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Elon Musk: o empreendedorismo fora do convencional

Elon Musk: o empreendedorismo fora do convencional

16/11/2015 Marcos Morita

O que Matt Damon, Henry Ford, Steve Jobs, Larry Page e Tony Stark tem em comum?

Quem disse nada é porque não conhece a biografia de Elon Musk. Matt Damon atuou em Perdido em Marte, relatando as agruras para sobreviver no planeta vermelho.

Henry Ford desenvolveu a linha de montagem e a produção em massa, revolucionando a maneira pela qual bens eram produzidos.

Steve Jobs, por sua vez, criou demandas até então desconhecidas, unindo design em produtos bem acabados.

Larry Page e o Google parecem querer dominar a informação e, finalmente, Tony Stark, também conhecido como Homem de Ferro, investe sua fortuna para salvar a humanidade, utilizando-se de tecnologia em seus filmes de ação.

Elon Musk tem uma pitada de cada uma das histórias e personagens, razão pela qual tem sido elevado ao panteão dos grandes empreendedores.

Apesar de ter enriquecido no boom das empresas ponto.com com sua participação na startup de meios de pagamento PayPal e de viver no Vale do Silício, território de Google e Apple, investiu toda sua fortuna e um pouco mais em segmentos e projetos arriscadíssimos, utilizando-se de táticas nada convencionais, contrariando qualquer manual de estratégia.

Quem entraria no setor de veículos elétricos em plena crise de 2008, quando montadoras e cidades como Detroit eram arrasadas, ou ainda colocaria dinheiro numa fábrica de foguetes, cuja visão é colonizar o planeta vermelho?

De quebra, outra empresa de painéis solares, em uma época na qual o custo para produzi-los era proibitivo. Barreiras de entrada quase intransponíveis face aos investimentos necessários, concorrentes grandes e poderosos, mercados altamente regulados e clientes exigentes como o governo americano desencorajariam qualquer analista e investidor.

Com obstinação e coragem dignas de Tony Stark, vale salientar que Robert Downey Jr. teve Musk como um dos inspiradores. Elon utilizava-se do espírito e das metodologias das empresas do Vale do Silício em seus projetos, criando hipóteses, testando, errando e mudando de direção quando necessário, trazendo velocidade e inovação a indústrias acostumadas a burocracia e lentidão em estruturas pouco flexíveis, tais como GM, Volkswagen, Ford, Boeing e até a agência aeroespacial americana NASA.

Parte desta rapidez e inovação estava em uma mudança radical em sua cadeia de suprimentos, criticada inicialmente por seus concorrentes, altamente dependentes de terceiros. Espalhados pelo mundo, fornecedores são hoje responsáveis pelo desenvolvimento de conjuntos e certamente pelo alto número de recalls.

Musk, assim como Ford e seu modelo T, constrói internamente grande parte das peças e sistemas de seus foguetes e carros, conseguindo agilidade e redução de custos. Disparou foguetes pela décima parte do preço de mercado, lançou veículos elétricos potentes, modernos, icônicos e desejados e estudou modelos de financiamento para seu negocio de energia solar, viabilizando o que poucos acreditavam.

Não obstante a prosperidade de seus negócios, ainda é cedo para dizer se Tesla, Space X e Solar City terão o impacto desejado por Musk. Poucos ainda dispõem de cem mil dólares para adquirir um cobiçado Model S ou se aventurariam em um eventual voo tripulado a Marte.

Não estão descartados ainda recalls maciços em seus veículos ou eventuais explosões em seus foguetes, colocando tudo a perder. Enfim, apesar da incerteza e do risco de seus empreendimentos, não se pode negar a grandiosidade de suas visões.

Basta ler sua interessante biografia ou assistir a película de Matt Damon plantando batatas em pleno solo marciano. Ambos valem muito a pena. Divirta-se.

* Marcos Morita é executivo, professor, palestrante e consultor.



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