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Por que enfrentamos fila e pagamos caro?

Por que enfrentamos fila e pagamos caro?

11/10/2014 Paulo Figueiredo Filho

Cena 1: Sua internet, pela qual você paga uma das tarifas mais caras do mundo, está lenta. Você reclama inúmeras vezes, recorre à Anatel, a um padre exorcista e a quem quer que seja, sem solução.

Até que desiste e resolve chamar outra operadora. Só que a concorrente, apesar de marcar, não se digna sequer a aparecer em sua casa. Diz que está “com muitos agendamentos”. Resignado, você percebe que está condenado à operadora atual.

Cena 2: São nove da noite de sábado e você quer sair para jantar. Pensa em um restaurante que gosta, mas lembra de que, apesar de ser caríssimo, deve estar lotado, sequer aceitando reservas. Pensa em outro, também salgado, mas sabe que, a essa hora, todos estarão completamente abarrotados. Desiste e fica em casa comendo macarrão instantâneo e assistindo Netflix (se a sua internet, da cena 1, permitir).

Cena 3: Nenhuma das operadoras de telefonia do país, mesmo cobrando tarifas entre as mais caras do mundo, atinge os patamares mínimos de qualidade contratuais. É impossível sequer terminar uma ligação um pouco mais longa. O “4G”, mais parece um “zero-G”. O presidente da companhia dá entrevista e culpa, sem constrangimento, o “excesso de demanda”.

As cenas seriam quase inumeráveis. Em todos os casos, há consumidores em potencial que acabam frustrados. São filas em todos os lugares, faltam quartos de hotel, faltam moradias, falta energia elétrica, falta água, falta tudo. E a causa? Um tal de “excesso de demanda“. Confesso, que como empresário, sempre tive dificuldades em entender o conceito de “excesso de demanda”. Ora, no meu ramo, se um imóvel ou quarto de hotel estiver com uma demanda crescente, o que faço, gradativamente, é aumentar os preços até o limite da elasticidade, de forma que a demanda se ajuste naturalmente ao seu nível de equilíbrio.

Mas, então, por que tudo no Brasil tem que ser caro e estar cheio, ao mesmo tempo? Por que a oferta de determinado bem ou serviço tem de estar nos limites de sua capacidade, mesmo a preços altíssimos? O fenômeno mereceria uma análise aprofundada, mas há alguns pontos que chamo atenção sem medo de estar equivocado. O mais evidente talvez seja o conjunto de condições popularmente definidos como “Custo Brasil”. Os obstáculos e o ônus sobre o empreendedor por aqui são tão intensos, que os fatores de produção precisam ser utilizados sempre no limite ou não há lucro.

É como se até a casca da laranja tivesse que virar suco. E ainda, se seu negócio não estiver com consumidores saindo pelo ladrão, seu sócio majoritário (o governo) comerá o que ainda restar do seu lucro e, em breve, você fechará as portas. Outro ponto tem a ver com o conjunto de intervenções atabalhoadas do governo na economia. Coloco neste grupo todas as tentativas do Estado de se intrometer no funcionamento natural do mercado, como as reservas e protecionismos de qualquer forma, desonerações setoriais, controle do câmbio, as agências (des)reguladoras e, é claro, os controles de preço, que voltaram à moda nos últimos anos.

Todas estas intromissões criam distorções nos mecanismos de autocorreção do mercado. Certamente há ainda outros fatores que poderiam ser citados, como a expansão – direta ou indireta – de moeda na economia, a ineficiência do judiciário em reprimir quebras de contrato e desrespeito ao consumidor, a falta de infraestrutura adequada para a logística, ou mesmo a instabilidade e insegurança que desestimulam investimentos mais sólidos e de longo prazo. Em todos os casos, fica claro que há um agente causando desordem. E nós sabemos quem é.

* Paulo Figueiredo Filho é Diretor de Relações com o Mercado do instituto Liberal, Economista (PUC/RJ) e Bacharel em Filosofia. CEO do Grupo Polaris Brazil.



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