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A negociação eletrônica de eletricidade

A negociação eletrônica de eletricidade

16/03/2012 Gérson Schmitt

Com o grande apagão de 2001, o Brasil conscientizou-se que precisava modernizar o modelo setorial e a gestão do mercado de energia elétrica como pré-condição para viabilizar o crescimento do país.

Sem energia não haveria progresso sócio-econômico. O desenvolvimento do país, os equipamentos da era digital e as conquistas sociais de uma década mais do que dobraram o consumo de energia das famílias e ampliou significativamente a demanda do setor produtivo. No primeiro momento do apagão, os preços da energia no atacado saltaram de pouco mais de R$ 100,00 para mais de R$ 600,00/MWh.

O principal motivo era o desconhecimento do mercado do total da demanda e da oferta, de quem tinha energia disponível para despachar ou excedentes contratados para negociar e de quem precisa comprar energia para suprir a necessidade de abastecimento de mercado. Em apenas 17 dias, a Paradigma atendeu uma solicitação da BOVESPA para colocar no ar um portal de negociação para o mercado atacadista de energia, baseado em técnicas de e-book building, com um algoritmo especializado, que buscava o melhor preço de equilíbrio.

Para atender o maior número de solicitações postadas de compra e venda de energia, era estabelecida a prioridade de atendimento para os tomadores que pagavam melhores preços e para as ofertas que vendiam energia pelo menor preço, todos atendidos pelo preço de equilíbrio, até que uma das pontas de oferta ou demanda se esgotasse. Em poucos dias, o mercado voltou à normalidade e aquela experiência fomentou o que hoje representa, no cenário internacional, o modelo brasileiro de negociação de energia no mercado de atacado, estudado como fonte de inspiração ao lado de mercados maduros como da Inglaterra.

Pela necessidade de elevados investimentos em geração, distribuição e comercialização, a melhor garantia de atração de investidores seria retirar do sistema as incertezas sobre o preço e demandas futuras e a metodologia de reajuste das tarifas de energia. Passando inicialmente por entidades como ASMAE (Administradora de Serviços do Mercado Atacadista de Energia Elétrica), MAE (Mercado Atacadista de Energia) até a coordenação definitiva do mercado de energia pela CCEE – Câmara de Comercialização de Energia Elétrica iniciada em 2001, a criação de marcos regulatórios para um novo modelo setorial, a consolidação de uma tecnologia de negociação eletrônica, de gestão de BackOffice de contratos e de indicadores do setor tomaram especial força quando a então Ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff,  assumiu esta estratégia e objetivo como uma  prioridade de sua pasta.

Neste cenário positivo de país em crescimento e o setor no centro das prioridades do país muito antes de existir o PAC - que acabou incorporando grandes obras do segmento -, foram sendo realizadas inúmeras leis, normas e dezenas de eventos de negociação eletrônica de contratos futuros, que começaram com energia existente (velha), despachos de projetos de geração já em andamento (botox), depois vieram os sucessivos leilões de contratos de energia nova, leilões de excedentes, de ajuste e reserva (despachada somente sob demanda do sistema, substituindo outras fontes), além dos leilões de energia alternativa (biomassa e eólica).

Foi um período de aprendizado contínuo, onde foi regulamentado o ascendente mercado de consumidores livres que passaram também a comprar sua própria energia de geradoras ou através de centenas de comercializadoras que se especializaram neste mercado. Na retaguarda do sistema das empresas e das autoridades setoriais como CCEE e ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), passaram a ser administrados indicadores operacionais, de qualidade e de desempenho setorial.

O crescimento das negociações eletrônicas no atacado e no mercado livre passou a gerar uma imensidão de contratos de alto valor para entrega futura de energia, que demandou uma plataforma de backoffice robusta e tecnicamente muito especializada para poder viabilizar a gestão de portfólios de contratos de compra e venda de energia, balanço e risco energético e indicadores setoriais, cada vez mais controlados de forma sistêmica e sujeitos a multas expressivas. Outra grande conquista do setor, que certamente sofrerá evoluções no futuro, foi à instituição do PLD – Preço de Liquidação de Diferenças, que estabelece o preço de ajuste de posições junto a CCEE, para liquidação de posições excedentes vendidas ou compradas, criando uma solução de ajuste sistêmico com transparência e previsibilidade.

A possibilidade de previsão de preços e a demanda futura, praticamente assegurada com a estabilidade de regras de mercado e evoluções do modelo que melhoravam sua gestão e operação a cada ano, atraíram de forma definitiva e consistente dezenas de bilhões de dólares em investimentos no setor energético brasileiro, que tem uma capacidade instalada total que supera 100 GW e opera com demanda anual da ordem de 55 GW médios e capacidade de despacho um pouco superior, com crescimento anual da capacidade instalada em torno de 3 a 5 GW médios de geração, com perspectivas de dobrar esse número nos próximos 3 anos.

Todo este movimento que se iniciou e foi suportado ao longo de uma década por processos de alta eficiência e confiabilidade de negociação eletrônica de energia elétrica no país foi o ambiente onde a Paradigma tornou-se a líder nacional de tecnologia para o setor, com atendimento de 100% dos mega-leilões da CCEE (cerca de R$ 800 bilhões) e com mais de 50% dos contratos setoriais administrados por sua plataforma de gestão que já atende projetos na América Latina e Europa, gerando divisas e reconhecimento de uma tecnologia genuinamente nacional que conquista o mundo.

Há vários fatos pitorescos nesta trajetória, mas em particular, recordo-me quando em uma madrugada de 2003, durante um prolongado apagão de vários dias em Florianópolis, sede da Paradigma, de onde estaria sendo realizado um mega-leilão de energia elétrica para atender todo o país, o então Superintendente da CCEE, Luiz Eduardo Barata Ferreira, atual  presidente do seu conselho de administração, me telefonou para assegurar-se que haveria leilão de energia no dia seguinte, mesmo sem abastecimento de energia na Ilha de Santa Catarina.

Naquele ocasião, a  equipe da Paradigma realizou o evento com geradores na calçada do prédio onde ficava a empresa, mantendo a estatística de 100% de êxito em todos os mega-leilões de compra e venda de energia elétrica realizados para a CCEE no Brasil ao longo de uma década. Atualmente, o modelo setorial de negociação de energia avança além de diversas discussões sobre o futuro do preço da energia, a sua provável substituição de um modelo matemático para um preço formado pelo mercado, a renovação das concessões e outros assuntos tão importantes quanto os citados acima.

Em 2011, o setor foi congratulado com importantes movimentos que atestam que a estratégia em 2001 estava correta. Sediamos pela 1ª vez no Brasil a plenária da APEX (Association Power Exchange) que no mês de outubro reuniu-se no Rio de Janeiro para compartilhar experiências, envolvendo mais de 40 nacionalidades diferentes. No 3º. Encontro Anual do Mercado de Livre, realizado na praia do Forte, na Bahia, em novembro, foi anunciado o lançamento do BBCE – Balcão Brasileiro de Contratos de Energia, criado pelos próprios agentes do mercado, com escolha da plataforma Paradigma WBC Energy para atender o projeto que pode antecipar a maturidade do mercado de negociação eletrônica e registro de contratos de fornecimento de energia elétrica no Brasil.

* Gérson Schmitt é Presidente do Conselho de Administração da Paradigma Business Solutions.



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