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Achegas para obter uma biblioteca

Achegas para obter uma biblioteca

04/02/2020 Humberto Pinho da Silva

Conta-se, que certa manhã, Camilo, estando na Praça Nova, no Porto, encontrou negociante seu conhecido, sobraçando grande quantidade de livros.

Ao Vê-lo, Camilo, disse-lhe a sorrir:

- “Tantos livros leva! …”

Respondeu-lhe o homem, com a boca cheia de risos:

- “São para meus filhos…São quatro quilos de conhecimento! …”

- “Quatro quilos de sabedoria!? …” - Repetiu o romancista. – “Veja lá se o roubaram no peso…”

Possuir muitos volumes, nas estantes do escritório, para deslumbrar amigos e conhecidos, é coisa, em regra, de novo-rico.

Livros alinhados, perfilhados, encadernados a pele, com lombadas a oiro, não representam, nem cultura, nem sabedoria.

Há quem compre colecções inteiras, convencido que ao adquirir livros a metro, se torna culto…apenas decoram estantes…

Não é fácil ter uma boa biblioteca; depende do gosto literário, da profissão, e da capacidade de cada um.

O advogado, o economista, o engenheiro, e o médico, por exemplo, necessitam, além das obras basilares, que todos devem conhecer, livros técnicos, que lhes forneçam informações úteis para a profissão.

Cada qual deve escolher, na imensidade das obras, que, quase diariamente, se edita, os livros que lhe agrada e que lhe possa ser útil.

Um pouco de tudo – a meu ver, – será o ideal, tendo em conta a idade.

Além dos autores basilares, na língua portuguesa (Camilo*, Eça, Machado de Assis, Garrett, Alexandre Herculano, etc. …etc. …) que convêm conhecer, pelo menos as obras mais conhecidas, há vantagem de possuir punhado de clássicos, principalmente os acessíveis à maioria dos leitores, como: Frei Heitor Pinto, Manuel Bernardes, Francisco Manuel de Melo, António Vieira, Frei Luís de Sousa, Francisco Rodrigues Lobo, por exemplo. (S. Tomás, aconselha: não ir directamente ao mar; mas pelos pequenos ribeiros. Tudo depende da capacidade e da preparação.)

Dos estrangeiros poderei, entre outros, citar: André Mairois, Ortega y Gasset, Pascal, Teilhard de Chardin, Bacon, Marco Aurélio, Platão, La Bruyère, Erasmo, Descartes, Montaigne, Balzac, Azorín, Shakespeare, Kant, Proust, Tolstoi, Claudel, Stendhal, e muitos outros, que por ser lista extensa, não devo mencioná-los em artigo de jornal.

Há, todavia, autores, para quem desejar informações úteis e proveitosos conselhos, (livros de cabeceira,) que são: - em minha opinião, – imprescindíveis: Carrel, Sertillanges, Jean Guiton, Mário Gonçalves Viana, Marden, Billy Graham, Fulton Sheen, Montapart e a Bíblia (pelo menos o Novo-Testamento).

Além dos mencionados, que considero basilares, há outros de igual quilate, mas seria impossível mencioná-los, aqui.

Termino, com palavras de André Mairois:

“Ter cultura, não é saber de tudo um pouco; também não é saber muito dum só assunto. É conhecer a fundo alguns grandes espíritos, alimentar-se deles, assimilá-los.”

Deve-se ler, reler, tresler, e meditar no que se leu.

Padre Manuel Bernardes aconselha, até, que é: “Mais frutuoso, e menos cara a lição moderada dos mesmos livros, do que a demasiada de vários.”

(*) “El Amor de Perdição”, de Camilo, es uno de los libros fundamentales de la literatura ibérica (castellana, portuguesa y catalana) – Unamuno- “Por tierras de Portugal y España”.

* Humberto Pinho da Silva

Fonte: Humberto Pinho da Silva



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