Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Para onde iremos?

Para onde iremos?

08/11/2021 Igor Macedo de Lucena

Outubro de 2020, o mundo começa a se recuperar da pandemia, aviões voltam a voar nos céus do planeta com turistas e empresários, hotéis começam a ocupar seus quartos lotando-os, salas de cinema voltam a receber os blockbusters, planos de investimento começam a sair do papel de nações como os Estados Unidos e a União Europeia.

Após a tempestade, o que corre na grande maioria do planeta é o retorno das atividades econômicas com as bolsas de valores subindo, as IPOs (Ofertas Públicas Iniciais, em inglês) voltando a ocorrer e o desemprego começando a diminuir, mas infelizmente essa história não está acontecendo fielmente no Brasil.

Nos últimos meses, o Brasil parece estar envolto em uma espécie de tempestade perfeita, algo que ocorreu em 2016 e que nenhum brasileiro da época gostaria de ver sendo repetido.

Sofremos hoje com uma inflação superando os 10% nos últimos 12 meses, o nível de desemprego continua acima dos 14 milhões de desempregados, sofremos com a falta de componentes eletrônicos, o que causa impacto em diversos setores da nossa indústria, o aumento do preço do barril de petróleo a nível mundial e o monopólio da Petrobrás no refino brasileiro ameaçam a ocorrência de um iminente desabastecimento de combustíveis no país; e se tudo isso não fosse suficiente, o Governo Federal decidiu ‘quebrar a regra’ do teto de gastos, indicando aos investidores que não há limites para os gastos do governo, o que resultará em 2022 em mais inflação e taxas de juros cada vez maiores.

Talvez a boa notícia é a de que a vacinação está avançando rapidamente, e o número de vítimas da pandemia causada pelo novo coronavírus está, de fato, cada vez diminuindo.

Neste contexto, o cerne deste artigo é uma pergunta do título: para onde iremos? Do mais humilde trabalhador brasileiro até o mais graduado investidor da Faria Lima a pergunta é a mesma: o que irá acontecer com o Brasil a partir de agora?

Parece que não há de fato um projeto de país, parece que estamos perdidos ao longo do tempo e do espaço; e quando vemos a Índia, a China, a União Europeia, os Estados Unidos, a Rússia, o Japão, a Colômbia e vários outros ‘atores deste cenário’ apresentando claramente suas metas, seus objetivos, e como irão avançar no pós-pandemia, não nos resta, por enquanto, qualquer visão positiva e confiante em relação ao que verdadeiramente desejamos ser como nação.

De nada adianta deputados, senadores e membros do governo falarem a respeito de Deus, de liberdades individuais, de democracia e de liberdade de expressão, se não estão entregando nenhum objetivo concreto para a melhoria da sociedade no médio e longo prazos.

Todos esses valores são importantes, mas se ficarem apenas que nem palavras ao vento, tornar-se-ão banais e nocivos. Agentes públicos são lembrados e julgados pela sua capacidade de entregar resultados, na minha visão, sendo pragmáticos, práticos no trato com a vida e benevolentes com o bolso das pessoas.

Sendo objetivo em minhas colocações, estamos enfrentando um boicote de carne do nosso maior comprador, a China, e não há sinais de que esse boicote irá ser revertido em um curto prazo.

Os motivos para isso? A insistência por parte da ala ideológica do governo de criticar constantemente o governo de Pequim, seu embaixador e principalmente o Presidente Xi Jinping de maneira tão radical e incisiva que nem os americanos teriam coragem, pois sabem que boicotes custam empregos, custa faturamento de empresas nacionais e impacta diretamente no bolso das pessoas.

Procuro encontrar alguma razão lógica para que tais atitudes tenham sido tomadas, demonstrando uma ideologia política errática, para que possamos ter chegado a esse ponto.

Não vejo benefício algum para nosso país, mas sim possíveis problemas futuros e prejuízos em troca de bravatas com palavras arrogantes.

Além disso, o presidente americano não nos respeita, líderes europeus nos tratam com desprezo, e neste ritmo ficamos e ficaremos falando com quem?

A bolsa de valores está cada dia mais volátil, os títulos públicos brasileiros já pagam mais de 13% ao ano aos investidores e devem continuar subindo, mostrando uma aversão cada vez maior ao risco e que a economia brasileira está sendo vista com desconfiança até mesmo pelos investidores nacionais.

Os BDRs de ações estrangeiras no Brasil passam a se tornar mais negociados na Bovespa, mostrando que o investidor procura cada vez mais retirar das empresas nacionais seus investimentos em renda variável, o que se deduz que esse movimento deverá continuar.

