Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Brasil, 2016-…: Bom ambiente de negócios sem vendas

Brasil, 2016-…: Bom ambiente de negócios sem vendas

25/12/2017 Valdemir Pires e Cláudio Paiva

Não haverá Nação alguma - nem mercado - onde o povo é excluído.

O período que correspondeu aos dois governos de Lula (2003-2010) teve como lastro econômico o crescimento da economia mundial e uma liquidez internacional expressiva, beneficiando as exportações brasileiras e as contas externas do país (balança comercial e balanço de pagamentos).

O lastro político foi um pacto nacional que combinou a obtenção de superávits fiscais (para honrar os compromissos com os credores internos e externos do governo) e a implementação de políticas sociais e de crédito que melhoraram a distribuição de renda e ampliaram o mercado interno como nunca. Menos sorte teve Dilma Rousseff, cuja política econômica, calcada na mesma lógica de seu antecessor, porém sob condições de crescimento e liquidez internacional adversas, naufragou, junto com seu capital político e a credibilidade de seu partido.

Não chegou a governar em seu segundo mandato, vítima de um golpe parlamentar-jurídico-midiático (ainda em curso) que se aproveitou do resultado eleitoral que revelou um país dividido ao meio.

Em pouco tempo, o governo Temer – que não é fruto de um pacto democrático e só se mantém mediante acordos espúrios com o que há de mais atrasado na política brasileira (o baixo clero parlamentar, setores quase-fascistas da opinião pública liderados pela grande mídia e grupos específicos no aparato estatal jurídico e repressivo), e graças à baixa densidade cidadã que caracteriza o eleitorado desde sempre - pôs por terra o pacto estabelecido e conduzido por “Lulinha Paz e Amor” (que não sem controvérsia foi chamado de neodesenvolvimentismo).

Na prática, o grupo ora no poder (em sua maioria a velha-guarda pré-Constituição de 1988) vai rapidamente revertendo tudo que apontava na direção da redistribuição de renda e da soberania popular e nacional, na medida em que o pacto em curso começou a “ficar caro” para os mais ricos, a partir do momento em que o crescimento se reverteu (diminuindo o “bolo” a dividir), na esteira da crise financeira internacional de 2008.

Está em curso, como consequência, um novo conflito redistributivo, dessa vez os de cima buscando retirar renda e riqueza dos de baixo, sem a menor cerimônia ou dor de consciência.

O discurso teórico que sustenta esse giro radical na política econômica é o da necessidade de reduzir os riscos que elevam a taxa de juros (basicamente os riscos decorrentes da elevação da relação da dívida/PIB, puxada pela potencial crise previdenciária) e de “modernizar as relações trabalhistas” encarecedoras da produção (o que implica, de fato, numa volta à era pré-capitalista das relações de trabalho), para com isso criar um ambiente de negócios favorável à retomada do crescimento.

Esquecem-se, os que abraçam esse discurso duvidoso, com ares de ciência (que, aliás, despreza a História), que não há ambiente de negócios favorável onde a massa salarial mingua, o desemprego é mascarado por subempregos, as receitas tributária e previdenciária caem, o governo cuida apenas do pagamento da dívida (sem, entretanto, solucioná-la) e sucateia dramaticamente os serviços públicos e as políticas públicas.

Esquecem-se, sobretudo, de que não haverá Nação alguma - nem mercado - onde o povo é excluído, onde não há projeto de desenvolvimento sendo urdido e onde as relações com o resto do mundo aceitam o neocolonialismo submisso às finanças internacionais.

* Valdemir Pires e Cláudio Paiva são professores da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara.



Dia Bissexto

A cada quatro anos, a humanidade recebe um presente – um presente especial que não pode ser forjado, comprado, fabricado ou devolvido – o presente do tempo.

Autor: Júlia Roscoe


O casamento e a política relacional

Uma amiga querida vem relatando nas mesas de boteco a saga de seu filho, que vem tendo anos de relação estável com uma moça, um pouco mais velha, que tem uma espécie de agenda relacional bastante diferente do rapaz.

Autor: Marco Antonio Spinelli


O que esperar do mercado imobiliálio em 2024

Após uma forte queda em 2022, o mercado imobiliário brasileiro vem se recuperando e o ano de 2023 mostrou este avanço de forma consistente.

Autor: Claudia Frazão


Brasileiros unidos por um sentimento: a descrença nacional

Um sentimento – que já perdura algum tempo, a propósito - toma conta de muitos brasileiros: a descrença com o seu próprio país.

Autor: Samuel Hanan


Procurando o infinito

Vocês conhecem a história do dragãozinho que procurava sem parar o infinito? Não? Então vou te contar. Era uma vez….

Autor: Eduardo Carvalhaes Nobre


A reforma tributária é mesmo Robin Hood?

O texto da reforma tributária aprovado no Congresso Nacional no fim de dezembro encerrou uma novela iniciada há mais de 40 anos.

Autor: Igor Montalvão


Administrar as cheias, obrigação de Governo

A revolução climática que vemos enfrentando é assustadora e mundial. Incêndios de grandes proporções, secas devastadoras, tempestades não vistas durante décadas e uma série de desarranjos que fazem a população sofrer.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


Escravidão Voluntária

Nossa única revolução possível é a da Consciência. Comer com consciência. Respirar com consciência. Consumir com consciência.

Autor: Marco Antonio Spinelli


Viver desequilibrado

Na Criação, somos todos peregrinos com a oportunidade de evoluir. Os homens criaram o dinheiro e a civilização do dinheiro, sem ele nada se faz.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


Mar Vermelho: o cenário atual do frete marítimo e seus reflexos globais

Como bem sabemos, a crise bélica no Mar Vermelho trouxe consigo uma onda de mudanças significativas no mercado de frete marítimo nesse início de 2024.

Autor: Larry Carvalho


O suposto golpe. É preciso provas…

Somos contrários a toda e qualquer solução de força, especialmente ao rompimento da ordem constitucional e dos parâmetros da democracia.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


Oportunidade de marketing ou marketing oportunista?

No carnaval de 2024, foi postada a notícia sobre o "Brahma Phone" onde serão distribuídas 800 unidades de celulares antigos para os participantes das festas de carnaval.

Autor: Patricia Punder