Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Espionagem em voga

Espionagem em voga

01/08/2010 Marizete Furbino

"Boas pessoas não precisam de leis para obrigá-las a agir responsavelmente, enquanto as pessoas ruins encontrarão um modo de contornar as leis." ( Platão)

Em meio ao emaranhado da “guerra de mercado”, observamos uma prática muito em voga hodiernamente – a prática da espionagem. Empregadores ficam tão obcecados pela produtividade, qualidade e competitividade, que decidem espionar cada vez mais a vida do colaborador, ficando bem claro tal comportamento quando decidem realizar rastreamento de e-mails e a fazer espionagem também através de câmeras de vídeo, restando apenas a vontade de realizar a implantação de um chip nos corpos de todos os envolvidos, monitorando assim, de vez, toda a vida do colaborador.

Note-se, entretanto, que o empregador quando toma tais decisões, se esquece que a empresa é composta por gente, que possui anseios e necessidades, assim como também possui talentos, conhecimentos e habilidades, e que colaborador satisfeito é sinônimo de produtividade. É com essa diretriz que a empresa deverá obrigatoriamente pensar em como satisfazer o seu colaborador e por outro lado o colaborador deverá pensar em como satisfazer a empresa, caso contrário, esse último poderá ser convidado desvincular-se da mesma.

Ademais, quando se verifica atos de espionagem, percebe-se que a empresa perdeu a noção do que é empreender de fato, querendo controlar não somente a produtividade, mas desejando controlar até mesmo o “suspiro” do colaborador.

Nesse diapasão, torna-se imprescindível lembrar as empresas que naquilo que tange especificamente a espionagem do correio eletrônico pessoal, faz-se necessário não se esquecer que como o próprio nome já diz ser algo pessoal, tendo o caráter estritamente particular, pertencendo exclusivamente ao colaborador. É fundamental assimilar que a empresa não tem o direito de fiscalizar e-mails e seus conteúdos. Portanto, se assim o fizer, a empresa estará violando os direitos de intimidade e de privacidade do colaborador, uma vez que tais conteúdos ali contidos, se restringem à sua vida pessoal e não à empresa no qual exerce as suas funções.

Em outra análise, em horário de trabalho e diante de um contrato firmado, tendo em vista o investimento realizado pela empresa, o risco do empreendimento e a sobrevivência no mercado, nada mais justo do que o empregador monitorar as ações relacionadas ao exercício da função do trabalhador, mas, devendo respeitar os direitos constitucionais, não “ferindo” as já aludidas intimidade e privacidade. Um expediente aceitável e bastante utilizado é o bloqueio ao acesso a sítios que nada têm a ver com o trabalho do colaborador, tais como Orkut, sítios eróticos, etc. Procedendo assim, não realizando monitoramento considerado abusivo e nem de caráter oculto, a empresa estará fazendo meramente um monitoramento administrativo; caso contrário, poderá o empregado rescindir seu contrato e pleitear indenização judicialmente.

Todavia, sabemos também que o trabalhador carrega consigo como “sobrenome” o nome da empresa no qual exerce suas funções; assim, deverá zelar pelos seus atos e comportamento, tendo bom senso e o cuidado para não realizar atos que porventura poderão denegrir e comprometer a honra, bem como a imagem da empresa.

É correto pensar que quando o colaborador se encontra em seu ambiente laboral e satisfeito em sua função, o mesmo realiza seu exercício com prazer, se envolvendo e se comprometendo cada vez mais, sendo de fato um intra-empreendedor, não restando tempo ocioso para realizar qualquer tipo de ato que porventura contrarie a cultura organizacional da qual faz parte.

Por outro lado, verifica-se que, se os colaboradores necessitam ser monitorados, parte da falha está na própria organização, alguma distorção está acontecendo, e diante deste cenário é lamentável perceber que os administradores ainda não enxergaram quais as falhas estão ocorrendo, pior ainda, se não tiveram a capacidade de enxergar tais distorções, não saberão o que fazer para corrigi-las, “apelando” para atitudes que só irão contribuir para destruir a motivação do colaborador, correndo-se o risco de não obter a produtividade desejada bem como de perder grandes profissionais que ali atua.

