Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Todas as Saudades

Todas as Saudades

30/07/2019 Luiz Carlos Amorim

O título desta crônica deveria ser “Todas as Saudades”.

Mas um de meus livros mais recentes, “Portugal, Minha Saudade”, que reúne crônicas que falam de várias saudades diferentes, inclusive saudades do Brasil em Portugal e saudades de Portugal no Brasil, também merece este nome.

Estou morando agora em Lisboa, então a propósito da tarde de autógrafos desse livro na Feira do Livro da capital portuguesa, reporto-me a ele.

Então, começo mudando o título da crônica e, quem sabe, na segunda edição do meu livro, mudo também o título dele? Ou, pelo menos, adiciono um subtítulo.

E vamos falar de saudades. Quanta saudade cabe em um dia? Ouvi isso, outro dia, em um comercial e fiquei pensando a respeito.

Lembrei da nossa pinscher Xuxu, que quando a gente saía, ficava o dia inteiro no portão, sentada perto da grade da garagem, esperando a gente. Podia estar frio, ela podia estar com fome ou com sede, mas não arredava pé.

Minha mãe ficava admirada com isso, quando ficava em casa para cuidar dela. Quando a gente chegava, era uma festa só, com latidos, correrias, lambidas, etc.

Dá pra medir a quantidade da saudade que se sente? Tenho saudades de lugares, de coisas que vivi, mas tenho mais saudades de pessoas.

E também pergunto: quanta saudade cabe em um dia, em uma semana, em um mês, em um ano, em uma vida?

Tenho saudades da minha filharada, que cresceu e foi embora e deixou uma casa enorme para trás, que insiste em me lembrar que minhas meninas não são mais crianças, que agora têm as próprias casas, tão longe da nossa.

Tenho saudades da nossa primeira filha, Vanessa, que chegou, há muitas primaveras, e logo se foi, tão rápido. Mas dói como se tivesse sido ontem, embora a saudade se acumule há muitos, muitos anos.

Tenho saudades dos meus irmãos, mais dos que já se foram, tenho saudades da minhas avós, dos meus avôs, de amigos queridos que foram conhecer o outro lado da vida ou estão muito longe para que possamos vê-los e abraçá-los.

Tenho saudades de mim, da criança que fui, em tempos idos. Tenho saudades de meus outros eus. Preferia, às vezes, não ter saudades, mas a saudade é a prova maior de que vivemos bons momentos, de que fomos felizes. De maneira que quanto mais saudades temos, tanto mais felizes temos sido ou estamos sendo.

Tenho saudades até de quem nunca conheci pessoalmente, como de Quintana. E agora, mais uma saudade chegando: o neto Rio chegou e, daqui a alguns meses vamos de volta para o Brasil e vamos ficar longe dele. Saudade que vem.

Então que venha a saudade, que sempre cabe mais uma pequena felicidade nas nossas vidas, até uma felicidade bem grande, muito grande, que vai acabar se transformando em uma enorme saudade.

* Luiz Carlos Amorim é escritor, editor e revisor, Cadeira 19 na Academia Sul Brasileira de Letras, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 39 anos de trajetória.

Fonte: Luiz Carlos Amorim



O Pronto Atendimento e o desafio do acolhimento na saúde

O trabalho dentro de um hospital é complexo devido a diversas camadas de atendimento que são necessárias para abranger as necessidades de todos os pacientes.

Autor: José Arthur Brasil


Como melhorar a segurança na movimentação de cargas na construção civil?

O setor da construção civil é um dos mais importantes para a economia do país e tem impacto direto na geração de empregos.

Autor: Fernando Fuertes


As restrições eleitorais contra uso da máquina pública

Estamos em contagem regressiva. As eleições municipais de 2024 ocorrerão no dia 6 de outubro, em todas as cidades do país.

Autor: Wilson Pedroso


Filosofia na calçada

As cidades do interior de Minas, e penso que de outros estados também, nos proporcionam oportunidades de conviver com as pessoas em muitas situações comuns que, no entanto, revelam suas características e personalidades.

Autor: Antônio Marcos Ferreira


Onde começam os juros abusivos?

A imagem do brasileiro se sustenta em valores positivos, mas, infelizmente, também negativos.

Autor: Matheus Bessa


O futuro da indústria 5.0 na sociedade

O conceito de Indústria 5.0 é definido como uma visão humanizada das transformações tecnológicas no setor, equilibrando as necessidades atuais e futuras dos trabalhadores e da sociedade com a otimização sustentável do consumo de energia, processamento de materiais e ciclos de vida dos produtos.

Autor: Pedro Okuhara


Em defesa do SUS: um chamado à ação coletiva

A escassez de recursos na saúde pública brasileira é um problema crônico.

Autor: Juliano Gasparetto


Impactos da proibição do fenol pela Anvisa no mercado de cosméticos e manipulação

Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tomou a decisão de proibir a venda e o uso de produtos à base de fenol em procedimentos de saúde e estéticos.

Autor: Claudia de Lucca Mano


A fantasia em torno da descriminalização da maconha

"As drogas pisoteiam a dignidade humana. A redução da dependência de drogas não é alcançada pela legalização do uso de drogas, como algumas pessoas têm proposto ou alguns países já implementaram. Isso é uma fantasia".

Autor: Wilson Pedroso


Ativismo judicial: o risco de um estado judicialesco

Um Estado policialesco pode ser definido como sendo um estado que utiliza da força, da vigilância e da coerção exacerbada contra a população, principalmente com seus opositores.

Autor: Bady Curi Neto


Abortada a importação do arroz

O governo desistiu de importar arroz para fazer frente à suposta escassez do produto e alta de preços decorrentes das cheias do Rio Grande do Sul, responsável por 70% do cereal consumido pelos brasileiros.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


2024, um ano de frustração anunciada

O povo brasileiro é otimista por natureza.

Autor: Samuel Hanan