Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Imagem de moda: a tradução das tendências

Imagem de moda: a tradução das tendências

23/08/2014 Marcio Banfi

Quando pensamos em tendência de moda, a primeira coisa que nos vem à cabeça é: de onde partiu essa ideia? Ou ainda: isso dá para usar?

O mercado de moda funciona como uma cadeia, com elos intercalados e interdependentes. Cada coisa vem de um lugar e cada detalhe é importante. Ao desfilar uma coleção nas passarelas, o estilista carrega seis meses de pesquisa que incluem, obviamente, informações de mercado e uma linha de pensamento para justificar seu tema e sua poesia.

A decisão sobre o que precisa estar em um desfile, numa campanha ou ir diretamente às lojas está calcada em um balanço prévio, que considera os itens que vendem “sozinhos” ou que precisam da força de uma imagem de moda. Mas roupa já não é moda? Não é bem assim... O que vestimos é nossa identidade, um resumo básico de como nós nos apresentamos. Mas o que acontece no mundo hoje é reflexo do que vestiremos amanhã. Sim, a moda é séria.

Talvez uma das formas mais fáceis de entendermos períodos políticos, desenvolvimentos e progressos culturais. Através da vestimenta podemos compreender o que se passou em determinada época ou identificar crenças e tradições. Ou seja, determina quem somos. Uma guerra hoje indica que muito em breve é possível que vejamos camisas camufladas ou bermudas em "tons exército" pelas ruas, retrabalhados com bordados ou brilhos. O cinema também contribui muito para o surgimento de uma tendência.

As celebridades despertam desejos em simples mortais. Queremos ter aquele vestido, aquele cabelo, aquela vida, queremos também ser desejáveis. Bastam alguns dias para que a roupa que a protagonista vestiu no capítulo de ontem da novela das oito esteja nas vitrines dos shoppings. É popularizando que a moda se torna moda. Mostra que é possível vestir determinada peça que em um primeiro momento parecia feia ou até mesmo "conceitual" demais e, porteriormente, torna-se uma tendência mais acessível.

Blogueiros do mundo todo ditam o que é legal de se usar e até passam por cima ou desafiam críticas apuradíssimas de moda. Ele é o representante "comum", aquele que é igual a nós, portanto, "podemos confiar". Ainda assim, estão longe de serem os únicos a saberem o que será moda. Eles são o filtro. Com sua popularidade e sucesso apostam em determinadas tendências e passam de maneira simplificada (às vezes até demais) ao público. Porém, a coisa não é tão simples.

No momento em que uma peça é desfilada não queremos ver apenas a roupa. Queremos o espetáculo. E as marcas precisam disso para firmarem seu posicionamento junto ao público consumidor. É nesse momento que aparece a imagem de moda, que nada mais é do que uma representação poética de uma ideia através da roupa, ou seja, é o tema de uma coleção traduzida na figura que desfila à sua frente. Em muitos casos, a roupa é coadjuvante. A performance, a atitude, o cenário, a ordem de entrada, a cartela de cores e a trilha sonora nos coloca em um ambiente facilitador para a compreensão do que o estilista quer passar.

Acessórios também ajudam na composição do look. A utilização de simbologias é o que pode diferenciar um desfile do outro, já que todos estão sujeitos às mesmas tendências. É a forma de se diferenciar. E aí aparece sempre uma pergunta: "mas isso dá pra usar?". Existem desejos, gostos e principalmente coragem para tudo. Sempre tem quem use, acredite. Porém não é porque foi apresentada daquela forma que é para ser usada assim.

Aquela é a maneira artística, poética, que partiu de uma série de referências para o entendimento do que foi trabalhado. Portanto, a tendência existe, claro. Mas a representação de cada marca perante as tendências é o que fará o comprador se identificar com elas. Através de desfiles, campanhas ou vitrines de suas lojas. Essa é a principal tendência.

*Marcio Banfi é coordenador da pós-graduação em Styling e Imagem de Moda da Faculdade Santa Marcelina – FASM.



Dinheiro, um mito em extinção

Todos nós, ao longo da vida, ouvimos as mais incríveis histórias (verdadeiras ou fantasiosas) sobre o dinheiro.


A Feira do Livro de Lisboa – 2019

A Feira do Livro de Lisboa é uma instituição, é uma tradição da cidade.


Onde está a boa educação?

Outrora, o idoso, era respeitado no local de trabalho e na sociedade.


Saneamento básico no Brasil

A infraestrutura que não chega ao esgoto.


Em novos tempos deve-se ter novas práticas

Na Capital fala-se muito em Menos Brasília, Mais Brasil.


Espiritualidade e alegria junina

Junho traz festas de três santos católicos: Antônio, casamenteiro. São João, profeta precursor de Jesus e São Pedro, único apóstolo que caminhou sobre as águas.


Missão do avô

Na família os avós são conselheiros dos pais e dos netos.


A importância das relações governamentais e institucionais

As relações governamentais e institucionais têm sido um instrumento de alta relevância para qualquer organização no atual momento político brasileiro.


Namoro na adolescência: fato ou fake?

O início da adolescência coincide com o final do Ensino Fundamental, fase em que desabrocham as paixões e, com elas, o convite: “quer namorar comigo?”.


Autobiografias: revelações das experiências em família

A curiosidade de muitas pessoas sobre a (auto) biografia de personalidades tem se tornado cada vez mais crescente, nos últimos anos.


What a wonderful world

Louis Daniel Armstrong foi um cantor e instrumentista nascido na aurora do século 20, e foi considerado “a personificação do jazz”.


A violência doméstica

Em Portugal, desde o início do ano, apesar de se combater, por todos os meios, a violência na família, contam-se já mais de uma dezena de mulheres, assassinadas.