Apresentando este cenário quase que apocalítico sob o ponto de vista econômico, é prevista uma tempestade econômica para 2022 e 2023, e o que mais assusta é que membros do governo do mais alto escalão foram embora, e parece que estamos assistindo apenas aos atuais membros ‘apagarem incêndios’ todos os dias.

Não quero que este texto seja visto como uma crítica irresponsável, pois estou aqui relatando fatos que já ocorreram e que estão ocorrendo enquanto escrevo, mas o que mais me preocupa é a falta de praticidade dos agentes e a insensibilidade com as previsíveis consequências dos seus atos.

Seja quem for o Presidente do nosso Brasil em 2023, recolocar o país nos trilhos será uma tarefa hercúlea e deverá começar com uma pacificação nacional e com uma visão pragmática para o que é o melhor para todos.

O mais ‘inconsequente’ membro do Itamaraty uma vez afirmou que o Brasil seria um pária se dependesse de sua gestão, e seu breve tempo como Chanceler nos colocou de fora das mais importantes discussões do planeta.

Isso definitivamente não pode se repetir. Política e economia são intimamente ligadas e precisamos entender isso a cada dia, pois o impacto de trapalhadas nesses dois flancos recairá direto no bolso de todos, algo a que estamos expostos dia a dia.

Sou brasileiro e torço pelo Brasil, crio meus filhos neste país e quero poder entregar para eles um país com menos inflação, menos desemprego, menos violência, mais oportunidades, melhor Educação, maior integração internacional, mais praticidade na solução de problemas e a visão de mundo de que podemos e devemos ser respeitados. Para isso precisamos começar com o básico: o pragmatismo.

A frase mais pragmática que escutei nos últimos dias foi: “Não importa se o governo é de esquerda ou de direta, importa se ele entrega resultados concretos e positivos para a população.”

* Igor Macedo de Lucena é economista e empresário, Doutorando em Relações Internacionais na Universidade de Lisboa.

Para mais informações sobre Brasil clique aqui…

Publique seu texto em nosso site que o Google vai te achar!

Fonte: Comunica PR



O peso da improbidade no destino das pessoas

O homem já em tempos pré-históricos se reunia em volta das fogueiras onde foi aperfeiçoada a linguagem humana.


Mercado imobiliário: muito ainda para crescer

Em muitos países, a participação do mercado imobiliário no Produto Interno Bruto (PIB) está acima de 50%, enquanto no Brasil estamos com algo em torno de 10%.


Entender os números será requisito do mercado de trabalho

Trabalhar numa empresa e conhecer os seus setores faz parte da rotina de qualquer colaborador. Mas num futuro breve esse conhecimento será apenas parte dos requisitos.


Quais os sintomas da candidíase?

A candidíase é uma infecção causada por uma levedura (um tipo de fungo) chamada Candida albicans.


Entenda o visto humanitário para ucranianos

A invasão da Ucrânia pela Rússia, iniciada em 24 de fevereiro, já levou mais de 4 milhões de ucranianos a deixarem seu país em busca de um lugar seguro.


Exigência de vacina não é motivo para rescisão indireta por motivo ideológico

Não se discute mais que cabe ao empregador, no exercício de seu poder diretivo e disciplinar, zelar pelo meio ambiente de trabalho saudável.


A governança de riscos e gestão em fintechs

Em complemento às soluções e instituições financeiras já existentes, o mercado de crédito ficou muito mais democrático com a expansão das fintechs.


6 passos para evitar e mitigar os danos de ataques cibernéticos à sua empresa

Ao longo de 2021 o Brasil sofreu mais de 88,5 bilhões (sim, bilhões) de tentativas de ataques digitais, o que corresponde a um aumento de 950% em relação a 2020, segundo um levantamento da Fortinet.


Investimentos registram captação de R$ 46 bi no primeiro trimestre

O segmento de fundos de investimentos fechou o primeiro trimestre de 2022 com absorção líquida de R$ 46,1 bilhões, movimentação de 56,9% menor do que o observado no mesmo período de 2021.


Não são apenas números

Vinte e duas redações receberam nota mil, 95.788, nota zero, e a média geral de 634,16.


Formas mais livres de amar

A busca de afeição, o preenchimento da carência que nos corrói as emoções, nos lança a uma procura incessante de aproximação com outra pessoa: ânsia esperançosa de completude; algum\a outro\a me vai fazer feliz.


Dia da Educação: transformação das pessoas, do mercado e da sociedade

A Educação do século 21 precisa, cada vez mais, conciliar as competências técnicas e comportamentais.