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Longevidade e tecnologia: a sinergia que redefine a expectativa de vida

Longevidade e tecnologia: a sinergia que redefine a expectativa de vida

20/09/2023 Diego Pereyra e Adriana Matte

Frutos de uma geração que quer viver mais e melhor, somos hoje protagonistas de um prognóstico incomum.

De acordo com a ONU, pela primeira vez na história, em 2018, as pessoas com 65 anos ou mais superaram numericamente, em nível global, as crianças com menos de cinco anos.

E a estimativa é de que o número de pessoas com 80 anos ou mais triplique nos próximos 30 anos, passando de 143 milhões em 2019 para 426 milhões em 2050.

Além do aumento na expectativa de vida, isso significa que há um declínio na taxa de natalidade e que uma em cada seis pessoas no mundo terá mais de 65 anos em 2050.

Certo que esse cenário varia de região para região, se a população mundial chegar aos 9,7 bilhões previstos no relatório (ONU, 2019), seremos 1,55 bilhões de “sessentões” em 30 anos.

Os avanços da ciência atrelados à medicina exercem um papel inquestionavelmente notório nesse contexto. Tanto enquanto tratamento, como enquanto prevenção, a tecnologia vem contribuindo não só para o aumento na expectativa de vida, mas também para a qualidade.

A inteligência artificial (AI) tem sido determinante no que tange a estudos e projetos relacionados à longevidade. Cada vez mais recursos são canalizados a projetos de investigação na reprogramação de células.

Estudos esses que são considerados peça essencial no quebra-cabeças que busca entender como e porque envelhecemos.

A tecnologia CRISPR-Cas9, que permite alterações no DNA das células e funciona de forma análoga a um programa de processamento de texto para corrigir um erro de ortografia ao eliminar ou inserir bits específicos de ADN em células com altíssima precisão, é magistral. Está à frente do seu tempo e remete a debates éticos.

O monitoramento remoto de pacientes (RPM) também vem tornando os procedimentos de monitoria cada vez mais eficientes e menos invasivos, contribuindo tanto para precisão de diagnósticos e intervenções proativas, como para os tratamentos em homecare. Isso sem falar na cura de doenças e na reabilitação de condições até então irreversíveis.

As ferramentas e prescrições no âmbito preventivo são extensas e estão ao alcance de todos.  Andrew Huberman, neurocientista, Ph.D. e professor na Stanford School of Medicine, internacionalmente conhecido pelo Scicomm Huberman Lab, tem uma abordagem multidisciplinar, consistente e descomplicada, orientada a promover a melhora tanto da saúde física como da mental.

O material disponível em suas plataformas digitais é extenso e parte do princípio: dormir bem, luz solar, exercícios, nutrientes e relacionamentos (inclusive consigo mesmo) são os 5 Pilares Fundamentais para a Saúde Física e Mental.

Huberman afirma que cada um desses pilares impacta nosso sistema nervoso, sistema endócrino, sistema imunológico e eixo intestino-cérebro de forma direta e indireta e de forma crônica ou aguda.

Embora haja inúmeros outros protocolos, atentar para esse core é imprescindível quando se trata de vitalidade e longevidade.

Ou seja: suplementos e dietas elaborados de acordo com cada biotipo são um 2º passo, como camadas customizadas que cumprem funções específicas e só fazem sentido se a estrutura básica estiver com as capacidades essenciais em ordem.

Vivemos uma era de incríveis possibilidades. Na qual indivíduos têm acesso a capacidades, recursos e conhecimentos disponíveis no início do século apenas a grandes corporações e/ou governos.

Estamos em meio à 4ª Revolução Industrial, na qual coisas falam inteligentemente com coisas (IoT) e impressoras 3D fazem coelhos sair da cartola.

Uma miríade de aparelhos e serviços que eram parte da nossa rotina, que consumiam espaço e tempo no dia a dia, hoje estão na palma da nossa mão, codificados em aplicativos cada vez mais customizados.

Robótica, clouding, VR-AR, IoT, AI, blockchain, 3D, 5G associadas à engenharia, física, biologia, medicina etc. são capazes de endereçar, solucionar e antecipar uma magnitude de questões sem precedentes na história.

Mesmo assim, a vida permanece um fascinante mistério e cabe a cada um de nós a responsabilidade de gerir como queremos estar em 20, 30, 50, 80 anos.

Se por um lado temos os exponenciais avanços tecnológicos, por outro, temos nossa capacidade cognitiva, que não só é a fonte de tais avanços, como a origem incubadora dos que virão.

São nossas escolhas, amparadas por nossas motivações, que, em última instância, determinarão o desfecho da história. E motivações no que tange à longevidade é um projeto de longo prazo.

É instinto aliado à lógica que leva a considerar tanto o eu de hoje como o eu de amanhã e a possível extensão e perpetuação desse eu futuro.

Certo que motivações, como marshmallows, vem em muitas cores e formatos, mas aquelas atreladas às descobertas e avanços científicos têm origem na curiosidade humana em ir atrás dos porquês, em imaginar, explorar e testar.

Lewis Carrol reverencia a curiosidade de forma única na clássica obra Alice no País das Maravilhas (1865) ao convidar a personagem a deixar a zona de conforto e explorar o mundo, conduzindo-a por experiências inusitadas, contraditórias e invariavelmente construtivas.

Entender as motivações humanas por trás de grandes feitos e a relação que temos com nosso eu de hoje e de amanhã deu ao antropólogo Ernest Becker o Prêmio Pulitzer em 1974, pela obra “A negação da morte”.

Nela o estudioso afirma que temos dois “eus”: o físico e o conceitual. O primeiro é aquele corpóreo e finito. O segundo é nossa identidade e o potencial que temos de nos eternizar a partir de nossos feitos.

Becker argumenta que os avanços e as conquistas da humanidade estão diretamente atrelados à consciência que temos da inevitabilidade da morte por um lado e do profundo e inato desejo de imortalidade por outro.

A longevidade está, justamente, no compasso entre esses dois “eus”, que se desafiam e avançam mutuamente: Alice em permanente movimento desbravando o mundo atrás de descobertas e a mente, cognitiva e inventiva, criando obras que transcendem ao tempo.

Em um framework objetivo: somos a integração de diversos sistemas que operam em sinergia visando o equilíbrio e a potencial evolução do organismo. Fortes e frágeis. Resistentes e flexíveis. Lúdicos e lógicos. Uma verdadeira obra de arte em movimento.

Talvez a evolução da ciência e o exponencial paradigma tecnológico que vivenciamos levem-nos a concluir em algum momento que somos de fato obras de arte em movimento e que a criatividade é nosso meio de conexão com o sistema da alma e com o divino que existe em cada um de nós.

Por ora, enquanto a equação da vida permanece incógnita, o melhor protocolo é investir em bons hábitos e cultivar a curiosidade.

Em outras palavras, tanto individual como corporativamente: identificar e valorizar a inteligência inerente aos processos e à sinergia dos sistemas, investindo na diversidade de perspectivas e nas Alices (moonshots) curiosas e dispostas a explorar e ir além.

Porque esse capítulo da história está recém começando! Os longevos de 2050 são os épicos, precursores, das gerações Y, Z, Alfa etc que, por sua vez, chegam ao mercado de consumo vibrando em sua própria frequência, donos de seus próprios valores, alinhados aos tópicos do milênio: mais intangíveis, dinâmicos, uberizados, multicanais, multirraciais, ambientais e de projeção e eco global.

* Diego Pereyra é médico e especialista em Healthcare da Softtek.

* Adriana Matte é Advisor Seguros da Softtek Brasil.

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Fonte: Via News



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