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Alemanha quer fórmula de sucesso do etanol brasileiro

Alemanha quer fórmula de sucesso do etanol brasileiro

05/04/2011 Divulgação

Já parte do cotidiano brasileiro, o motor flex fuel e o etanol de cana-de-açúcar deixam os alemães admirados. Agora, Alemanha se aproxima do Brasil para adaptar modelo. Importação do etanol é forte barreira a superar.

A história de sucesso do etanol brasileiro passou a receber mais atenção do governo alemão. Uma delegação oficial está no Brasil para conhecer de perto o desenvolvimento da tecnologia que começou a mudar a história e o mapa do país há mais de 35 anos. "Nós queremos aprender com o exemplo brasileiro como novos motores podem ser produzidos, como os carros podem trafegar com uma mistura maior de etanol", disse à Deutsche Welle Rainer Bomba, vice-ministro alemão dos Transportes durante a visita ao Brasil.

Os governos da Alemanha e do Brasil assinaram um acordo de intenções para acentuar a troca de experiências e fortalecer a cooperação. "O tema bioetanol está entrando na agenda de vários ministérios alemães e será tratado de forma mais acentuada daqui para frente", afirmou Bomba. Com o problema da escassez do petróleo batendo a porta e com a subida dos preços, a Alemanha quer garantir que outras tecnologias se integrem ao mix dos motores que moverão a frota do futuro. "Esse interesse pelo etanol brasileiro não se deve somente à escassez do petróleo, mas também ao fato de podermos diminuir as emissões de CO2", ressalta o vice-ministro.

Expertise brasileira, marca alemã

Se a Alemanha seguir o caminho do etanol, a Volkswagen do Brasil já se declarou pronta para ajudar. Foi a empresa que, em parceria com a Bosch, lançou há dez anos no mercado brasileiro o motor flex fuel. "A Alemanha está aproveitando o know how que temos acumulado nos últimos anos aqui. Para nós, essa tecnologia não é novidade. Na verdade, os nossos engenheiros aqui são o centro do desenvolvimento do flex fuel", pontua Thomas Schmall, diretor da Volkswagen do Brasil. A solução que permite a mistura dos combustíveis em qualquer proporção, na visão de Schmall, funciona muito bem no Brasil. "Mas pode não funcionar para o mundo inteiro, porque cada país tem as suas necessidades", argumenta. E se os alemães levarem a cabo o projeto brasileiro, o etanol terá que ser importado: "Não há espaço para se plantar cana-de-açúcar na Alemanha, e qualquer outra planta que for cultivada lá [para a produção de biocombustível] vai interferir na cadeia de alimentação".

Barreira europeia

Na atualidade, a obrigatoriedade da importação é um grande impedimento para que o etanol brasileiro ganhe o mercado alemão. "Ao ser importado, o etanol é taxado pela União Europeia (UE) como sendo um produto agrícola, mas que na verdade é usado como combustível. E a gasolina não entra na UE com taxação extra", lembra Ingo Plöger, presidente da IP Desenvolvimento Empresarial e Institucional, com sede em São Paulo. Rainer Bomba, que reconhece como eficiente o etanol de cana-de-açúcar e sua produção de forma sustentável, admite as barreiras impostas pela UE. Mas ele acredita em mudanças, já que o preço da gasolina deve aumentar ainda mais e a escassez se tornará um problema sério. "A nossa função é garantir que tenhamos um combustível que seja acessível e viável sob o aspecto ambiental. O etanol brasileiro é importante nesse sentido."

Começo traumático

O interesse em adaptar o modelo brasileiro em solo alemão é evidente, mas isso não deve acontecer em um futuro próximo. A análise de Ingo Plöger é baseada na recente "experiência traumática" provocada pela introdução do chamado E10 na Alemanha. Desde o início de março, uma polêmica se instalou entre os motoristas alemães, com o aumento de 5% para 10% de etanol na mistura de gasolina oferecida nos postos. "A introdução do E10 provocou insegurança no consumidor. A informação passada é que vários motoristas não deveriam usar o combustível porque ele prejudicaria o motor, em função de corrosão" lembra o consultor. Apesar de o governo ter reconhecido falhas na divulgação do novo combustível, o assunto etanol virou um desafeto entre os alemães. Por isso, a introdução do modelo brasileiro levaria bastante tempo para ganhar apoio popular, avalia Plöger.

Brasil segue inovando

Enquanto isso, no Brasil, o avanço das pesquisas no setor já trazem uma nova geração de motores. Desta vez, outra famosa marca alemã se prepara para lançar o primeiro caminhão movido a biodiesel feito a partir da cana-de-açúcar. O Accelo, da Mercedes-Benz, chegará em janeiro de 2012 com exclusividade no mercado brasileiro. "O motorista vai poder usar diesel, biodiesel e biodiesel de cana", explicou Gilberto Gomes Leal, que trabalhou no projeto de desenvolvimento do motor. Tão novo quanto este motor do Accelo é o biodiesel de cana-de-açúcar. "O combustível já está sendo implementado, e a partir de 2012 estará disponível no mercado", acrescenta Leal. Desenvolvido em parceria com engenheiros alemães, o novo modelo não será oferecido aos consumidores daquele país – é um projeto exclusivo para o Brasil.

Para mais informações acesse o site DW-World.

Texto publicado no Jornal O Debate - Tecnologia Máxima, edição 2497 de abril/2011



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