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Vale a pena trocar o pãozinho francês pelo pão integral?

Vale a pena trocar o pãozinho francês pelo pão integral?

25/11/2008 Divulgação

A maioria das pessoas pensa que seu maior erro alimentar é o consumo do pão. Associam a ele seu ganho de peso e sua dificuldade em emagrecer. Essa crença se originou na década de 70, com a mais famosa das dietas de moda, a Dieta do Dr Atkins.

De acordo com ela, os carboidratos são os principais responsáveis pelas cifras alarmantes de obesidade no mundo. “Atualmente, os carboidratos continuam sendo erroneamente classificados como os responsáveis pelo ganho de peso e substituídos por gorduras nos alimentos industrializados, contribuindo para que as dietas sejam ainda mais calóricas, mesmo sem a presença deles”, afirma a endocrinologista Ellen Simone Paiva do Citen, Centro Integrado de Terapia Nutricional, em São Paulo. “Para aliviar a consciência dessas pessoas, é bom saber que os carboidratos, após numerosos estudos científicos, ainda são recomendados por todas as associações internacionais de Nutrição e Saúde, devendo compor em torno de 50% das calorias ingeridas diariamente em dietas balanceadas”, esclarece a médica.

São importantes fontes de energia, principalmente para o cérebro, e garantem que o corpo poupe suas preciosas proteínas musculares da queima metabólica. A indústria vem investindo no refino dos alimentos para melhorar o seu sabor e para ampliar sua utilização na fabricação de vários outros alimentos. “Assim, acontece com a farinha de trigo. Entretanto, esse processo de refinamento retira vitaminas, minerais e fibras, tornando os pães muito saborosos, mas também empobrecidos de micronutrientes”, explica a nutricionista do Citen, Amanda Epifânio. Na farinha refinada, os carboidratos são mais fáceis de serem digeridos e rapidamente absorvidos pelo organismo,  gerando maiores e mais rápidas elevações da glicose sangüínea após a refeição, o chamado “índice glicêmico dos alimentos”.

O pão francês foi considerado padrão, com índice glicêmico de 100%, e todos os outros alimentos tiveram seu índice glicêmico comparado ao dele. A preferência popular e o incremento na fabricação dos pães integrais atualmente vêm superlotando as prateleiras dos supermercados e isso tem a ver com as reiteradas recomendações do consumo de fibras, dando a elas o status de alimento funcional. “O consumo de fibras proporciona melhora no trânsito intestinal, diminuição do esvaziamento gástrico com prolongamento da saciedade; redução da absorção do colesterol e da glicose, com efeitos metabólicos claramente benéficos. Para isso, recomenda-se a ingestão de no mínimo 25 gramas de fibras diariamente”, afirma Amanda Epifânio.

Ao analisarmos os pães integrais com maior teor de fibras comercialmente disponíveis (2,5g/fatia), seriam necessárias 12 fatias diárias para alcançarmos as recomendações ideais. “Por isso, a idéia é a de que nossa dieta precisa contar com uma grande variedade de alimentos também ricos em fibras, para que não se torne monótona e muito calórica”, diz a nutricionista. A tarefa de escolher nosso pão matinal não é fácil. Encontramos  mais de 130 tipos de pães nas gôndolas dos supermercados. Pão integral, 100% integral, sete grãos, nove grãos, doze grãos, light, diet, cenoura, quinua, iogurte, nozes, soja, sírio integral, francês integral e até italiano integral. São muitas as variações. Tantas opções causam mais confusão do que ajudam o consumidor.

“O jeito é ler os rótulos e se informar para não cair em algumas armadilhas. Por exemplo, o fato de ter vários grãos não significa que o pão apresente um número maior de fibras - o pão doze grãos e nove grãos têm menos fibras que o sete grãos. A inscrição de zero gordura trans também não deve ser levada ao pé da letra, pois obedecendo às normas da Anvisa, um alimento pode conter pequenas quantidades de gordura hidrogenada por unidade, sem a obrigatoriedade de informar no rótulo tal valor. Contudo, esse valor não declarado pode se tornar significativo, quando o consumo alcança maiores porções desse alimento”, alerta a nutricionista Amanda Epifânio. O avanço da engenharia dos alimentos tem permitido a fortificação dos pães com inúmeros nutrientes como vitaminas, ômega 3 e ômega 6, que, pelas pequenas quantidades, poucos benefícios trazem para a saúde, não justificando a opção por esses alimentos suplementados.

“As informações dos rótulos, muitas vezes, não apresentam significância real, constituindo-se apenas numa estratégia para atrair o consumidor e  buscar um diferencial num mercado tão competitivo”, observa a nutricionista.“Já o teor em sódio, em média 125mg por fatia de pão, causa preocupação, pois assim como a maioria dos alimentos industrializados, integrais ou não, o pão contém excesso de sódio, o que dificulta a adequação do consumo recomendado, sem ultrapassar a recomendação máxima de 12 gramas de sal/dia (5 gramas de sódio)”, observa a endocrinologista Ellen Simone Paiva. Os pães são fontes práticas, baratas e saudáveis de carboidratos para as nossas refeições, principalmente para o café da manhã. Como todo alimento, o pão pode se tornar deletério quando consumido de maneira abusiva, pois tem considerável valor calórico, seja ele integral ou de farinha branca.

“Se observarmos seu valor calórico, o pão francês (50g) com suas 150 calorias, não apresenta muita diferença em relação ao seu equivalente integral, com suas 140 calorias em duas fatias (50g). A vantagem entre os dois são a inclusão das fibras, favorecendo os pães integrais”, informa Amanda Epifânio. As versões lights dos pães integrais foram questionadas em pesquisa recente realizada pelo Imetro e veiculada pela mídia televisiva. “O órgão fiscalizador constatou que as versões lights possuem fatias menores e com menor teor de carboidrato, o que pode não garantir a saciedade conferida pelas versões integrais normais, favorecendo o consumo de porções maiores.

Assim, estes pães não cumprem sua função de alimento light, são mais caros e não apresentam vantagens em relação às versões integrais normais”, observa a nutricionista.“Diante das informações disponíveis, não há fundamento para abolir o consumo dos carboidratos e muito menos dos pães. Quando abolimos esse nutriente, seguimos uma dieta desequilibrada, pois abolindo os carboidratos, definitivamente excedemos  no consumo de gorduras e proteínas. Com isso, além de comprometer a normalidade do metabolismo do nosso organismo, não garantimos a perda de peso”, adverte a endocrinologista Ellen Simone Paiva.



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