Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Mágica inflacionária

Mágica inflacionária

03/04/2012 Ivo Barbiero

Embora de modo despercebido para boa parte dos brasileiros, muda-se a fórmula de cálculo inflacionário, incluindo-se e se excluindo itens na “cesta” do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que diluem a majoração de alguns bens, produtos e serviços.

Tudo isso é pouco divulgado, mesmo por que no “pano de fundo” da economia nacional está a forte elevação de renda dos últimos anos, e a inflação oficial não tem o grande peso de “manchetejornalística” como os 80% que se verificavam em nosso país até meados dos anos 90. Há menor pressão da opinião pública quanto ao problema. Manobras espertas oficializaram para o exercício de 2011 uma taxa de inflação acumulada de 6,5%, exatamente no teto da meta estabelecida pelas autoridades monetárias.

O “feito”, como não poderia deixar de ser, suscitou enfática e efusiva comemoração de Brasília, na reafirmação, perante o País, a sociedade e o mercado, de que consegue cumpri-la rigorosamente há oito anos consecutivos. A “coincidência”, contudo, evidencia que a política econômica está jogando com algumas variáveis, buscando equilibrar os principais indicadores. A verdade, porém, conforme temos observado em vários artigos anteriores, é que a crise externa não está desestimulando a economia brasileira.

Muito ao contrário — e felizmente! —, o mercado interno continua aquecido. É exatamente em decorrência desse fator positivo que pode acabar sendo gerada a chamada inflação de demanda. Nesse contexto, já vem ocorrendo, inclusive com remédios, dentre outros produtos, uma velha prática bastante conhecida pelos brasileiros: troca-se a embalagem, muda-se a quantidade e/ou o peso da mercadoria e se aumenta o preço. Os bancos também reajustam suas tarifas de serviços.

Em consequência de todo esse cenário, a inadimplência cresce, provocando uma também disfarçada restrição ao crédito, que se dá de modo indireto, por meio dos juros reais mais altos do mundo, resultantes da equação “Selic+spreads bancários—inflação”. Como se observa, temos aqui uma questão complexa. As autoridades econômicas e monetárias, obviamente, sabem de tudo isso, mas seguem baixando a Selic, numa clara dicotomia entre a taxa básica oficial e os juros reais praticados pelo mercado. O principal objetivo contido nessa nova tendência de redução da Selic não é outro que não o de atenuar as despesas relativas ao serviço da dívida pública. O seu peso para os cofres públicos será menor quanto mais baixos forem os juros.|

Essa queda, no entanto, reduz a rentabilidade dos papéis públicos, diminuindo o interesse que despertam nosgrandes investidores (dealers). O governo, então, passa a estimular sua colocação em um mercado mais amplo, que é o publico em geral: em dezembro último, baixou de cem para trinta reais o teto para a compra direta dos títulos públicos por parte dos investidores e de quem tem algum dinheiro para aplicar.

Não se trata aqui, é claro, de defender a manutenção de juros elevados, que não estimulam a economia. Trata-se, sim, de demonstrar com clareza e transparência que algumas manobras artificiais para conter a inflação têm limites para serem colocadas em prática. O governo dispõe de mecanismos monetários e fiscais muito mais eficientes, mas está mantendo uma postura muito tênue.

O Brasil tem uma grande oportunidade histórica de solucionar de mododefinitivo algumas antigas questões estruturais que sempre atrapalharam os setores produtivos e mitigaram o crescimento do PIB. Vivemos um momento favorável em nossa economia, propiciado em grande parte pelo acerto da política econômica na adoção de medidas anticíclicas. Fomos o primeiro país a nos recuperar das crises em 2008 e 2009 e continuamos com o mercado dinâmico neste momento de retração na Europa.

Uma prioridade absoluta a ser atendida nessa conjuntura favorável é a reforma tributária, incluindo a desoneração dos investimentos. Menores impostos sobre operações de financiamento às empresas e crédito ao consumidor seriam indutores naturais da queda dos juros reais. Outra medida premente, que não pode mais ser adiada, é o equilíbrio fiscal, com a efetiva redução dos gastos públicos (não como tem sido feito, com o anúncio de cortes em despesas futuras superestimadas, mas sim gerenciando com mais critério a aplicação do dinheiro e a execução orçamentária).

Com tais providências, o governo poderia conciliar de maneira muito melhor o bem-vindo crescimento do PIB, que todos queremos, e o controle inflacionário, sem a necessidade de recorrer ao ilusionismo dos índices.

*Ivo Barbiero, economista, é presidente da proScore, Bureau de Informação e Análise de Crédito.



Marcas de um passado ainda presente

Há quem diga que a infância é esquecida, que nada daquele nosso passado importa. Será mesmo?

Autor: Paula Toyneti Benalia


Quais são os problemas que o perfeccionismo causa?

No mundo complexo e exigente em que vivemos, é fácil se deparar com um padrão implacável de perfeição.

Autor: Thereza Cristina Moraes


De quem é a América?

Meu filho tinha oito anos de idade quando veio me perguntar: “papai, por que os americanos dizem que só eles vivem na América?”.

Autor: Leonardo de Moraes


Como lidar com a dura realidade

Se olharmos para os acontecimentos apresentados nos telejornais veremos imagens de ações terríveis praticadas por pessoas que jamais se poderia imaginar que fossem capazes de decair tanto.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


O aumento da corrupção no país: Brasil, que país é este?

Recentemente, a revista The Economist, talvez a mais importante publicação sobre a economia do mundo, mostrou, um retrato vergonhoso para o Brasil no que diz respeito ao aumento da corrupção no país, avaliação feita pela Transparência Internacional, que mede a corrupção em todos os países do mundo.

Autor: Ives Gandra da Silva Martins


O voto jovem nas eleições de 2024

O voto para menores de 18 anos é opcional no Brasil e um direito de todos os adolescentes com 17 ou 16 anos completos na data da eleição.

Autor: Wilson Pedroso


Um novo e desafiador ano

Janeiro passou. Agora, conseguimos ter uma ideia melhor do que 2024 reserva para o setor de telecomunicações, um dos pilares mais dinâmicos e relevante da economia.

Autor: Rafael Siqueira


Desafios da proteção de dados e a fraude na saúde

Segundo o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) R$ 34 bilhões dos gastos das operadoras médico-hospitalares com contas e exames, em 2022, foram consumidos indevidamente por fraudes, como, por exemplo, reembolso sem desembolso, além de desperdícios com procedimentos desnecessários no país.

Autor: Claudia Machado


Os avanços tecnológicos e as perspectivas para profissionais da área tributária

Não é de hoje que a transformação digital vem impactando diversas profissões.

Autor: Fernando Silvestre


Inteligência Artificial Generativa e o investimento em pesquisa no Brasil

Nos últimos meses, temos testemunhado avanços significativos na área da inteligência artificial (IA), especialmente com o surgimento da inteligência artificial generativa.

Autor: Celso Hartmann


Oppenheimer e Prometeu

Quando eu saí do cinema após ter visto “Oppenheimer” a primeira vez, falei para meu filho: “É Oscar de Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante”.

Autor: Marco Antonio Spinelli


Interferência política e a desvalorização da Petrobras

Recentemente, o presidente Lula chamou o mercado de voraz por causa das quedas no valor das ações da Petrobras equivalentes a aproximadamente 60 bilhões de reais.

Autor: Ives Gandra da Silva Martins