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Turismo sucateado

Turismo sucateado

05/08/2011

O turismo mundial cresce, a cada ano, na esteira da competitividade do setor, da ampliação dos nichos turísticos de cada país e,sobretudo, da melhoria dos sistemas de emissão e recepção de turistas.

Se essa tem sido a tendência internacional, o Brasil mostra que sua locomotiva turística ainda é a velha maria-fumaça, movida a lenha. Basta ver os números. O País representa cerca de 4% a 5% do PIB global, mas fica com apenas 0,7% das receitas geradas pelo setor turístico em todo o mundo. O movimento de turistas estrangeiros no Brasil permanece praticamente estagnado há uma década, diante de um crescimento mundial acumulado na faixa de 40%. Recebemos cerca de 5 milhões de turistas estrangeiros ao ano, pouco mais de 0,5% do total do planeta. Se compararmos com os líderes, a diferença é absurda: França, 76 milhões; EUA, 59,7 milhões; China, 55,7 milhões; Espanha, 52,7 milhões; e Itália, 43,6 milhões de visitantes. Esse desempenho preocupa bastante, porque está muito abaixo do que se pode esperar de um país com tantas condições favoráveis: natureza exuberante, cultura rica, diversidade étnica, culinária espetacular, povo acolhedor.

Deveríamos apresentar resultados mais expressivos, empregar mais e investir mais. Em 2010, esse mercado movimentou quase US$ 1 trilhão no mundo. O Brasil recolheu míseros US$ 6 bilhões. Pior ainda: os brasileiros que viajaram para o exterior gastaram US$ 16 bilhões. Registramos um déficit de US$ 10bilhões, que significa algo como 16 mil empregos que perdemos aqui e"exportamos" para outros países. Segundo o Fórum Econômico Mundial, este ano o Brasil caiu da45.ª para a 52.ª posição no ranking de competitividade em turismo (e ocupa só o7.º lugar nas Américas). É interessante notar que nosso país lidera a pontuação no que se refere a recursos naturais, é o 23.º em recursos culturais e o 29.º em sustentabilidade ambiental. Nosso atraso mostra que ainda nos encontramos na fase da infância neste setor da economia.

O câmbio supervalorizado estimula as viagens de brasileiros para o exterior, mais baratas, e atrapalha a vinda de estrangeiros. O real é,hoje, uma das moedas mais valorizadas do planeta, por causa das estratosféricas taxas de juros, que atraem o capital externo em busca de lucros fáceis. Se tivéssemos abundância de capitais aos juros que americanos e europeus têm, daríamos de 10 a 0 nas empresas deles. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social(BNDES) se enreda numa burocracia exagerada que termina por tornar praticamente inviável qualquer tentativa de obtenção de crédito. Basta lembrar que hoje há1.280 hotéis em construção no Brasil, sem a participação de recursos públicos. Outra questão dramática é a carga tributária. Hotelaria e turismo detêm a incrível marca de mais de 40 itens de tributos. Falta-nos uma infraestrutura moderna. Não têm sido feitos os investimentos necessários em estradas, ferrovias, portos, aeroportos, energia, transporte urbano e saneamento.

Aliás, não fossem os gargalos nos transportes, especialmente aeroportos, o País poderia dobrar o número de turistas estrangeiros. Enfrentamos a carência de mão de obra qualificada. É preciso formar trabalhadores para o setor turístico e hoteleiro, capazes de receber melhor, atender melhor, conhecer outras línguas e proporcionar ao turista estrangeiro a satisfação que ele espera quando escolhe seu destino. Nas últimas duas décadas o Brasil deu importantes passos, a partir da estabilização econômica, da liberalização do mercado e da desestatização de áreas que encontraram melhor desempenho sob gestão privada (como telecomunicações, rodovias e, agora, aeroportos, que começam a entrar no regime de concessão). Mas ainda há muito por realizar. A sociedade civil, por sua vez, tem de se organizar e valorizar o setor turístico como fonte de riqueza e desenvolvimento.

Julio Serson é presidente do Grupo Serson,vice-presidente de Relações Institucionais do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), Foi presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de São Paulo (ABIH-SP).

 

 



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