Portal O Debate
Grupo WhatsApp

A China acordou. O Brasil, não

A China acordou. O Brasil, não

17/11/2012 José Chapina Alcazar

Brasil e China são opostos não apenas geograficamente. Quando se trata de valorizar a indústria nacional, estas nações são também muito distintas.

Abrigando mais de 1,3 bilhão de habitantes, aproximadamente um sétimo da população do planeta, a China tornou-se uma das economias de mais rápido crescimento no mundo, além de segundo maior exportador e terceiro maior importador de mercadorias.

O processo de industrialização deste que é o maior país da Ásia Oriental reduziu sua taxa de pobreza de 53% em 1981 para 8% em 2001, daí a condição de superpotência emergente. No lado oposto, o Brasil, país com dimensões continentais, o maior da América Latina, com 192 milhões de habitantes, mas que ainda patina com discussões e medidas pontuais, como a desoneração da folha de pagamentos e a redução de juros, para reverter a ineficiência estrutural de sua competitividade.

As reformas econômicas promovidas no decorrer dos anos concederam reconhecimento internacional ao país, mas a desigualdade social ainda é grande e seu parque produtivo vive um momento alarmante de desindustrialização. O Brasil é o país que exporta cacau hoje para importar chocolate amanhã.

Ainda assim, é visto como um país com grande potencial de desenvolvimento, embora navegue lentamente pelos mares do crescimento, tal qual um marinheiro que se gaba pela distância percorrida, mas esquece de olhar o longo trajeto que ainda deve percorrer até a praia. Há 200 anos, Napoleão Bonaparte profetizou: “Deixem a China dormir porque, quando ela acordar, o mundo vai estremecer”.

O país ocupa a segunda posição no ranking mundial da economia, atrás apenas dos Estados Unidos. Verdade seja dita, muitos produtos comercializados atualmente têm partes, senão o todo, “made in China”. Quase como mágica, eles colocam qualquer produto no mercado em questão de semanas e com preços bem abaixo dos praticados em qualquer outro lugar, inclusive no Brasil, onde são altíssimos os custos para se abrir uma empresa, investir em maquinário, mão de obra, matéria-prima, produzir e até vender.

Qual o segredo? Um operário brasileiro custa ao empregador três vezes mais que um chinês do outro lado do planeta. E com o acréscimo de impostos e benefícios, essa conta dobra. Os chineses trabalham muito e recebem pouco. É quase um regime de escravidão – a face cruel de seu socialismo. E o mundo, inclusive o Brasil, alimenta este sistema, importando mercadoria e incentivando a produção chinesa em larga escala.

Esta é a estratégia que eles utilizam para ganhar o mercado ocidental: preços absurdamente baixos, produtos por vezes com qualidade duvidosa e trabalhadores subjugados. O futuro? A China será o único parque industrial do mundo e os demais países, incluindo o Brasil, ficarão à mercê desse monopólio.

Brasil e China são países igualmente extensos, possuem ideais semelhantes de crescimento, mas exibem caminhos tão opostos. Quem está equivocado? Ambos. Na China, o objetivo é chegar ao posto de maior potência mundial, colocando em risco, inclusive, a sustentabilidade ambiental e a qualidade de vida de seus habitantes.

Mas um ponto a se admirar é o incentivo dado à produtividade nacional, detentora de alta tecnologia e desempenho. Separando o joio do trigo, é preciso seguir parte deste exemplo, fomentando a indústria e incentivando a geração de empregos, mas sempre respeitando o trabalhador e o ambiente. Aqui faltam políticas sérias para reduzir o peso da carga tributária, o número de obrigações acessórias e a quantidade de encargos sociais e trabalhistas que tanto sobrecarregam as empresas que precisam lutar a cada dia para sobreviver neste ambiente tão hostil aos negócios e à produção.

Nas condições atuais, não há como a indústria brasileira competir comercialmente com outra nação emergente, menos ainda com a China. É notório que o excesso de burocracia, regras e tributos trava o desenvolvimento, pois faz aumentar o Custo Brasil e afasta investidores. Se a reforma tributária parece distante, por que não começar pelo que é viável?

Dia desses o presidente do maior banco de investimentos da América Latina, o BTG Pactual, disse que o governo tem espaço para começar agora a cortar a carga tributária de todos os setores produtivos. Desonerar a produção nacional seria o primeiro grande passo do Brasil para colocar a indústria nacional em posição de igualdade para competir com as maiores potências mundiais.

É preciso agir e parar de colecionar ideias que podem perder o poder de ação antes mesmo de sair do papel. A luz de emergência já se acendeu e, se nada for feito, as sequelas ficarão cada vez mais difíceis de ser superadas.

*José Chapina Alcazar é empresário contábil e presidente do SESCON-SP - Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento no Estado de São Paulo.



Nome comum pode ser bom, mas às vezes complica!

O nosso nome, primeira terceirização que fazemos na vida, é uma escolha que pode trazer as consequências mais diversas.

Autor: Antônio Marcos Ferreira


A Cilada do Narcisista

Nelson Rodrigues descrevia em suas crônicas as pessoas enamoradas de si mesmas com o termo: “Ele está em furioso enamoramento de si mesmo”.

Autor: Marco Antonio Spinelli


Brasil, amado pelo povo e dividido pelos governantes

As autoridades vivem bem protegidas, enquanto o restante da população sofre os efeitos da insegurança urbana.

Autor: Samuel Hanan


Custos da saúde aumentam e não existe uma perspectiva que possa diminuir

Recente levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que os brasileiros estão gastando menos com serviços de saúde privada, como consultas e planos de saúde, mas desembolsando mais com medicamentos.

Autor: Mara Machado


O Renascimento

Hoje completa 2 anos que venci uma cirurgia complexa e perigosa que me devolveu a vida quase plena. Este depoimento são lembranças que gostaria que ficasse registrado em agradecimento a Deus, a minha família e a vários amigos que ficaram ao meu lado.

Autor: Eduardo Carvalhaes Nobre


Argentina e Venezuela são alertas para países que ainda são ricos hoje

No meu novo livro How Nations Escape Poverty, mostro como as nações escapam da pobreza, mas também tenho alguns comentários sobre como países que antes eram muito ricos se tornaram pobres.

Autor: Rainer Zitelmann


Marcas de um passado ainda presente

Há quem diga que a infância é esquecida, que nada daquele nosso passado importa. Será mesmo?

Autor: Paula Toyneti Benalia


Quais são os problemas que o perfeccionismo causa?

No mundo complexo e exigente em que vivemos, é fácil se deparar com um padrão implacável de perfeição.

Autor: Thereza Cristina Moraes


De quem é a América?

Meu filho tinha oito anos de idade quando veio me perguntar: “papai, por que os americanos dizem que só eles vivem na América?”.

Autor: Leonardo de Moraes


Como lidar com a dura realidade

Se olharmos para os acontecimentos apresentados nos telejornais veremos imagens de ações terríveis praticadas por pessoas que jamais se poderia imaginar que fossem capazes de decair tanto.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


O aumento da corrupção no país: Brasil, que país é este?

Recentemente, a revista The Economist, talvez a mais importante publicação sobre a economia do mundo, mostrou, um retrato vergonhoso para o Brasil no que diz respeito ao aumento da corrupção no país, avaliação feita pela Transparência Internacional, que mede a corrupção em todos os países do mundo.

Autor: Ives Gandra da Silva Martins


O voto jovem nas eleições de 2024

O voto para menores de 18 anos é opcional no Brasil e um direito de todos os adolescentes com 17 ou 16 anos completos na data da eleição.

Autor: Wilson Pedroso