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Rouba namorado

Rouba namorado

09/10/2008 Divulgação

Hoje estou realmente feliz. Passados meses em aflição medonha, finalmente respiro aliviada. É dureza quando uma amiga deixa de dirigir a palavra por alguma desavença. É bom ter a amiga de volta, quanto mais se for sua própria irmã. O motivo da encrenca foi achar que eu estava dando em cima do namorado.

Se os que perseguem a beleza, soubessem que ela também tem seus inconvenientes, pensariam duas vezes em desejar agarrá-la. Pode parecer presunção dizer que sou bela, mas é como a criança que é chamada de burra, de tanto lhe rotularem, ela passa acreditar que é. Longe de reclamar de minha aparência, estou satisfeita. Claro, sem deixar de lado as imperfeições que toda adolescente acreditar ter. 

A sina me persegue há um bom tempo. Em 1987, morando em Bangu, junto a minha irmã, eu com nove anos de idade, é que me apareceu a primeira situação constrangedora. Minha irmã tinha suas amigas, e eu como era a caçula da família, superprotegida, vivia a acompanhá-la nas rodas de bate-papo. Confesso que o papo me agradava. Pirralha, eu queria me afirmar, e como as circunstâncias me favoreciam, lá estava eu partilhando de assuntos acima de minha idade. Éramos muito amigas. 

O clima esquentou a partir da chegada de três irmãos. A amiga mais velha de minha irmã, 18 anos, na época estava namorando um cara legal. Nem sei por que terminaram. O fato é que como ele puxava papo com minha irmã e comigo, a gente passou a ser colegas. Algumas vezes quando minha irmã tinha que atender ao chamado de minha mãe lá dentro de casa, eu e ele ficávamos a prosear. A empolgação que sentia com nosso papo o levava a partilhar o assunto com sua namorada, o que provocou um ciúme. Ela tinha ciúme porque ele gostava de conversar comigo, e quando brigava com ela, vinha me pedir conselho, pode? 

Óbvio que não foi por isso que ela terminou com ele. Ora, menina de 9 anos não tem tanto poder. Nem eu queria. Dos três irmãos, ela se apaixonou pelo mais velho. Veja só, o cara também adorava conversar comigo. Por isso, ela me chamou, ainda que brincando, rouba namorado. 

O que eles viam em mim? “Sei lá, você é meiga, compreensiva. Parece mais madura que sua idade exige, eu sinto confiança em te falar certos assuntos. Tá, teu rosto lindo, esses olhos... ajudam. Mas não me interprete mal, não sou papa-anjo. É que não consigo definir a prazer que sinto ao seu lado”. Foi justamente o irmão mais velho que falou assim, poucos dias antes de terminar com a amiga de minha irmã. Dois ex-namorados dela que viviam no meu pé. 

Quando eu estava no colegial, bateu uma depressão. Essa habilidade para confortar as pessoas, e por coincidência namorados e ex-namorados de amigas. Por fim, no segundo ano colegial encontrei meu primeiro e atual namorado. Ciumento, me impede de falar com os carinhas além da conta. Aconteceu só de o namorado de minha irmã meses atrás passar por momentos difíceis e sentir segurança em se aconselhar comigo. Eis a causa da desconfiança dela, e que agora se resolveu. Basta por hoje, amanhã levanto cedo. Tenho prova de teoria psicanalítica. De Bangu para a UERJ é uma puxada. Mas adoro a faculdade de Psicologia. 

*Cronista, romancista e contista, escreve para o jornal semanalmente. Site www.ronaldoduran.com 



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