Portal O Debate
Grupo WhatsApp

A palavra-chave é: desobstruir

A palavra-chave é: desobstruir

06/03/2021 José Pio Martins

Com erros e acertos, as vacinas chegarão e, demore ou não, a população será imunizada e poderá retornar ao trabalho e retomar a atividade econômica.

A vida deve voltar ao normal, com as adaptações necessárias, e 2021 deve ser um ano de retomada do crescimento econômico, de ajustes empresariais, reorganização das finanças familiares, recomposição das finanças públicas e preparação para, a contar de 2022, o país tentar manter o crescimento sustentável nos anos seguintes, a fim de sair do atraso e da pobreza.

O Brasil precisa muito de recuperação rápida, como condição necessária para terminar a terceira década deste século em situação econômica e social melhor do que terminou a primeira década e, principalmente, melhor do que termina a segunda década.

A principal variável a ditar o padrão médio de bem-estar social é o produto por habitante, que terminou 2020 com valor menor que ao fim de 2010.

O Produto Interno Bruto (PIB) por habitante termina 2020 menor do que era em 2010, como resultado da recessão de 2015 e 2016, do fraco crescimento nos anos de 2017 a 2019 e da queda em 2020 causada pela pandemia.

Mas vale lembrar que o PIB por habitante é o quociente de uma divisão em que o dividendo é o PIB total do ano e o divisor é a população, e esta saiu de 190,7 milhões em 2010 para 212,5 milhões de habitantes no fim de 2020 (este número de 2020 ainda carece ser confirmado pelo IBGE).

Essa conversa de que a economia brasileira é a nona do mundo não faz sentido, pois refere-se apenas ao total do PIB, sem considerar o tamanho da população.

O total do produto de um país não diz muita coisa se não for levado em conta o número de bocas que há para consumi-lo.

A Dinamarca, por exemplo, está na 70a posição em tamanho do PIB, ou seja, 61 posições atrás do Brasil, ou ainda: há 61 países com PIB maior que o da Dinamarca até chegar ao Brasil. 

O dado acima poderia dar a impressão de que a Dinamarca é muito mais pobre que o Brasil. É óbvio que não faz o menor sentido, pois a Dinamarca tem 5,7 milhões de habitantes e a renda por pessoa lá é equivalente a quatro vezes a brasileira.

Ou seja, a Dinamarca não tem miséria, não tem pobreza, o padrão médio de bem-estar social está muito acima do brasileiro. Se o Brasil dobrasse seu produto por habitante, chegaríamos apenas à metade do PIB por dinamarquês.

Assim, como indicador do grau de pobreza e do padrão de vida, o tamanho absoluto do produto nacional não significada nada.

O produto por habitante no Brasil ao fim de 2020 é menor do que era em 2010, entre outras razões, porque a população cresceu 21,8 milhões de habitantes na segunda década deste século.

O número de bocas continua crescendo e o produto não cresce, e ainda vem diminuindo, pelas razões já expostas. A pandemia jogou o PIB brasileiro para baixo e piorou as coisas.

Digo tudo isso para destacar uma questão essencial: se há algo que o sistema estatal, as leis, os governos, os poderes e os burocratas podem fazer neste momento de grave recessão e desemprego é desobstruir os canais que impulsionam a produção e o crescimento.

A palavra-chave deveria ser: desobstruir. O governo deveria se dedicar a fazer um planejamento impositivo para o setor estatal e indicativo para o setor privado, retirando o máximo de obstáculos do caminho de quem quiser empreender, investir, arriscar, trabalhar, produzir, gerar emprego e pagar impostos. 

Neste momento, é melhor errar por excesso de liberdade do que manter a nação sufocada por regulamentos e milhões de leis e normas.

A ampliação da liberdade e a desobstrução do caminho de quem quer trabalhar e empreender podem gerar alguns excessos e eventuais erros. Se ocorrerem, que sejam consertados.

Mas, é melhor correr o risco das consequências derivadas da desobstrução do que manter o país preso às amarras e à lentidão em seu processo de criar produto, emprego, renda e impostos.

As notícias dos últimos meses informam que o PIB brasileiro deve sair da nova posição e cair para a 12a no ranking mundial.

Novamente: essa classificação se refere apenas ao PIB total e não ao PIB por habitante, ou renda per capita, expressão muito usada para se referir à mesma coisa sob a ótica da renda, não do produto.

Não crescer é um luxo a que o Brasil não pode se permitir, pois se assim for, a miséria e a pobreza vão explodir… e o país perderá a terceira década do século 21, minando as possibilidades de chegar a 2050 com situação social bem melhor. Será uma pena!

* José Pio Martins é economista, reitor da Universidade Positivo.

Para mais informações sobre crescimento clique aqui…

Fonte: Central Press



Que ingratidão…

Durante o tempo que fui redactor de jornal local, realizei numerosas entrevistas a figuras públicas: industriais, grandes proprietários, políticos, artistas…


Empresa Cooperativa x Empresa Capitalista

A economia solidária movimenta 12 bilhões e a empresa cooperativa gera emprego e riqueza para o país.


O fundo de reserva nos condomínios: como funciona e a forma correta de usar

O fundo de reserva é a mais famosa e tradicional forma de arrecadação extra. Normalmente, consta na convenção o percentual da taxa condominial que deve ser destinado ao fundo.


E se as pedras falassem?

Viver na Terra Santa é tentar diariamente “ouvir” as pedras! Elas “contemplaram” a história e os acontecimentos, são “testemunhas” fiéis, milenares porém silenciosas!


Smart streets: é possível viver a cidade de forma mais inteligente em cada esquina

De acordo com previsões da Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 70% da população mundial viverá em áreas urbanas até 2050.


Quem se lembra dos velhos?

Meu pai, quando se aposentou, os amigos disseram: - " Entrastes, hoje, no grupo da fome…"


Greve dos caminhoneiros: os direitos nem sempre são iguais

No decorrer da sua história como república, o Brasil foi marcado por diversas manifestações a favor da democracia, que buscavam uma realidade mais justa e igualitária.


Como chegou o café ao Brasil

Antes de Cabral desembarcar em Porto Seguro – sabem quem é o décimo sexto neto do navegador?


Fake news, deepfakes e a organização que aprende

Em tempos onde a discussão sobre as fake news chega ao Congresso, é mais que propício reforçar o quanto a informação é fundamental para a sustentabilidade de qualquer empresa.


Superando a dor da perda de quem você ama

A morte é um tema que envolve mistérios, e a vivência do processo de luto é dolorosa. Ela quebra vínculos, deixando vazio, solidão e sentimento de perda.


A onda do tsunami da censura

A onda do tsunami da censura prévia, da vedação, da livre manifestação, contrária à exposição de ideias, imagens, pensamentos, parece agigantar em nosso país. Diz a sabedoria popular que “onde passa um boi passa uma boiada”.


O desserviço do senador ao STF

Como pode um único homem, que nem é chefe de poder, travar indefinidamente a execução de obrigações constitucionais e, com isso, impor dificuldades ao funcionamento de um dos poderes da República?