Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Ficção econômica

Ficção econômica

08/09/2011 Ivo Barbiero

A temida bolha da economia brasileira, propalada por alguns alarmistas, pode ser classificada como obra de ficção econômica.

Na prática, os índices de inadimplência mantêm-se em parâmetros ainda seguros e não ameaçam o sistema financeiro e nem a liquidez das empresas.

 

O cenário atual do Brasil nada tem de semelhante com a conjuntura dos Estados Unidos em 2008, epicentro da grande crise mundial. Naquela oportunidade, após três décadas de formação, existia imensa quantidade de títulos sem lastro, muitos deles atrelados ao mercado imobiliário. Eram papeis podres, assim como seus derivativos, que foram sendo rolados no mercado financeiro até um limite absurdo. Quando não houve mais como honrá-los, o sistema implodiu, gerando uma quebradeira em série. O fim da história, todos conhecem. Em nosso país, inclusive em função dos controles mais adequados e rígidos sobre o sistema financeiro, nem de longe há qualquer semelhança com o ocorrido no mercado norte-americano.

O que temos é um pequeno avanço da inadimplência das pessoas físicas, em proporções ainda não preocupantes. Há, ainda, um crescimento da inflação, provocado, principalmente, pelos chamados valores indexados, constituídos pelo conjunto das tarifas públicas (água, energia elétrica e telefone), aluguel, anuidades escolares e o aumento do salário mínimo, além da significativa majoração das commodities e dos alimentos. Contudo, para se entender melhor a realidade do que está ocorrendo no Brasil e constatar que não se trata de bolha, é necessário analisar com mais atenção algo inerente a um aspecto muito peculiar de nossa cultura: a despreocupação quanto ao preço real de alguns bens, em especial eletro-eletrônicos, móveis, imóveis e veículos.

A decisão de compra baseia-se, prioritariamente, na capacidade orçamentária mensal de pagamento das prestações. Soma-se a isso a formidável inclusão de 50 milhões de pessoas no mercado consumidor desde 2003, ávidas, com justiça, por usufruir de sua ascensão econômica. Em síntese, o País tem um crescente mercado consumidor, muito disposto a adquirir bens, desde que haja crédito disponível e capacidade de honrar as parcelas. Como no capitalismo, considerando a inexorável lei do mercado, o limite dos valores das transações é estabelecido por quem compra e não por quem vende, não há dúvida de que vivemos uma conjuntura de sobrevalorização dos preços, que se soma aos fatores inflacionários.

Mesmo pagando os juros reais mais altos do mundo, continuamos consumindo. Isso explica recentes dados comparativos divulgados pela imprensa, de que São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília já têm preços maiores do que algumas das maiores e mais importantes cidades do Hemisfério Norte. A efetiva solução dos problemas exige foco muito firme na realidade. É infrutífero tratar de questões hipotéticas ou fictícias. Afinal, enquanto se perde tempo com a ficção podemos ser atropelados pela indesejável realidade dos juros altos e da inflação.

Ivo Barbiero* é economista, é presidente da proScore, Bureau de Informação e Análise de Crédito.

 



Argentina e Venezuela são alertas para países que ainda são ricos hoje

No meu novo livro How Nations Escape Poverty, mostro como as nações escapam da pobreza, mas também tenho alguns comentários sobre como países que antes eram muito ricos se tornaram pobres.

Autor: Rainer Zitelmann


Como a integração entre indústria e universidade pode trazer benefícios

A parceria entre instituições de ensino e a indústria na área de pesquisa científica é uma prática consolidada no mercado que já rendeu diversas inovações em áreas como TI e farmacêutica.

Autor: Thiago Turcato


Marcas de um passado ainda presente

Há quem diga que a infância é esquecida, que nada daquele nosso passado importa. Será mesmo?

Autor: Paula Toyneti Benalia


Quais são os problemas que o perfeccionismo causa?

No mundo complexo e exigente em que vivemos, é fácil se deparar com um padrão implacável de perfeição.

Autor: Thereza Cristina Moraes


De quem é a América?

Meu filho tinha oito anos de idade quando veio me perguntar: “papai, por que os americanos dizem que só eles vivem na América?”.

Autor: Leonardo de Moraes


Como lidar com a dura realidade

Se olharmos para os acontecimentos apresentados nos telejornais veremos imagens de ações terríveis praticadas por pessoas que jamais se poderia imaginar que fossem capazes de decair tanto.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


O aumento da corrupção no país: Brasil, que país é este?

Recentemente, a revista The Economist, talvez a mais importante publicação sobre a economia do mundo, mostrou, um retrato vergonhoso para o Brasil no que diz respeito ao aumento da corrupção no país, avaliação feita pela Transparência Internacional, que mede a corrupção em todos os países do mundo.

Autor: Ives Gandra da Silva Martins


O voto jovem nas eleições de 2024

O voto para menores de 18 anos é opcional no Brasil e um direito de todos os adolescentes com 17 ou 16 anos completos na data da eleição.

Autor: Wilson Pedroso


Um novo e desafiador ano

Janeiro passou. Agora, conseguimos ter uma ideia melhor do que 2024 reserva para o setor de telecomunicações, um dos pilares mais dinâmicos e relevante da economia.

Autor: Rafael Siqueira


Desafios da proteção de dados e a fraude na saúde

Segundo o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) R$ 34 bilhões dos gastos das operadoras médico-hospitalares com contas e exames, em 2022, foram consumidos indevidamente por fraudes, como, por exemplo, reembolso sem desembolso, além de desperdícios com procedimentos desnecessários no país.

Autor: Claudia Machado


Os avanços tecnológicos e as perspectivas para profissionais da área tributária

Não é de hoje que a transformação digital vem impactando diversas profissões.

Autor: Fernando Silvestre


Inteligência Artificial Generativa e o investimento em pesquisa no Brasil

Nos últimos meses, temos testemunhado avanços significativos na área da inteligência artificial (IA), especialmente com o surgimento da inteligência artificial generativa.

Autor: Celso Hartmann