Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Vacina, esperança com prudência

Vacina, esperança com prudência

07/09/2020 Roberto Rohregger

A humanidade já passou no decorrer da história vários períodos em que surtos de novas doenças causaram uma quantidade enorme de vítimas.

Desde a primeira grande pandemia que temos registro, a peste negra, que ocorreu no período de 1347 a 1351 e que matou em torno de 75 milhões de pessoas, até a epidemia da AIDS, com outros milhões de mortes.

De forma geral, nestes momentos temos um quadro de eventos que normalmente a sociedade e governos não estão preparados para tratar, e normalmente a resposta a estas epidemias são lentas, causando pânico entre a população.

Estamos vivendo uma nova pandemia, apesar de vários avisos de ocorrências em um passado recente, como o Ebola.

O mundo ainda não está totalmente preparado para o combate a estes acontecimentos, e, é fato que neste período extenso de quarentena e de severas medidas sanitárias, com a economia profundamente afetada, a população está ficando cansada e insegura.

Aliado a estes fatores, ainda temos uma certa politização da pandemia com informações conflitantes ente governos, cientistas e muitas fake news, contribuindo ainda mais para um quadro de confusão em relação aos procedimentos, e cuidados.

Neste momento, a maior esperança que se tem propagado é do desenvolvimento de uma vacina, que seria uma grande vitória.

Várias instituições no mundo inteiro estão pesquisando o desenvolvimento de uma vacina, a partir de diversas concepções, e algumas encontram-se em um estágio bastante avançado.

A última e inesperada novidade é a vacina desenvolvida na Rússia e anunciada num clima de vitória por Wladimir Putin.

Esta notícia, porém, foi recebida com muita cautela por toda a comunidade científica, primeiro por não haver nenhuma publicação de estudos consistentes sobre o desenvolvimento da vacina e, pela falta de transparência com relação aos testes efetuados para a aprovação.

O risco nisto tudo é que, também o desenvolvimento de uma vacina possa ser politizado, e neste caso a pesquisa não siga os rígidos preceitos necessários, desde o seu desenho até a fase final com a devida comprovação de sua eficácia, afinal uma vacina além de comprovadamente eficiente contra o vírus, também tem que garantir que não haja efeitos colaterais que possam ser piores que o bem que promete.

Neste momento é preciso ter prudência tanto na divulgação de uma efetiva cura, quanto ao tempo em que uma vacina possa ser disponibilizada para a sociedade, visando não gerar falsas expectativas e assim vir a tornar-se mais um empecilho em relação a manutenção dos cuidados de prevenção ao contágio.

Na concepção clássica das virtudes, a prudência sempre foi considerada uma das mais importantes, como afirma Tomás de Aquino, na Suma Teológica, “é a principal em uma ordem superior, é a mãe das virtudes”.

Na contemporaneidade, o filósofo Hans Jonas afirma no livro Técnica, Medicina e Ética que, “a cautela se converteu em virtude superior, perante a qual retrocede o valor da ousadia, melhor ainda, esta se transforma inclusive no valor da irresponsabilidade”, desta forma é preciso exigir que governos atuem com prudência, obedecendo os preceitos necessários de testes e de segurança, haja visto que um dos preceitos da bioética é o princípio da não-maleficência.

Deve-se garantir que um procedimento além de promover o bem, também garanta que não haverá efeitos negativos, que signifique riscos para a saúde dos indivíduos.

A vacina é uma ótima notícia, mas deve ser encarada de forma realista, e os governos devem agir de forma transparente, informando a sociedade, e submetendo-se aos necessários rigores da ciência.

* Roberto Rohregger é teólogo e mestre em Bioética.

Fonte: Página 1 Comunicação



Anedotas com pouca graça

Uma anedota, de vez enquanto, cai sempre bem; como o sal serve para temperar a comida, a anedota também adoça a conversa ou o texto.


Cada um no seu quadrado e todos produzindo…

Muito oportunas as observações do Prof. Ary Oswaldo Mattos Filho, de que em vez dos simples projetos que visam reforçar o caixa da União – como a alteração no Imposto de Renda ora em tramitação pelo Congresso – o país carece de uma verdadeira reforma tributária onde fiquem bem definidos os direitos e obrigações da União, Estados e Municípios.


Você já respirou hoje?

Diagnóstico e tratamento corretos salvam vidas na fibrose cística.


Jogos para enfrentar a crise

O mundo do trabalho nunca mais será o mesmo.


O trabalho de alta performance no Hipismo

O que os atletas precisam para o desempenho perfeito em uma competição? Além do treinamento e esforços diários, eles precisam estar em perfeita sintonia com o corpo e a mente.


Bons médicos vêm do berço

Faz décadas assistimos a abertura desenfreada de novas escolas médicas, sem condição de oferecer formação minimamente digna e honesta.


Wellness tech e a importância da saúde mental dentro das organizações

A pandemia de covid-19 impactou a vida de todos nós, pessoal e profissionalmente.


Manifestações do TDAH

Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade em adultos e crianças.


Cuidar da saúde mental do colaborador é fator de destaque e lucratividade para empresa

O Setembro Amarelo é uma campanha nacional de prevenção ao suicídio, mas que coloca em evidência toda a temática da saúde mental.


Setembro Amarelo: a diferença entre ouvir e escutar

Acender um alerta na sociedade para salvar vidas quando se fala em prevenção ao suicídio é tão complexo quanto o comportamento de uma pessoa com a intenção de tirar a própria vida.


Desafios para a Retomada Econômica

A divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre mostrou uma leve retração da atividade produtiva de 0,1% em relação ao trimestre imediatamente anterior.


Setembro Amarelo: é preciso praticar o amor ao próximo

Um domingo ensolarado é um dia perfeito para exercitar a felicidade, passear no parque, levar as crianças na piscina ou encontrar os amigos com seus sorrisos largos e escancarados.