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Ingestão de álcool e câncer

Ingestão de álcool e câncer

13/08/2013 Leandro Ramos

A ingestão de álcool tem sido utilizada pelos seres humanos desde épocas remotas.

Durante todo este período, o consumo de bebidas alcoólicas tem se mostrado um paradoxo.

O seu uso responsável está relacionado a fins medicinais, religiosos e festivos. Porém, quando ingerido em excesso, as consequências individuais e coletivas podem ser catastróficas. O abuso do álcool é a terceira causa de morte evitável, atrás apenas do tabagismo e da obesidade.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece que para evitar problemas com o álcool, o consumo aceitável seria de até 30g de álcool/dia para homens e até 20g de álcool/dia para mulheres. Cada 10g de álcool equivale a 300 ml de cerveja, ou 120 ml de vinho, ou 30 ml de bebida destilada. Estes indivíduos que consomem esta quantidade são considerados bebedores moderados de álcool. Porém, este conceito não leva em consideração importantes diferenças individuais: metabolismo, vulnerabilidade genética e estilo de vida.

Estas características podem levar a uma maior ou menor intoxicação pelo álcool. De acordo com Castelnuovo (ArchIntern Med. 2006), a dose de 6 g de álcool/dia está relacionada com a redução da mortalidade geral em homens e mulheres. Crianças e adolescentes não devem consumir bebidas alcoólicas. Em algumas situações de risco à saúde, adultos também devem seguir esta orientação: mulheres grávidas, indivíduos com história pessoal ou familiar de etilismo, portadores de doenças hepáticas ou pancreáticas, entre outras.

A ingestão excessiva de bebida alcoólica além de deteriorar a vida social e familiar do indivíduo, causa inúmeras doenças, dentre elas o câncer. Câncer de mama: um importante estudo publicado por Chen (JAMA 2011) analisou a relação entre o álcool e o câncer de mama em mais de 100 mil mulheres. Os dados evidenciaram que o consumo de 10 g de álcool/dia aumenta em 10% o risco do surgimento deste câncer durante a vida da mulher. Câncer gastrointestinais: vários tumores desta localidade estão relacionados com a ingestão alcoólica.

Um estudo europeu coordenado por Schutze (BMJ 2011) que analisou mais de 350 mil pessoas, mostrou aumento do risco em até 44% para o surgimento das neoplasias do esôfago e estômago, aumento de 33% no risco do câncer originário do fígado e 17% de aumento no risco do câncer de intestino grosso. Câncer de boca e pescoço: o risco de câncer nesta região está intimamente relacionado ao consumo de álcool. Um recente estudo coordenado por Bagnardi (Ann Oncol 2013), mostrou que mesmo quantidades pequenas de álcool consumidas diariamente, aumentam o risco de câncer da orofaringe.

A associação entre cigarro e álcool aumenta ainda mais o risco de câncer, quando estes são usados isoladamente (IntEpidemiol. 1991). Estabelecer a relação entre quantidade ingerida de álcool e a sua consequência para a saúde tem sido um desafio para toda a comunidade científica. Diante de tantas variáveis, devemos ficar atentos para que o consumo de bebidas alcóolicas não seja causa de sofrimento para quem dela faz uso ou para a sociedade.

* Leandro Ramos, oncologista da Oncomed BH.



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