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Tática

Tática

01/02/2014 Marco Aurélio Marinho de Melo

"Tática" é um relato sobre como o verdadeiro amor pode acontecer em qualquer lugar e sem hora marcada. Prova, acima de tudo, que não é necessário estratégias para alcançá-lo.

“Celina”. Foi assim que ela disse o próprio nome. Assim com qualquer pessoa diz quando se apresenta. “Celina?” . Eu repeti. Não que ele fosse estranho e eu não tivesse entendido. Isso seria feio. O que estava acontecendo naquele momento era muitas coisas, de menos, feio. De certo modo, queria sentir novamente tal coisa quando ela pronunciou as letras C-E-L-I-N-A.

Estendi minha mão para cumprimentá-la. Afinal, estava curioso para saber o que mais aconteceria ao tocá-la. Estupidamente, eu ainda disse: "Celina com “C” ou “S”?". De qualquer forma, ela riu. Envergonhada, olhou para baixo e fingiu ler. Encontrou conforto em seu livro. Não notei nenhum olhar com o canto do olho, mas pude sentir que ela estava esperando que eu continuasse a conversa. Ou talvez, fosse eu imaginando uma cena de filme em minha mente.

Então, foi a partir dali que tudo mudou. Pois é, não foi nenhuma cena de filme. Foi algo sincero. Ao contrário do que julgava até o momento, ela estava apenas terminando de ler o capítulo de um livro chamado “lições da vida”, assim como qualquer pessoa faria para não perder a linha de raciocínio. Depois, então, ela se voltou para mim novamente e disparou a falar. Mostrou-se também uma bela ouvinte, e o melhor de tudo: o motivo dela saber escutar não era porque ela queria ser gentil.

Ela ouvia bem porque simplesmente queria ouvir o que eu tinha a dizer. No entanto, o que mais me surpreendeu foi que, depois de um tempo, eu fiquei completamente calado. Logo eu, que sempre tenho algo a dizer, fiquei calado. Durante a conversa, meus momentos preferidos eram exatamente estes. Quando ela parava para me ouvir, e eu ficava calado. Porque, pela primeira vez, ao invés de eu usar esses silêncios de conversa para pensar em algo inteligente para dizer (como sempre faço), e assim, agradá-la, eu simplesmente a observava.

Olhar para ela era como enxergar o seu coração, pois, sinceramente, ela era ingênua demais para protegê-lo e escondê-lo. Ela: cabelo arrepiado e roupa amarrotada do colégio. Eu: cara de trabalho e roupa suada. Contudo, era só isso, um mero detalhe do destino. Para falar a verdade, acredito que ambos estávamos tão próximos no pequeno espaço que estabelecemos ficar, que não havia espaço para se preocupar em se proteger sentimentalmente e fisicamente.

Nós apenas éramos o melhor de nós e não sabíamos disso. Confesso que, quando sentei ao lado dela (antes de ouvir ela dizer “Celina”), achei que havia usado a minha melhor tática: como um bom vendedor de livros, eu havia dito: “Oi, posso te ajudar?”. No final, todas as táticas sumiram. O segredo era não saber qual era o segredo. Para atingir determinado fim, era preciso apenas saber que ele não existia. Ou pelo menos fingir que não. Porque, na verdade, o fim seria a soma de todos os momentos. Momentos como esse. O fim seria realmente o Fim se eu não houvesse percebido a importância das junções.



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