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Carro sem motorista fará viagem da Itália à China

Carro sem motorista fará viagem da Itália à China

07/08/2010 Divulgação

Cientistas da Universidade de Parma são pioneiros na criação de carros que andam sem motorista. Agora, farão uma viagem experimental de 13 mil quilômetros sem ninguém ao volante.

Em 2004, cientistas de todo o mundo participaram do Grand Challenge Darpa, a primeira competição em longa distância de carros sem motorista, realizada no deserto da Califórnia. Na época, nenhuma das 15 equipes que participaram do evento organizado pela Agência de Pesquisa de Projetos Avançados de Defesa (Darpa), ligada ao Pentágono, nos EUA, conseguiu completar o percurso. Por isso, tiveram mais duas chances, em 2005 e em 2007, e nestas ocasiões houve vencedores.

Agora, o Laboratório de Visão Artificial e Sistemas Inteligentes da Universidade de Parma (Vislab), na Itália, apresenta um carro totalmente inovador. Trata-se de um veículo que anda sozinho, sem motorista. Ele será testado de agosto a outubro, numa viagem entre Parma, na Itália, até Xangai, na China. Os cientistas do laboratório italiano já haviam projetado um dos veículos que participou dos desafios do Darpa.  A Deutsche Welle conversou com o diretor do VisLab, Alberto Broggi, que é professor de engenharia da computação na Universidade de Parma.

Deutsche Welle: Como exatamente o seu carro automático irá da Itália até a China?

Alberto Broggi: Na verdade, haverá dois veículos. O primeiro, tripulado, irá definir o percurso. O segundo carro, sem motorista, irá segui-lo automaticamente. Portanto, enquanto o primeiro veículo estiver na linha de visão do segundo, este vai segui-lo. Caso contrário, o primeiro transmite sua posição por satélite para o segundo, que poderá seguir uma rota aproximada pelos pontos de GPS. Este é um truque que usamos.

O que acontece exatamente quando ele está em movimento?

Temos sete câmeras no carro. Cinco na frente e duas atrás. As cinco da frente são divididas em dois sistemas: um estéreo, com duas câmeras, e outro panorâmico, com três câmeras. O sistema em estéreo é voltado para a frente para detectar obstáculos e as marcações da pista.  As três câmeras do sistema panorâmico estão dispostas assim: uma na frente, outra 60º à direita e a terceira 60º à esquerda. Unimos as três imagens para obter uma visão do que há em volta, resultando numa panorâmica de pouco menos de 180º.  Temos ainda quatro scanners a laser. Dois, mais simples, com monitor, ficam dos lados, para controlar a presença de obstáculos nas laterais esquerda e direita. Depois há um scanner com um laser mais penetrante, para detectar obstáculos à frente do veículo, e um scanner a laser sobre o carro, mas direcionado para o chão, para detectar obstáculos ou buracos, por exemplo. Ele é usado quando não se anda na estrada.

Você precisou requerer alguma permissão para andar com esse veículo especial por tantos países?

Felizmente não somos nós os responsáveis por isso. Há outra empresa que está fazendo isso conosco, chamada Overland. Eles cuidam de toda a logística, das licenças, vistos e assim por diante. Eles têm trabalhado nisso há anos e já organizaram uma série de viagens em condições extraordinárias em todo o mundo.

Mas provavelmente eles não fizeram isso com um carro automático? Sim. Conversei com as pessoas aqui na Itália a respeito das questões de responsabilidade. Disseram-me que, enquanto houver alguém sentado atrás do volante, ele será responsável por aquele veículo – mesmo que ele nem toque no volante. Por isso [neste teste], mesmo que o carro se mova sem motorista, alguém vai estar sentado ali.

O Challenge Darpa e o que você está fazendo rompem os limites da robótica e do transporte. Que aplicações você vê para este tipo de pesquisa? Para onde você espera que ela leve? E você acha que as pessoas comuns podem tirar proveito disso?

Sim, mas não agora. Isso vai demorar alguns anos. Penso que a primeira aplicação seria no setor agrícola, no qual você poderá ter um trator se deslocando no seu campo 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem ninguém a bordo. Digo isso porque o tráfego no campo é muito mais fácil do que o tráfego urbano. Há também aplicações militares e civis, como na construção de estradas, na mineração ou em outros terrenos acidentados, onde os veículos podem se mover sem ninguém a bordo. Tenho certeza de que, algum dia, essa tecnologia será usada também em carros.

Para mais informações acesse o site DW-World.



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