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Microrganismos: heróis das plantas contra pragas e doenças

Microrganismos: heróis das plantas contra pragas e doenças

31/05/2021 Valter Casarin

O solo não possui somente um, mas um número astronômico que demonstram a importância da vida microbiana nos solos.

Microrganismos: heróis das plantas contra pragas e doenças

Esses diferentes microrganismos (bactérias, fungos, protozoários, etc.) somam mais de um bilhão de bactérias e cinco quilômetros de micélio fúngico em um único grama de solo. Apesar de pouco conhecidos, as bactérias e fungos presentes no solo desempenham, no entanto, um papel essencial, influenciando na qualidade e na produtividade do solo.

O solo é um ecossistema por si só. Além de cumprir funções físicas (substrato) e químicas (nutrição), é um ótimo habitat para muitos organismos. A atividade e a diversidade desses microrganismos têm efeitos fantásticos na qualidade do solo e na ciclagem de nutrientes, como nitrogênio e fósforo. Os solos agrícolas não são exceção.

Os microrganismos estão presentes para melhorar as plantas em sua nutrição, mas também na ajuda a resistência ao estresse e na luta contra pragas e doenças.

A pesquisa tem desenvolvido produtos com objetivo de encontrar microrganismos que tragam benefícios reais às plantas, bem como preservar o equilíbrio do solo. Os bilhões de microrganismos desempenham uma ou mais funções no solo. A mesma função pode ser realizada por diferentes microrganismos.

Porém, a imensa quantidade desses microrganismos não é garantia de qualidade nos "serviços" prestados ao ecossistema. A noção de diversidade é tão importante, se não a mais. Entre as milhares de espécies de bactérias do solo, algumas são identificadas e reconhecidas por seu papel benéfico na agricultura. É o caso, por exemplo, das bactérias do gênero Bradyrhizobium, que se associam às leguminosas formando nódulos e convertendo o nitrogênio atmosférico em amônio, fonte de nitrogênio que pode ser aproveitada pela planta.

Outras bactérias também são capazes dessa transformação de nitrogênio, como os gêneros Azotobacter e Azospirillum. Uma vez que estes não vivem diretamente em simbiose com a planta, mas estão livres no solo. O nitrogênio que esses microrganismos transformam pode, portanto, beneficiar diferentes tipos de plantas.

Os microrganismos são a primeira riqueza do solo e do agricultor.

As bactérias do gênero Bacillus são bastante valorizadas por sua função de aumentar a disponibilidade de fósforo no solo, tornando o fósforo indisponível em formas disponíveis para a planta. Este microrganismo torna-se importante para melhorar a eficiência da adubação fosfatada, aumentando o aproveitamento do fertilizante, o que provoca aumento no rendimento das culturas.

Outros microrganismos permitem aumento no desenvolvimento das raízes das plantas, gerando um maior volume de solo explorado pelas plantas, garantindo melhor suprimento de água e nutrientes essenciais, otimizando o crescimento das plantas.

Este é particularmente o papel dos fungos micorrízicos, que aumentam a prospecção das raízes das plantas. A associação do micélio do fungo ligada as raízes das plantas permitem que volume do sistema radicular dobre. Essa simbiose é uma grande vantagem para solos de baixa disponibilidade de nutrientes e solos com déficit hídrico, conferindo melhor resistência à seca, evitando a estagnação da produtividade das culturas.

Depois de perceber os serviços prestados pelas comunidades microbianas em seus solos, o agricultor pode querer "cultivá-los".

Os microrganismos têm grande atuação na manutenção da fertilidade do solo através da ciclagem de nutrientes, mas também influenciando a disponibilidade de formas insolúveis de nutrientes. Desempenham um papel essencial na decomposição da matéria orgânica, tornando os microrganismos do solo fundamentais na fertilização do solo.

Em função dos benefícios dos microrganismos e o conhecimento das importantes atividades que desempenham no solo em prol da nutrição das plantas, ainda é fundamental a necessidade de adubar as culturas, pois nossos os solos tropicais são pobres em nutrientes. Vale ressaltar que a reposição de nutrientes ao solo através dos fertilizantes é necessária, principalmente, para devolver ao solo os nutrientes que são exportados pela colheita de produtos agrícolas.

Os microrganismos melhoram o aproveitamento dos fertilizantes, mas não criam nutrientes no solo.

Com o uso de biológicos vamos ter uma maior eficiência das adubações. A fixação do nitrogênio pelos microrganismos é um caminho para reduzir ou mesmo não aplicar fertilizante nitrogenado em leguminosas como a soja e o feijão. Parte do fósforo aplicado via fertilizante é fixado por componentes do solo, tornando indisponível às plantas. Alguns microrganismos têm a capacidade de excretar ácidos orgânicos ou enzimas que solubilizam o fósforo fixado, possibilitando, assim, a absorção pelas plantas. Associar o uso de fertilizantes com a ação dos microrganismos permite melhorar o aproveitamento dos fertilizantes pelas plantas e respeito a sustentabilidade ambiental.

Com objetivo de melhorar a percepção da população em relação às funções e os benefícios dos fertilizantes, foi estabelecida no Brasil, em 2016, a iniciativa Nutrientes Para a Vida (NPV). A NPV possui visão, missão e valores análogos aos da coirmã americana, a Nutrients For Life. Sua principal missão é destacar e informar a respeito da relevância dos fertilizantes para o aumento da qualidade e segurança da produção alimentar, colaborando com melhores quantidades de nutrientes nos alimentos e, consequentemente, com uma melhor nutrição e saúde humana.

* Valter Casarin, engenheiro agrônomo, coordenador científico da iniciativa Nutrientes para a Vida.

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Fonte: Acontece Comunicação e Notícias



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