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Por que as pragas se tornam resistentes aos inseticidas?

Por que as pragas se tornam resistentes aos inseticidas?

13/10/2020 Lucas Garcia von Zuben

O produtor brasileiro enfrenta um grave problema em suas criações: a infestação de pragas.

O carrapato é um dos maiores inimigos da produção de leite e carne no Brasil, e gera grandes prejuízos à pecuária nacional.

O clima tropical é propício para a explosão populacional da praga, que pode ocasionar ao gado a diminuição da performance e da produtividade e a contração da tristeza parasitária, levando à perda de peso e até a morte.

Para combater as infestações, é comum o uso de inseticidas. No início, a maioria dos parasitas morrem, mas, depois de um tempo, aparecem novamente. Então o produtor tenta uma nova aplicação, e observa que não teve o mesmo efeito.

Em seguida, opta por fazer a próxima aplicação antes do programado, e percebe que menos da metade das pragas morreram. Este ciclo se repete algumas vezes, e o produtor entende que o controle químico não está sendo eficaz.

Como resultado, temos animais improdutivos, profissionais expostos às substâncias tóxicas, elevado desperdício com descarte obrigatório da produção e até a contaminação do solo.

Esta é a realidade de diversos produtores no Brasil, que não conseguem um controle eficaz devido à resistência das pragas.

A resistência é a capacidade que alguns indivíduos da população do parasita apresentam em sobreviver a doses de inseticida que são consideradas letais à maioria dos insetos.

Para entender como os parasitas se tornam resistentes, e outros não, é preciso pensar na dinâmica populacional das pragas que atingem uma determinada região.

Dentre os vários parasitas que infestam um local, uma pequena porcentagem de indivíduos é naturalmente resistente a determinado produto químico.

Ou seja, a resistência de pragas é um processo natural, alguns indivíduos são suscetíveis, outros são resistentes.

Este fenômeno é genético, ocorre por uma alteração no DNA desses parasitas, e eles se tornam diferentes dos demais, o que permite que sobrevivam ao inseticida. 

Essas diferenças estão presentes em todas as espécies de seres vivos. Cada indivíduo tem naturalmente características específicas em seu código genético.

Quando o defensivo é aplicado, a maioria das pragas daquela espécie morrem, mas aquelas que se diferem não sofrem com o efeito tóxico do produto e continuam vivas.

Estes indivíduos se reproduzem, passam seu código genético aos descendentes, e estes apresentam a mesma característica, que permite que sobrevivam ao químico.

O principal desafio, portanto, é que os insetos se reproduzem muito rapidamente e o processo descrito acima ocorre repetidas vezes em um pequeno espaço de tempo.

Em um determinado momento, a minoria de pragas resistentes se torna a maioria da população daquela área. Este é um enorme problema para o produtor.

Atualmente, cerca de 800 espécies de insetos e ácaros já foram declaradas resistentes a algum composto químico.

Quase todos os grupos de pesticidas (DDT, ciclodienos, organofosforados, piretróides) já apresentam alguma praga resistente em lavouras e na produção animal.

Se é um processo natural, como o produtor pode resolver essa questão? 

O desenvolvimento da resistência é intensificado pelo mal uso dos produtos químicos no controle das pragas, como número e doses exageradas de aplicações.

Ou seja, quanto mais aplicações de um mesmo produto, menos indivíduos daquela praga irão morrer. O produtor acaba entrando em um ciclo de aplicações e resistência de pragas, e isso interfere no manejo da cultura e produtividade.

Quanto mais aplicações são feitas, portanto, maior o número de pragas resistentes que permanecem na área e menor a mortalidade, até que todos os indivíduos sejam resistentes.

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) já descreve a rotação de inseticidas e redução de aplicações como uma das formas de retardar o desenvolvimento de populações resistentes.

Entretanto, essas medidas nem sempre são adotadas pelos produtores, o que torna a dificuldade de controle uma realidade em diversas regiões no Brasil.

O problema se torna mais sério quando avaliamos o número baixo de moléculas químicas disponíveis para desenvolvimento de novos produtos, o tempo que estes produtos levam (em média 10 anos) para serem produzidos e os altos custos envolvidos.

Controle biológico

Como ferramenta efetiva no manejo de pragas, o MIP também prevê o uso do controle biológico, técnica utilizada para combater espécies nocivas, reduzindo os prejuízos causados por elas.

A tecnologia consiste em controlar pragas e insetos transmissores de doenças por meio do uso de seus inimigos naturais, que podem ser outros insetos benéficos, parasitóides, predadores e microrganismos, como bactérias, fungos e vírus.

Os bioprodutos não induzem a resistência, além de apresentarem eficiência de controle comprovada.

Como o manejo biológico faz uso de organismos vivos - inimigos naturais -, que também apresentam variabilidade genética, as próprias interações que acontecem na natureza se encarregam de “atualizar” as formas de combate da praga, reduzindo drasticamente o desenvolvimento da resistência.

No combate do carrapato, fungos têm se revelado como eficazes agentes de controle. Quando os esporos desses fungos entram em contato com o parasita, eles germinam e se desenvolvem, levando-o à morte em poucos dias.

Esses microorganismos podem ser pulverizados nos animais ou na pastagem, permitindo um controle estratégico da praga.

As vantagens em relação ao uso de agentes químicos são evidentes, uma vez que o controle biológico não polui o ambiente e não causa desequilíbrios ecológicos, auxiliando para a melhoria da qualidade dos produtos, redução da poluição ambiental, preservação dos recursos naturais e sustentabilidade dos agroecossistemas. 

Além disso, a tecnologia diminui a exposição dos produtores rurais aos pesticidas, não afeta a qualidade do solo, previne contra pragas mais resistentes, promove o bem-estar animal e evita alimentos contaminados.

Ao compreender esse poder da natureza, podemos utilizá-lo na medida certa e no momento adequado para um desenvolvimento mais produtivo e sustentável.

* Lucas Garcia von Zuben é CEO da Decoy Smart Control, desenvolvedora de soluções biológicas para controle de pragas.

Fonte: Isabela Rodrigues



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