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Estudo indica que cuidadores sem formação são vulneráveis

Estudo indica que cuidadores sem formação são vulneráveis

30/05/2019 Divulgação

Estudo comparou cuidadores formais e informais e revela que aqueles sem formação são mais vulneráveis.

Estudo indica que cuidadores sem formação são vulneráveis

Uma pesquisa de mestrado desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Gerontologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) aponta, entre outros resultados, que cuidadores de idosos informais, como familiares, sofrem mais sobrecarga do que os cuidadores formais (profissionais). O estudo foi realizado com 111 voluntários - 60 cuidadores informais e 51 formais (com curso de cuidador ou formação Superior ou Técnica em Enfermagem).

A pesquisa, que está sendo finalizada, foi conduzida pelo mestrando Madson Maximiano-Barreto e pela graduanda Amanda Moura, sob orientação de Marcos Hortes Chagas, professor do Departamento de Gerontologia da UFSCar, e co-orientação de Bruna Moretti Luchesi, docente da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

O objetivo inicial foi analisar a relação entre empatia, atitude implícita e sobrecarga de cuidadores de idosos, formais e informais. A empatia se refere à capacidade do indivíduo de se colocar no lugar do outro e de compreender suas emoções. As atitudes implícitas são aquelas tomadas inconscientemente, baseadas em sentimentos, emoções ou crenças do sujeito. Nesse contexto, os voluntários responderam a questionários sobre sintomas depressivos e neuropsiquiátricos, empatia e dependência funcional dos idosos. Além disso, também passaram por teste em computador para identificar a preferência implícita dos cuidadores entre jovem e idoso.

Os resultados indicam alta prevalência de indivíduos do sexo feminino na função de cuidadores e, na sua maioria, filhos dos idosos cuidados. A pesquisa identificou que, entre os voluntários, os cuidadores informais são os que apresentam maior sobrecarga, mais sintomas depressivos e neuropsiquiátricos, além do fato de que os idosos cuidados por eles têm maior dependência funcional se comparados aos idosos cuidados pelos profissionais.

"Identificamos também que a empatia está relacionada com a sobrecarga, sintomas depressivos e neuropsiquiátricos. Ou seja, quanto mais empatia, maior a ocorrência de prejuízos mentais nos cuidadores de idosos", complementa Maximiano-Barreto. Ainda no que se refere à empatia, o pesquisador destaca que geralmente há uma relação familiar entre os cuidadores informais e os idosos, o que, possivelmente, tem determinado o alto nível de empatia entre esses cuidadores quando comparados aos profissionais.

O mestrando lembra que o número de idosos tem aumentado, concomitantemente, à ocorrência de patologias que levam esse público a depender de um cuidador. "O cuidador tem um papel importante no que concerne à qualidade de vida dos idosos. No entanto, a prática diária de cuidar tem consequências como a sobrecarga, que causa prejuízos físicos e psicológicos", reforça o ele.

A partir da importância do papel do cuidador, Maximiano-Barreto acredita que o mais adequado é inserir cuidadores com formação para cuidar de idosos. "É importante pensar em políticas públicas de assistência aos idosos, com o intuito de fornecer para essa população profissionais capacitados, uma vez que os cuidadores formais são teórica e tecnicamente preparados para prestar assistência dentro da complexidade que é apresentada no envelhecimento acompanhado de alguma doença", defende o pesquisador. Além disso, para ele é importante oferecer atividades com o objetivo de auxiliar no controle emocional dos cuidadores, em especial os familiares, que sofrem com maior nível de sobrecarga e sintomas depressivos.

Fonte: CCS-UFSCar



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