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Quem tem medo do Dr. Google?

Quem tem medo do Dr. Google?

22/07/2008 Divulgação

Os números impressionam alguns, assustam outros e desafiam muitos: em março, o número de brasileiros conectados à web, a partir de suas casas, aumentou e chegou ao novo recorde de 22,7 milhões de usuários, 40% mais que no mesmo período do ano passado, segundo dados do Ibope//NetRatings.

Já o total de internautas – incluindo residência, trabalho, escola, cybercafé, bibliotecas, telecentros – continuou estável em 40 milhões de pessoas. Tal cenário pode se alterar em breve, pois de acordo com o instituto de pesquisas, a entrada da classe C para a Internet deve alimentar o crescimento da web residencial brasileira. Se é difícil precisar a dimensão dos impactos da Internet sobre as mais diversas áreas e atividades econômicas, na área da Saúde, em particular, a web fomentou a pesquisa sobre doenças. A Internet criou um novo e fértil ambiente de pesquisa. Uma parte dos médicos e de outros profissionais de Saúde não vê com bons olhos essa tendência, pois acredita que podem ter sua autoridade diminuída, seu conhecimento contestado. Outros acreditam que os leigos fazem uma má interpretação das informações da web.

Alguns acusam a Internet de facilitar o autodiagnóstico e a automedicação, sendo assim uma ameaça à saúde dos próprios pacientes. Quando o assunto é Internet, a prática vem provando que é preciso deixar de lado a postura reativa e encarar o desafio de descobrir maneiras criativas de usar a web para torná-la uma ferramenta corrente no âmbito da relação médico-paciente. Compartilhar o conhecimento é o primeiro passo para ampliar a responsabilidade que os indivíduos devem ter sobre sua saúde, tanto para prevenir quanto para buscar a cura de uma doença. O paciente com maior conhecimento sobre o seu problema adere ao tratamento com mais facilidade, tendo inclusive uma postura mais questionadora. A relação médico-paciente é o calcanhar de Aquiles em qualquer sistema de saúde do mundo.

Apesar de todo o progresso, da medicina de alta complexidade e de novos e poderosos medicamentos, em muitos casos, os médicos dispendem pouco tempo esclarecendo detalhes sobre o mal que aflige o seu paciente. É nesse vácuo de informação que entra o Dr. Google. A Internet preenche esta lacuna porque coloca o paciente em posição de co-responsável pelo tratamento, além de oferecer-lhe outros ganhos: estes internautas passam a conhecer centros de excelência no tratamento de suas moléstias, organizações de pacientes e grupos de auto-ajuda, tendo também a oportunidade de participar de debates sobre diagnósticos e tratamentos em comunidades e listas de discussões.

Como não há selos de autenticidade na internet, muitas informações sobre saúde contêm, sim, erros e imprecisões. É certo também que muitos dos tratamentos encontrados na rede não podem ser aplicados da mesma forma a todas as pessoas que têm a mesma doença. A Internet ainda está se firmando como uma ferramenta disseminadora de conhecimento. Por enquanto, ela já possibilita a quebra de monopólio de conhecimento. A maior difusão da Internet nas residências – inclusive nas classes C e D – certamente a transformará numa ferramenta importante para que as pessoas tenham maior controle sobre a própria saúde.

O site médico

Para ter uma postura pró-ativa na Internet e utilizar a web em seu favor, o profissional de Saúde precisa ser bem assessorado neste sentido, pois os benefícios da exposição na Internet caminham lado a lado com os riscos à imagem e à reputação no mundo virtual. Um comunicador que entende de Saúde sabe o que fazer com a grande oferta de vídeos on-line, com os mapas epidemiológicos virtuais, com o Second Life, ele compreende a importância dos fóruns e comunidades virtuais. Este profissional está apto a fazer uma leitura correta do comportamento do paciente em blogs e redes sociais, pois é neste meio que seus clientes irão encontrar seus atuais e futuros pacientes.

Para a área da comunicação, as potencialidades da Web 2.0. ainda estão se desenhando. São poucos os profissionais e respectivos clientes da área da Saúde que apostam em estratégias de comunicação que englobem mais do que um website. Nem mesmo os blogs, tão consolidados em outras áreas como ferramentas de comunicação, são vistos como possíveis espaços de interação médico-paciente. A caminhada de mais de mil passos na Internet começa com a criação de um website e não termina mais, pois esta ferramenta puxa outras... Ter um site pessoal não vai agregar valor ao trabalho do médico e a de outros profissionais de Saúde, mas ter um site que seja uma referência na sua especialidade pode resultar em bons negócios. Para atingir seu objetivo comercial, este site deve ser transparente, seu propósito deve estar claro: se é apenas educativo ou se tem fins comerciais na venda de espaço publicitário, produtos, serviços, atenção médica personalizada, assessoria ou aconselhamento.

