minha faculdade é integral.

Talvez seja uma fase, essa de passar e se empolgar numa roda de pagode. Quando sei que tem festa no sábado ou domingo, a animação é visível. Como bebo pouco, no outro dia bem cedo estou de pé. Para o grupo de pagode, que pertenço há três meses, surgiu um convite para tocar na próxima semana num barzinho badalado. Vamos ver o que vira.

*Escritor, docente na Fundação Casa - SP. Autor do livro HOMEM NÃO CHORA, BERRA!!! Comemoração dos dez anos de sua publicação. Contato: [email protected] 



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