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Uma vida juntos

Uma vida juntos

01/07/2008 Divulgação

De repente acontece. A pessoa parte. Uma vida inteira juntos. É, você aí e eu aqui. Por muitos anos vivemos assim como agora, rodeados de gente. Tendo que dividir nossa vida a dois com o público. Nos momentos em que me sentia sufocado, perdido na multidão, querendo sair correndo, fugir, bastava meus olhos encontrarem os seus, e numa cumplicidade, eu achar um refúgio, uma fonte para recarregar a bateria e voltar ao labor.

O ex-presidente afagava a testa da sua primeira dama no esquife. O alvoreço dos fotógrafos, dos tititis, da algazarra ao redor nada o abalava em sua inércia contemplativa. De pé, por horas permanecia.

Lembro-me das primeiras falas tuas: “se é seu sonho lutar por um país melhor, derrubar a opressora ditadura... Não desista. Eu estarei do teu lado”. Era início de relacionamento, e costuma-se fazer promessas muitas vezes inviáveis no transcurso da relação. Para minha sorte, a promessa durou todo esse tempo. Não saberia precisar tudo o que passava na tua cabeça quando morando lá em Paris. Discussões nós tivemos, como qualquer casal, mas nunca percebi de você desânimo. Nem mesmo quando os filhos vieram e minha rotina ausente lhe cumulava de obrigações.

A época em que fui banido do país. Que dificuldade. Paris, aulas. Um paraíso? Nem tanto. Qualquer um que se veja privado de permanecer em sua terra amarga dissabores, sofrimento inenarrável. Você, minha heroína, que não deixava a chama da esperança ser atingida pelo aguaceiro da tirania dos militares. Lá, procuramos evoluir como pudemos.

Ciúmes? Umas vezes senti na pele seus ciúmes. E outras tantas você teve que tolerar os meus. Várias vezes eu mencionei, e reforço agora: toda vez que eu partia de casa, e te beijava e dizia até mais, logo que chegava ao hotel, por vezes ainda durante a viagem, sentia um remorso de te deixar, de me apartar de ti. Queria que fosse possível estarmos o maior tempo juntos. Balela? Não é. Sempre quis você do meu lado.

Hoje me sinto perdido. Como entender a existência sem você? Temos nossos filhos crescidos, netos, uma grande família. Eles são uns amores de pessoas. Contudo o que eu faço com esse sentimento de nulidade diante de você aí deitada, petrificada. Por que não fomos juntos, como no filme O Homem Bicentenário?

Pela primeira vez queria estar junto com você. Sem a imprensa, sem amigos, sem estrelas, sem paparazzi. Eu e você. Lembra-se, essa também fora sua queixa por anos a fio e eu procurando contornar o inconveniente da mídia dizendo “mais tarde teremos nossa hora a sós”. Talvez fosse o que você me dissesse agora: quando as luzes dos refletores apagarem, voltaremos a nossa privacidade. E trocaremos impressões.

O ex-presidente sacudiu a cabeça como para reprimiu um sorriso de confidência diante da esposa falecida.

Cumprirei a promessa, se lembra? De que quem fosse primeiro estivesse sossegado, pois aquele que ficasse cuidaria da família? Sem tentar suicídio nem mergulhar na depressão. Somos uma família, e todos dependem de todos.

Os olhos rasos d’água mostravam que era hora de o ex-presidente, homem também de carne e osso, retirar-se. E o fez com dignidade.

*Ronaldo Duran, escritor, autor de romances. Acesso o autor no Google.



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