Também é obrigatória a apresentação dos nomes do responsável, mantenedor e patrocinadores diretos ou indiretos do site. O médico que deseja que seu site seja bem visitado precisa fazer dele uma referência em sua especialidade e, para isso, é importante que esse ambiente virtual seja visualmente agradável, recheado de informações pertinentes e com um back off que o suporte, ou seja, sistemas humanos e materiais de alimentação e continuidade. O site do profissional de Saúde, além de trabalhar para a construção de sua imagem e reputação na Internet, lhe permite ser visto e encontrado por pacientes que de outra forma não chegariam até ele. Estes espaços precisam ser muito bem pensados. Nada mais desanimador do que clicar num link patrocinado e se deparar com sites que parecem que não foram feitos para ser visitados, estão ali apenas para cumprir a “missão obrigatória” de colocar o profissional da Saúde na Internet. Não são mais admissíveis sites visualmente pobres, e em termos de informações, indigentes. São impensáveis sites onde o paciente não consegue, por exemplo, enviar um e-mail para o médico a partir da página que está visitando.

Colocar um site de Saúde no ar é um trabalho para profissionais. E não basta apenas construí-lo e entregá-lo ao cliente. Um site só se torna uma ferramenta útil para um profissional da Saúde quando ele passa a ser um dos meios de relacionamento primordiais com os internautas. Devido à facilidade tecnológica, cada vez é mais fácil criar uma página na web, qualquer pessoa pode criar um site e disponibilizar informações sobre saúde em qualquer lugar do planeta.

A questão não é mais disponibilizar a informação, mas definir a credibilidade do autor e a relevância do que está disponível na Internet. A legislação vigente não consegue disciplinar a dinâmica dessa mídia global em tempo real. A mais efetiva solução até o momento tem se pautado na auto-regulação. Várias organizações sugerem normas e princípios nesse sentido como, por exemplo, a Health on the Net Foundation, a Internet Healthcare Coalition e o Journal of Medical Internet Research, dentre outros, que congregam entre seus pares profissionais da área de medicina, informática, farmácia, dentre outros. No Brasil, o tema segue as diretrizes e os princípios do Conselho Federal de Medicina e dos Conselhos Regionais de Medicina, sob risco do profissional médico incorrer em infração ao Código de Ética Médica.

Informações educativas

As informações médicas veiculadas nos sites médicos devem ser sempre educativas e buscar o esclarecimento da coletividade. O usuário da Internet, na busca de informações, serviços ou produtos de saúde on-line deve deparar-se com transparência; honestidade; qualidade; privacidade; ética médica e responsabilidade. Assim, os médicos estão obrigados a seguir a regulamentação legal no que concerne à publicidade e ao marketing definidos no Manual da Codame, Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos. Poderá ser punido pelo Conselho Regional de Medicina onde está inscrito, o médico que utilizar a Internet para autopromoção no sentido de aumentar sua clientela; fazer concorrência desleal - como promoções no valor de consultas e cirurgias; pleitear exclusividade de métodos diagnósticos ou terapêuticos; fazer propaganda de determinado produto, equipamento ou medicamento, em troca de vantagem econômica oferecida por empresas ou pela indústria farmacêutica.

Também são consideradas infrações éticas graves estimular o sensacionalismo, prometendo cura de doenças para as quais a medicina ainda não possui recursos; e divulgar métodos, meios e práticas experimentais e/ou alternativas que não tenham reconhecimento científico. É também considerado um procedimento antiético a transmissão de cirurgias em tempo real ou não, em sites dirigidos ao público leigo, com a intenção de promover o sensacionalismo e aumentar a visitação ao site. A exceção vale para o uso da Internet em telemedicina, voltada, exclusivamente, à atualização profissional do médico, a exemplo das videoconferências. Reprovada também é a exposição pública de pacientes, através de fotos e imagens, igualmente condenável e passível de punição. Um site médico deve, ainda, esclarecer e advertir o internauta sobre as limitações de cada intervenção ou da interação médica on-line.

Não poderá ocorrer consulta médica via Internet. A informação médica via Internet pode complementar, mas nunca substituir a relação pessoal entre o paciente e o médico. Pelas suas limitações, a Internet não deve ser instrumento para consultas médicas, diagnóstico clínico, prescrição de medicamentos ou tratamento de doenças e problemas de saúde. A consulta pressupõe diálogo, avaliação do estado físico e mental do paciente, sendo necessário aconselhamento pessoal antes e depois de qualquer exame ou procedimento médico. Os usuários devem ser orientados a procurar uma avaliação pessoal com o médico de sua confiança para obter informações mais precisas.

Oportunidades

Os usuários que buscam temas relacionados à medicina – pacientes, profissionais, pesquisadores, empresas, serviços de saúde e demais interessados – devem se unir para criar um ambiente seguro e reforçar o potencial deste veículo na educação e na promoção da saúde. Os profissionais que fazem a comunicação na área da Saúde têm muito a fazer e desenvolver no campo virtual, como, por exemplo, zelar pelo respeito ao internauta, munindo-se de transparência e ética, expurgando os falsos profetas da Saúde, contribuindo, assim, para fomentar um ambiente mais sadio, participativo e menos ameaçador para médicos e pacientes.

*Márcia Wirth é jornalista, especializada no assessoramento de entidades e profissionais da área da saúde. Dirige a Excelência em Comunicação na Saúde. Fale com ela: [email protected].



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