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Idioma não pode ser fator decisivo para mudar de país

Idioma não pode ser fator decisivo para mudar de país

22/03/2018 Daniel Toledo

Não se iluda com a questão do idioma.

Começo do ano visitei alguns países da Europa como Espanha, Portugal e Inglaterra e, no final de 2017, também viajei para Reykjavík, na Islândia, para acompanhar um cliente que investe, entre outras frentes, na exploração de energia geotérmica.

Fiquei impressionado com a estrutura e a proposta do empreendimento. Apostar em fontes renováveis não é o futuro e sim o presente. Diante deste cenário inovador, me deparo com a mentalidade do governo brasileiro em relação a expansão das usinas hidroelétricas. De forma a degradar constantemente o meio ambiente, seguem alagando terrenos acabando com moradias e reservas trazendo grande impacto ambiental.

É triste olhar quanta besteira acontece no Brasil, não consigo acreditar que um político sério, competente, que pode viajar e conhecer outras realidades não saiba que esse tipo de situação existe. Mas eu tenho uma boa notícia para quem acredita na sustentabilidade. Em breve, estarei no Brasil para ministrar uma palestra sobre o tema, com o intuito de difundir essa tecnologia que permite usar os recursos naturais de forma consciente.

Além de respeitar o meio ambiente, vai gerar uma série de oportunidades para novos negócios, que contemplarão brasileiros ou outras nações. São painéis muito semelhantes aos da Tesla, usados na captação de energia solar para telhas.

Apenas o telhado que é um pouco diferente porque é usado em lugares onde o frio é intenso, e por isso é adaptado para aproveita a mesma energia solar para fazer o aquecimento da casa. Paredes, pisos, acabamentos e até o banheiro, não sofrem com a alteração da temperatura graças a essa captação de energia limpa.

Já durante a minha ida para Portugal, encontrei alguns brasileiros que optaram por morar lá e perguntei a todos o motivo da escolha e a resposta sempre é a mesma, "porque é mais fácil". Sinto em dizer, mas às vezes, não é. Não se iluda com a questão do idioma.

Busque informações muito concretas, com profissionais que conheçam aquele determinado mercado, a região, características e principalmente a legislação. Somente com esta análise será possível apontar alternativas de investimentos e novos negócios. Eu conversei com 12 brasileiros.

Desses, dois estão muito bem, leia-se classe média, um pouquinho para cima. E os outros dez estão de classe média para baixo ou até um pouco menos. Metade deles me disseram que estão felizes, a outra disse que estão pensando em ir para outros lugares. Portugal é uma oportunidade ou Europa é uma oportunidade, para quem tem condição de ir até a Europa? É, é sim. Mas a economia é muito diferente.

Analisando o país, concluo que lá seria um "Brasil que deu um pouco mais certo". E não espere encontrar elementos que denotam uma economia pungente como prédios arrojados, tecnologias inovadoras ou carros sofisticados, como se vê nos Estados Unidos, Alemanha, Austrália, Japão, e no Canadá. É algo totalmente diferente.

A mudança de país deve anteceder a três passos: conversa com a família, consulta um profissional e planejamento. Estudar a economia é fundamental, afinal, esse fator que vai influenciar no resultado da sua empresa, lembre-se que além da adaptação, é preciso se preocupar como ira sustentar você e a sua família.

E o tão sonhado visto só vem quando tudo isso caminha de forma correta e ordenada. Há uns quatro anos, um casal de brasileiros veio até o meu escritório com a ideia de se mudar para Barcelona. Estudamos todos os impactos e ajustes que precisariam ser feitos para tirar aquele sonho do papel e pôr em prática.

Em conjunto, criamos um plano estruturado, apresentando todas as possibilidades de negócios e quantidade a ser investida. A cada seis meses, nos reunimos via Skype para debater sobre as etapas concluídas e o que ainda precisava ser feito. Com cautela e planejamento, eles embarcaram para Espanha ano passado.

Essa preparação é importantíssima para qualquer pessoa que pense em sair do seu país. Caso contrário, o risco de depender do governo é grande e parasitar em um sistema do qual está tentado usufruir para melhorar de vida, não vai dar certo.

* Daniel Toledo é advogado, sócio fundador da Loyalty Miami e consultor de negócios.



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