Importante salientar que colaboradores satisfeitos não necessitam de monitoramento. Tais profissionais realizam o trabalho com muita paixão, se entregando de fato ao que se propõem a fazer, não tendo nem sequer tempo de verificar correio eletrônico pessoal ou de realizarem qualquer ato que comprometa a imagem da empresa, pois suas atenções se encontram concentradas em suas atribuições, atuando de forma a atender às reais expectativas da empresa.

Finalmente, considerando que a empresa deve atender às expectativas e anseios do colaborador, e lembrando que este é um ser humano, torna-se viável que, quando em ambiente laboral, o colaborador, em alguns momentos, faça o uso do correio eletrônico, desde que não abusivamente; assim, a empresa não deverá exercer restrição, limitação, ou embargo quanto ao exposto acima, mas quem imporá o limite e de forma consciente será o próprio colaborador.

* Marizete Furbino, com formação em Pedagogia e Administração pela UNILESTE-MG, especialização em Empreendedorismo, Marketing e Finanças pelo UNILESTE-MG. É Administradora, Consultora de Empresa e Professora Universitária no Vale do Aço/MG - e-mail: [email protected]



O Renascimento

Hoje completa 2 anos que venci uma cirurgia complexa e perigosa que me devolveu a vida quase plena. Este depoimento são lembranças que gostaria que ficasse registrado em agradecimento a Deus, a minha família e a vários amigos que ficaram ao meu lado.

Autor: Eduardo Carvalhaes Nobre


Argentina e Venezuela são alertas para países que ainda são ricos hoje

No meu novo livro How Nations Escape Poverty, mostro como as nações escapam da pobreza, mas também tenho alguns comentários sobre como países que antes eram muito ricos se tornaram pobres.

Autor: Rainer Zitelmann


Como a integração entre indústria e universidade pode trazer benefícios

A parceria entre instituições de ensino e a indústria na área de pesquisa científica é uma prática consolidada no mercado que já rendeu diversas inovações em áreas como TI e farmacêutica.

Autor: Thiago Turcato


Marcas de um passado ainda presente

Há quem diga que a infância é esquecida, que nada daquele nosso passado importa. Será mesmo?

Autor: Paula Toyneti Benalia


Quais são os problemas que o perfeccionismo causa?

No mundo complexo e exigente em que vivemos, é fácil se deparar com um padrão implacável de perfeição.

Autor: Thereza Cristina Moraes


De quem é a América?

Meu filho tinha oito anos de idade quando veio me perguntar: “papai, por que os americanos dizem que só eles vivem na América?”.

Autor: Leonardo de Moraes


Como lidar com a dura realidade

Se olharmos para os acontecimentos apresentados nos telejornais veremos imagens de ações terríveis praticadas por pessoas que jamais se poderia imaginar que fossem capazes de decair tanto.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


O aumento da corrupção no país: Brasil, que país é este?

Recentemente, a revista The Economist, talvez a mais importante publicação sobre a economia do mundo, mostrou, um retrato vergonhoso para o Brasil no que diz respeito ao aumento da corrupção no país, avaliação feita pela Transparência Internacional, que mede a corrupção em todos os países do mundo.

Autor: Ives Gandra da Silva Martins


O voto jovem nas eleições de 2024

O voto para menores de 18 anos é opcional no Brasil e um direito de todos os adolescentes com 17 ou 16 anos completos na data da eleição.

Autor: Wilson Pedroso


Um novo e desafiador ano

Janeiro passou. Agora, conseguimos ter uma ideia melhor do que 2024 reserva para o setor de telecomunicações, um dos pilares mais dinâmicos e relevante da economia.

Autor: Rafael Siqueira


Desafios da proteção de dados e a fraude na saúde

Segundo o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) R$ 34 bilhões dos gastos das operadoras médico-hospitalares com contas e exames, em 2022, foram consumidos indevidamente por fraudes, como, por exemplo, reembolso sem desembolso, além de desperdícios com procedimentos desnecessários no país.

Autor: Claudia Machado


Os avanços tecnológicos e as perspectivas para profissionais da área tributária

Não é de hoje que a transformação digital vem impactando diversas profissões.

Autor: Fernando Silvestre