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Saúde mental perinatal

Saúde mental perinatal

19/11/2017 Aline Rodrigues

Depois que uma mulher recebe o resultado de um exame de gravidez positivo, sua vida muda.

Independente do desenvolver da função materna, se acontecerá de forma positiva ou negativa, tudo muda. E esta mudança mexe muito com a estrutura psíquica das mulheres, podendo provocar, também, o desenvolvimento de doenças psiquiátricas, como a depressão pós-parto.

Cada gestação é única, por isso, mesmo que uma mulher já esteja em sua terceira gestação, ela poderá desenvolver esse transtorno psicológico, mesmo não tendo passado por essa experiência nas gestações anteriores, pois a gestação e o nascimento são eventos marcados por fatores sociocultural, econômico, biológico e psicológico, durante os quais, sentimentos e projeções são vividos intensamente.

O não ter domínio sobre o corpo, que cresce e se transforma, e a anulação de suas vontades e desejos em favor do filho que depende, nesse momento, exclusivamente da mãe, são fatores que, associados às alterações hormonais, potencializam o desenvolvimento de um quadro depressivo. Esse transtorno tem aumentado sua prevalência de forma vertiginosa no Brasil.

Em abril de 2016, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) publicou uma pesquisa sobre o aumento de depressão pós-parto no Brasil, realizada pela pesquisadora Mariza Theme. O resultado aponta a seguinte estatística: uma a cada quatro mulheres apresentaram algum transtorno mental, em sua maioria depressão, no período pós-parto. Um número acima do estimado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Como identificar um quadro de depressão pós-parto? Seguem alguns sintomas: alteração do humor, falta de esperança, perda do prazer na realização de atividades que, anteriormente, eram prazerosas, aumento da ansiedade, sentimento de solidão, tristeza, culpa e descontentamento de modo geral. Tudo isso gera inquietação, choro, irritabilidade, pensamentos indesejados, falta de concentração, fadiga corporal e, por vezes, insônia e pesadelo.

Todos estes sintomas não aparecem sozinhos. São resultados de angústias e tensões, diante do novo que se inaugura em sua vida e da queda de alguns hormônios. Com o nascimento do bebê, a mãe tem uma queda brusca do estrogênio e da progesterona, ambos hormônios que estão diretamente ligados à regulação de humor. Portanto, a queda desses pode provocar um quadro depressivo.

Todas as mulheres passam por essas alterações hormonais e, muitas vezes, mesmo apresentando alguns dos sintomas citados, conseguem encarar tudo isso de forma mais tranquila, mais leve. No entanto, aquelas que anteriormente apresentaram depressão em algum momento da vida, que não planejaram a gravidez, vivem de forma desconfortável este novo, rejeitam a gestação por enxergarem a gravidez como uma deformação corporal, entre tantas outras situações, como uma fase de desemprego, de dificuldade financeira, potencializam o surgimento de um quadro depressivo.

Como as mulheres de hoje estão mais exigentes e sofrem com as imposições da sociedade, essas tensões internas têm favorecido o aumento da depressão pós-parto. No entanto, assumir este grau de vulnerabilidade e instabilidade emocional no contexto social feminino de hoje é para muitas mulheres demonstrar fraqueza.

Não reconhecer os limites, que neste caso são psíquicos e orgânicos, provoca a piora do quadro. Procurar ajuda especializada auxiliará na vivência de todos esses processos de forma mais saudável. Não se trata de loucura ou fraqueza, mas de um olhar cuidadoso para uma pessoa que sofre no corpo e na mente as transformações de uma nova etapa da vida.

* Aline Rodrigues é psicóloga, especialista em saúde mental, e missionária da Comunidade Canção Nova.



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