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Uma revolução no controle do diabetes

Uma revolução no controle do diabetes

20/03/2008 Divulgação

O médico Ricardo Vitor Cohen desenvolve uma técnica cirúrgica que produz resultados significativos para o controle do diabetes.

Trata-se da exclusão duodenal, que está sendo desenvolvida em protocolo experimental aprovado pelo Comitê de Ética do Ministério da Saúde, com 50 pacientes, embora mais de 300 estejam esperando para sua realização.

O acompanhamento desses pacientes, que abandonam medicação em 70% dos casos, abre uma nova perspectiva para o tratamento da doença que acomete 15% da população brasileira, atingindo 6 milhões de pessoas, e mata devagar e silenciosamente, quando não provoca seqüelas como distúrbios cardiovasculares, cegueira e amputação dos membros.

 

Qual a importância da cirurgia de diabetes no Brasil?

 

Ricardo Cohen: O Brasil é o primeiro país a fazer a cirurgia para diabetes em pacientes não-obesos. Isso é inédito no mundo e fomos a primeira nação a desenvolver a pesquisa em pacientes humanos. Trata-se de um protocolo experimental, registrado no Ministério da Saúde, porém a pesquisa já tem um acompanhamento razoavelmente longo, que mostra resultados positivos.

 

E quais são esses resultados?

 

Ricardo Cohen: Por exemplo, pudemos observar em pacientes com seis meses de seguimento, pelo menos, a ocorrência do controle de diabetes, ainda que esses pacientes voltem a ganhar peso. O controle da doença se mantém com a suspensão da insulina e com grande chance do paciente ficar sem medicação alguma.

 

Qual o princípio de sua técnica cirúrgica?

 

Ricardo Cohen: A técnica da exclusão duodenal parte do princípio que o diabético tem uma doença intestinal, e não pancreática, ao contrário do que se aprende na faculdade de Medicina. Na prática, quando se evita o contato da comida com o duodeno, excluindo-o do trânsito intestinal, é dado um sinal que acorda o pâncreas. Não se sabe qual é a substância, exatamente, que faz com que o pâncreas funcione melhor e produza insulina.

 

Quando foi iniciada a pesquisa?

 

Ricardo Cohen: Comecei em 2005, quando era um projeto piloto para aprimoramento da técnica, com base em dois fatores. Um deles era o resultado de cirurgias com obesos mórbidos, quando pudemos verificar que a operação controlava o diabetes, antes do paciente perder peso significativo. Também nos baseamos em um estudo em ratos diabéticos magros do médico italiano Francesco Rubino, cuja técnica isola o duodeno da passagem de alimentos.

 

De onde partiu a idéia de operar diabéticos?

 

Ricardo Cohen: Desde 1955, viu-se que quando se excluía o duodeno em alguns procedimentos médicos, o paciente melhorava do diabetes. São achados médicos, que nem sempre resultam em pesquisas. Partimos da melhora desses pacientes, dos casos dos obesos mórbidos, que quando faziam cirurgias de obesidade, também melhoravam e dos experimentos de Francesco Rubino, que mostram que toda operação de obesidade que exclui o duodeno resolve o diabetes em 90% dos casos. Daí veio a idéia de operar doentes magros, pois a média de IMC (índice de massa corpórea) do diabético no Brasil é 29, portanto não é obeso mórbido, considerado acima de 35, internacionalmente.

 

Quais os critérios para a cirurgia?

 

Ricardo Cohen: Os critérios estabelecidos pelo protocolo são o doente ter diabetes há pelo menos dois anos e não ser obeso mórbido. Inicialmente, a gente pensava que teria de limitar a até 10 anos de diabetes. Depois vimos que não é necessário, pois é a função do pâncreas, que é medida por exames, e não o tempo, que determina se o procedimento sairá bem ou mal. A idade foi limitada entre 20 e 65 anos, porque acima desse patamar o doente costuma ter mais doenças associadas. Isso é importante nesse protocolo, porque não queríamos correr o risco de complicações clínicas durante a operação, o que dificultaria o estudo.

 

Os objetivos da pesquisa foram atingidos?

 

Ricardo Cohen: Os pacientes ainda estão sendo seguidos há nove meses no protocolo. Nosso objetivo com a pesquisa médica clínica é que o paciente experimente o controle da doença durante um ano sem medicação. Neste caso, temos 70% do objetivo atingidos. Os outros 30% dos pacientes estão muito melhor do que antes do pré-operatório. Na prática, os doentes melhoraram muito, alguns sem remédio e outros ainda com remédio.

 

Não se trata de um procedimento muito arriscado?

 

Ricardo Cohen: É preciso lembrar que o diabetes mata devagar e silenciosamente. Além disso, dos pacientes operados no protocolo, 11% apresentaram complicações, o que é normal para uma operação digestiva. Mesmo assim, é claro que vale a pena.

 

Quais são os próximos passos?

 

Ricardo Cohen: Acabamos o protocolo com os 50 pacientes, porque os primeiros 15 faziam parte de um projeto piloto para o protocolo. O próximo passo é replicar o protocolo no Chile, Colômbia, Venezuela e Estados Unidos, onde se verá se os resultados são reprodutíveis. Um dos princípios em medicina é reproduzir o tratamento.

 

Qual a participação da Covidien?

 

Ricardo Cohen: Antes de iniciar a pesquisa, tentei apoio privado e governamental, como não consegui, busquei apoio no exterior. Pela legislação nacional, de acordo com comitês de ética e pesquisa, não se pode cobrar nada do paciente. Por isso é preciso que o tratamento seja subvencionado por alguma entidade ou uma empresa, e consegui fora do País.

 

Quais são as perspectivas para essa técnica cirúrgica?

 

Ricardo Cohen: No momento que esses protocolos tiverem resultados iguais, começam a ser propostos a entidades para que o procedimento seja adotado, como um consenso. Esses resultados se somam ao acompanhamento dos 50 pacientes operados por pelo menos 1 ano a 1 ano e meio, que comprovam a eficiência do método. Então, em conjunto com os endocrinologistas, poderemos mostrar que uma das opções para tratar o diabético é a cirurgia.

Fonte: Maxpress



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