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Menopausa e Aumento do Peso

Menopausa e Aumento do Peso

14/06/2018 Adriana Pessoa

De forma fisiológica este fenômeno pode acontecer após os 40 anos, a idade média é 51,4 anos.

Uma das questões mais incômodas (para não dizer desesperadora) na vida da mulher que está passando pelo período do climatério/menopausa é o aumento do peso. Principalmente na região do abdome.

Esta preocupação é real e está relacionada a este momento em que ocorrem alterações no ciclo até a parada definitiva da menstruação. De forma fisiológica este fenômeno pode acontecer após os 40 anos, sendo que a idade média é 51,4 anos.

Perimenopausa/ Menopausa

A transição entre a idade fértil e a cessação definitiva de ciclos menstruais é denominada perimenopausa (ou climatério) e ocorre geralmente 4 anos antes da menopausa, a qual é a última menstruação da mulher. Esse período é permeado de sintomas que alteram a qualidade de vida.

A flutuação hormonal pode causar labilidade emocional, fogachos (os calores que surgem repentinamente), alteração do sono, secura vaginal, fragilidade óssea e mudança no perfil lipídico. Aproximadamente 80% das mulheres apresentam sintomas como fogachos, mas apenas 20 a 30% procuram tratamento adequado.

Aumento do Peso: consequência hormonal ou da idade?

Diversos pesquisadores já tentaram responder à questão se o aumento do peso está relacionado ao envelhecimento normal ou à menopausa. Um consenso é que com a idade há um acúmulo de 0.5 kg por ano, independente da alteração hormonal. No entanto, outras evidências científicas demonstraram que mulheres após a menopausa apresentam um aumento da cintura abdominal, assim como elevação da gordura corporal.

Por que muitas mulheres ganham peso após a menopausa?

O motivo exato deste fenômeno ainda não foi bem definido. No entanto alguns fatores podem influenciar o aumento do peso nesta etapa da vida da mulher.

Diminuição do estrógeno

O hormônio sexual estrógeno desempenha uma função fundamental no metabolismo feminino. Ele atua no músculo, fígado, células pancreáticas produtoras de insulina. Um dos seus efeitos sobre o tecido gorduroso consiste em prevenir o acúmulo de gordura e inflamação.

Quando a mulher entra no período da perimenopausa ocorre diminuição dos níveis de estrógenos. Consequentemente, há alteração da homeostase energética (equilíbrio metabólico) acarretando aumento da deposição de gordura abdominal. O receptor estrogênico também está alterado em mulheres na pós menopausa, contribuindo para o aumento da fome e diminuição do metabolismo.

Alterações dos hormônios da fome relacionados com diminuição do estrógeno

Um estudo realizado nos EUA, comparou os níveis de alguns hormônios da fome e saciedade em mulheres na menopausa com mulheres em idade fértil. Os pesquisadores observaram que no período da perimenopausa apresentaram elevação da grelina (hormônio da fome). E diminuição da adiponectina (proteína que melhora a ação da insulina, prevenindo diabetes tipo 2).

Diminuição da prática de atividade física

Outro fator que pode contribuir para o aumento de peso na menopausa é a diminuição do gasto energético. Um estudo realizado em Oxford comparou mulheres com idade entre 35 e 45 anos (na pré menopausa) com mulheres de 55 a 65 anos (na pós menopausa). Foi observado que as mulheres do segundo grupo apresentaram uma taxa de gasto energético menor. Refletindo menor prática de exercícios.

Aumento do peso pode piorar os sintomas da menopausa?

Está comprovado que mulheres obesas (com índice de massa corporal acima de 30kg/m2) podem apresentar agravamento dos sintomas típicos da menopausa. Além de contribuir com piora da qualidade de vida o excesso de peso neste período pode acarretar maior risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Quais medidas podem contribuir para reverter o aumento do peso e risco metabólico na Menopausa?

Exercício físico

Se existe um antídoto para este problema, um dos principais ingredientes é a prática de atividade física. As mulheres que praticam exercícios regulares apresentam um menor IMC. Elas também sofreram menos de doenças cardiovasculares, diabetes, pressão alta e colesterol elevado. Outra revisão publica em abril de 2018, validou a importância do exercício para melhora do peso nas mulheres na menopausa. Todos os tipos de atividade foram benéficos.

Terapia Hormonal

Recentemente novos estudos sobre o uso da Terapia Hormonal (reposição hormonal) sanaram algumas dúvidas sobre o uso de hormônios e as implicações no peso das mulheres na pós menopausa. Em maio de 2018 foi publicado um artigo na revista médica JCEM, no qual os pesquisadores analisaram 1500 mulheres com idade entre 50 e 80 anos.

As participantes foram avaliadas quanto ao uso prévio ou atual da terapia hormonal. Em seguida, submetidas a densitometria de corpo inteiro (avaliação de composição corporal). O resultado final foi uma diminuição significativa da gordura visceral e do IMC nas participantes que receberam T. H.

Embora os resultados tenham sido promissores, a opção de Terapia Hormonal deve ser individualizada. Conversar com seu médico é fundamental, pois nem todas as mulheres estão aptas a receber este tipo de tratamento.

Melhora da alimentação

A reeducação alimentar pode ser considerada outro pilar na perda e manutenção do peso, principalmente para mulheres que se encontram no período do climatério e menopausa.Um estudo publicado em 2018 na revista médica Menopause comprovou que a alimentação aliada à atividade física foi eficaz em reduzir o peso das mulheres nesta época da vida.

Alimentação saudável (rica em frutas, verduras, grãos integrais, carnes magras, nozes e castanhas) é comprovadamente eficaz. No entanto, uma escolha alimentar rica em produtos industrializados pode piorar o quadro e favorecer o ganho peso.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter. Ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto.

* Adriana Pessoa é Graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa em São Paulo, possui Residência em Clínica Médica e Endocrinologia pela mesma instituição.

Fonte: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo



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