Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Obesidade, vícios e prazeres: o que eles têm em comum?

Obesidade, vícios e prazeres: o que eles têm em comum?

21/06/2019 Dr. Renato Falci Júnior

Quem já tentou emagrecer conhece a enorme dificuldade para chegar ao peso desejado.

A obesidade é, sem dúvidas, um grave problema de saúde individual e coletiva neste século. Em 2025, o mundo terá mais de 700 milhões de adultos obesos[1].

No Brasil, hoje, mais de 50% da população adulta está acima do peso e um quinto dos adultos está com obesidade[2]. 

Até hoje, os mecanismos envolvidos no ganho de peso descontrolado eram pouco claros. Temos percebido o fracasso da maioria das dietas e os resultados insatisfatórios das terapias mais agressivas, como a cirurgia bariátrica.

Segundo a Universidade da Califórnia, indivíduos que se submetem a dieta para emagrecer por seis meses perdem apenas 5% a 10% do seu peso inicial, e, nos anos subsequentes, dois terços deles, ganham mais peso do que perderam[3].

No entanto, a neurociência parece que nos dá uma luz para entender melhor esse grande problema e um caminho para enfrentar a dificuldade para emagrecer.

O estudo do comportamento humano frente aos vícios teve início em meados do século passado. Por décadas, atribuiu-se esse mecanismo de repetição descontrolada de um ato prazeroso a um grupo de pessoas consideradas de personalidade fraca ou de formação moral incompleta.

Tempos depois, por meio do uso da neuroimagem funcional, que é um método de imagem que permite mapear as áreas cerebrais ativadas em determinados comportamentos, a ciência descobriu que o cérebro humano processa de forma semelhante praticamente todas as formas de prazer.

Independentemente de o prazer ser originado por ingestão de uma substância química (drogas), recompensa financeira, encontro sexual, jogos, compras, pornografia, ingestão de uma refeição ou outra fonte qualquer, ocorre liberação de dopamina – uma substância química que transmite informação aos neurônios – no núcleo acumbente, que é uma pequena região no cérebro responsável pelo prazer. Este núcleo é tão específico para essa atividade que é conhecido como núcleo do prazer.

Uma vez estimulado o núcleo do prazer, independentemente do fator gerador, ocorre a ativação de outros dois centros no cérebro: um centro que memoriza o prazer (hippocampus) e outro que associa o prazer a seu ato gerador, induzindo a sua repetição (amigdala).

Portanto, ao experimentar uma sensação de prazer, o cérebro, além de memorizá-la, armazena a forma como ela foi obtida, fixando uma tendência comportamental para repeti-la. É como se o cérebro montasse uma armadilha para que o indivíduo repita incansavelmente o ato prazeroso[4].

Tudo isso funciona muito bem – e é essencial para a sobrevivência do ser humano – até o momento em que o ato que desencadeia a sensação de prazer possa ser repetido de forma fácil ou pouco custosa para o organismo.

Nesta situação, ou ainda quando é induzido por algumas substâncias químicas como as drogas, o cérebro é capaz de fazer uma autorregulação na região do prazer, diminuindo o efeito da “substância do prazer”, a dopamina. Ou seja, o cérebro humano passa a ficar mais resistente ao efeito prazeroso desencadeado por determinado estímulo.

Com isso, as demais regiões encarregadas em repetir o ato gerador do estímulo se hiperativam na tentativa de gerar o mesmo resultado. Nesse momento, o mecanismo de vício está instalado.

O mesmo cigarro fumado, o mesmo dinheiro ganho ou o mesmo pedaço de bolo não serão mais capazes de gerar o mesmo nível de prazer ao cérebro humano que eles geravam no início. Ele quer mais.

A distância entre o ato de prazer e o vício é variável e depende de uma série de fatores como predisposição genética, atos ou substâncias indutoras e capacidade de controle.

A facilidade de repetição do ato parece ter papel fundamental, e isso é facilmente observado na alimentação. A ingestão de alimentos sempre gerou essa recompensa no cérebro.

Ocorre que, no passado, a obtenção de alimento era acompanhada de grande gasto de energia, o que dificultava sua repetição frequente. Com o avanço tecnológico, a comida tornou-se barata e de fácil obtenção, favorecendo e aumentando exponencialmente a incidência de obesidade.

O que nos resta, até que se descubra uma forma de mudar essa dinâmica, é treinarmos, desde pequenos, a conter essa aparente tendência do comportamento humano.

No caso específico da prevenção da obesidade, à luz dessas novas evidências, abre-se um caminho para o controle do ganho de peso, que consiste em cortar esse ciclo gerador de prazer, exatamente no momento em que percebemos a tendência ao vício em comida.

Ter o hábito cotidiano de se alimentar com moderação, frente a esse novo achado científico, surge como um mecanismo, embora aparentemente desagradável, promissor no controle da obesidade.

* Dr. Renato Falci Júnior é urologista e membro do comitê científico do Instituto Lado a Lado pela Vida.

[1] Organização Mundial da Saúde (OMS)

[2] Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica.

[3] Dieting does not work. UCLA researchers report, 2007.

[4] How addiction hijacks the brain. Harvard Health Publishing, Harvard Medical School, 2011.

Fonte: Imprensa - Instituto Lado a Lado



Adolescentes mais pobres estão mais obesos, mas ainda desnutridos

Pesquisa da Fiocruz é a primeira no Brasil que observa fatores socioeconômicos associados a desnutrição e obesidade

Adolescentes mais pobres estão mais obesos, mas ainda desnutridos

Inverno também requer cuidados contra a dengue

Dias mais frios devem ser usados para acabar com criadouros

Inverno também requer cuidados contra a dengue

Não esqueça de beber água durante o inverno

A falta da ingestão de água pode gerar insuficiência renal aguda ou crônica

Não esqueça de beber água durante o inverno

Músculos podem causar zumbido? 

A questão foi assunto de reunião do GIPZ em julho.


Maquiagem também pode causar alergia

A maquiagem e os cosméticos em geral podem ser responsáveis por desencadear a dermatite de contato.

Maquiagem também pode causar alergia

Programa Mais Médicos abre inscrições para a 2ª fase

Inscrições ao programa podem ser feitas entre os dias 8 e 12 de julho

Programa Mais Médicos abre inscrições para a 2ª fase

A cistite afeta tanto as mulheres como aos homens

A cistite é uma inflamação da mucosa da bexiga e pode acometer homens, mulheres e crianças.


Dieta 3D promete emagrecimento saudável e rápido

O cardápio associa dietas consagradas

Dieta 3D promete emagrecimento saudável e rápido

Excesso de exercícios leva a alterações negativas em órgãos vitais

Presquisa mostra que os prejuízos vão além da queda do rendimento

Excesso de exercícios leva a alterações negativas em órgãos vitais

Perguntas e respostas sobre dor na coluna

Você sabia que até 85% da população irá sentir dor nas costas, pelo menos uma vez na vida?

Perguntas e respostas sobre dor na coluna

Insulina inalável pode ajudar no tratamento do diabetes

Maioria dos pacientes mantém doença fora de controle, diz médico

Insulina inalável pode ajudar no tratamento do diabetes

Fósforo: um nutriente essencial

O fósforo é o segundo mineral mais abundante no corpo humano.