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Pequenas empresas e o comércio exterior

Pequenas empresas e o comércio exterior

28/05/2007 João Guilherme Sabino Ometto

É estimulante o anúncio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior de que o Brasil tem como meta alcançar US$ 152 milhões nas exportações em 2007.

A estimativa, 10,5% superior ao resultado alcançado no último exercício, está baseada num número maior de quantidades embarcadas em relação a 2006 e não no aumento de preços lá fora dos produtos já exportados pelo País. Porém, uma questão incomoda quando se analisa a lista de quem está conseguindo negociar seus produtos com outras nações: a baixa participação das micro e pequenas empresas no valor total das vendas externas do Brasil.

Pesquisa divulgada, no final de 2006, pelo Sebrae e a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) aponta que a presença das micro e pequenas empresas no total das exportações brasileiras caiu de 3,1% para 2,7%, entre 2004 e 2005. O mesmo trabalho indica uma diminuição desse tipo de firma nas negociações com o mercado externo, embora elas continuem sendo maioria entre todos os exportadores brasileiros. Há três anos, eram 12.376. Em 2005, caiu para 11.438 empresas.

Não é precisa a estatística sobre a participação das micro e pequenas empresas na marca histórica de negócios do Brasil com o Exterior registrada ano passado. Mas, independentemente do resultado, é fato que, nesse momento de expansão do comércio internacional, as micro e pequenas empresas têm ainda contribuído muito pouco em termos de vendas para as exportações.

A Itália, por exemplo, o índice de participação das empresas de pequeno porte nas vendas para outros países é de 58% (dados da Fiesp). Lá, as organizações contam com alto grau de especialização nisso, com forte estrutura organizacional, que, em sua grande maioria, estão constituídas em clustrers (grupos de negócios), com forte incentivo do governo, para serem competitivas no Exterior. Nesse aspecto, vale ressaltar que a Fiesp criou sete Arranjos Produtivos Locais (APLs), baseado no modelo de cluster italiano, para os setores de confecção (cama, mesa e banho), móveis, e, mais recentemente, de plásticos, que também tem sido estimulados a participar do mercado internacional.

Porém, os altos custos para exportar, o escasso financiamento dos bancos oficiais para estimular a produção e venda para o Exterior, o preço do seguro de crédito à exportação, a barreira da língua, a burocracia, a falta de divulgação da Marca Brasil e o retorno do investimento a longo prazo são as maiores reclamações das empresas nacionais quando a questão é se relacionar com o Exterior. Soma-se a isso os entraves cambiais, que desestimula a competitividade, gerando, inclusive, uma reação em sentido contrário, com a entrada de produtos importados no País concorrentes de produtos nacionais fabricados pela micro e pequenas empresas; além da  dificuldade de se obter crédito a juros compatíveis para incrementar os negócios. Por outro lado, a isenção fiscal do produto exportado pelas empresas inscritas no Simples e o incentivo a criação de consórcios, previstos na Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, podem ajudar a estimular a participação do País no mercado internacional. No entanto, essa lei precisa ser urgentemente regulamentada.

 

Em termos do número de empresas brasileiras exportadoras, o ano de 2005 registrou um total de 17.110 que realizaram alguma operação de venda externa no ano. Isto significou redução de 853 empresas em comparação ao exercício anterior (menos 4,7%). Há projetos de incentivo e apoio de exportação para micro e pequenas empresas em diversos órgãos — públicos e privados (como já citado).

Porém, constata-se que isso precisa ser ainda mais incrementado. Verifica-se, na mesma pesquisa citada anteriormente, que entre as micro e pequenas empresas tem crescido ao longo dos últimos anos a prática de exportação de maneira sistemática e contínua. Isso é muito positivo e tem a ver com a conquista de cultura exportadora do empreendedor brasileiro.

No Brasil, as micro e pequenas representam mais de 90% das empresas formais, absorvendo um contingente expressivo de mão-de-obra.  O número é significativo e dá a dimensão do quanto elas podem participar deste promissor mercado internacional.

*João Guilherme Sabino Ometto, engenheiro (EESC/USP), é vice-presidente da Fiesp. Recentemente, chefiou missão empresarial da entidade em Parma e Milão.



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