Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Modernização dos hotéis estimula novos negócios

Modernização dos hotéis estimula novos negócios

15/10/2012 Julio Serson

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, esteve em visita oficial ao Brasil no final de setembro e trouxe, além de ministros e autoridades, uma delegação de dezenas de empresários, fato inédito nas relações comerciais entre as nações dos dois continentes.

Em encontro na Fiesp, em São Paulo, Cameron justificou que é momento de se olhar para o Brasil como grande parceiro de negócios, já que o País ultrapassou os britânicos como a sexta maior economia mundial, conforme estudo divulgado no final de 2011 pelo Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios, consultoria da Grã-Bretanha.

Este novo Brasil que atrai o velho continente exibe hoje impressionante processo de mobilidade e de desenvolvimento econômico-social, com uma classe C que ultrapassa a 50% de seus habitantes, e com as classes D e E tendo encolhido, em apenas dez anos, de 47,1% do total das famílias para 16,6%. As classes A, B e C compõem, portanto, mais de 80% da população brasileira, o que abre inestimáveis oportunidades de negócios em todos os quadrantes do País.

Na rede hoteleira, as perspectivas de investimentos chegam a US$ 7,3 bilhões até a Copa do Mundo de 2014, somente na construção de novos hotéis, que deverão agregar 21 mil leitos a um parque composto por um milhão de apartamentos e 18 mil hotéis, 70% deles de médio e pequeno porte. E justamente nessa estrutura instalada abre-se outra grande frente de negócios, já que ela vem passando por reformas, manutenção, modernização e retrofit. Isso incrementa toda a cadeia produtiva, ao proporcionar novas demandas à indústria, construção civil, comércio e ao segmento de Serviços.

Um bom exemplo pode ser observado frente à necessidade de os hotéis, resorts, pousadas, albergues, pensões e motéis brasileiros, em um total de trinta mil estabelecimentos, renovarem os aparelhos de televisão que dispõem aos seus hóspedes. Atualmente, apenas 30% dos quartos no Brasil contam com equipamentos com telas planas, o restante ainda é composto pelos velhos e ultrapassados tubos. A necessidade de atualização envolve também outros equipamentos (como a introdução de tablets como apoio aos serviços de informações aos hóspedes), espaços (como sanitários) e insumos (rouparia, louça etc.), porque o turista é bastante exigente e quer conforto e modernidade.

É uma rede que se prepara, portanto, não apenas para os grandes eventos esportivos dos próximos quatro anos, mas também para o crescimento de dois dos principais nichos de turismo no Brasil: o de lazer, em que o sol e a praia constituem os principais atrativos aos estrangeiros; e o de negócios, em franca expansão, especialmente em capitais como São Paulo, onde a taxa de ocupação é sempre elevada.

Segundo a organização internacional World Travel & Tourism Council (WTTC), os reflexos destes investimentos são contabilizados positivamente naquilo que ela denomina como “economia do turismo”, que no País atingia 7,2% sobre o PIB (Produto Interno Bruto) em 2005 – antes, portanto, que começassem a tomar corpo os aportes realizados em função da Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2016.

Estimativas oficiais apontam que os eventos gerados pelos dois principais acontecimentos esportivos do Brasil na década aumentarão em até 79% o fluxo turístico internacional para o Brasil. É impossível prever o impacto das transformações no reposicionamento futuro do País dentro do cenário internacional do turismo.

Mas o que se espera é que toda essa rede de oportunidades, especialmente aquelas ligadas ao mundo dos negócios, desenvolva uma nova cultura em prol do turismo entre as autoridades, os próprios setores econômicos e a sociedade, de forma a preparar as cidades, profissionalizar os serviços e construir um ambiente favorável à recepção ao cidadão estrangeiro.

Para tanto, os hotéis estão fazendo sua parte. Mas dispor de uma boa rede hoteleira não dispensa a necessidade de uma política nacional para o turismo, que seja capaz de potencializar as oportunidades abertas pelos eventos internacionais e investimentos assumidos pela rede hoteleira.

É preciso estabelecer programas que deem conta de fomentar um ambiente econômico e de negócios propício ao segmento, eliminando a morosidade da burocracia governamental no que diz respeito às atividades do setor; repensando a carga tributária; e investindo na qualificação da mão de obra.

Esta é a grande chance que o Brasil tem para começar a escrever um cenário diferente daquele que o coloca hoje, conforme dados também da WTTC, apenas na 18° posição em tamanho absoluto do mercado do turismo, na 137° em contribuição relativa do setor para a economia nacional e no 127° lugar no crescimento de longo prazo. Um País tão privilegiado pela natureza – e agora, pelo ciclo virtuoso da economia - precisa saber transformar toda essa herança em riqueza e benefícios ao seu povo.

Julio Serson é presidente do Grupo Serson e vice-presidente de Relações Institucionais do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB).



Brasil, amado pelo povo e dividido pelos governantes

As autoridades vivem bem protegidas, enquanto o restante da população sofre os efeitos da insegurança urbana.

Autor: Samuel Hanan


Custos da saúde aumentam e não existe uma perspectiva que possa diminuir

Recente levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que os brasileiros estão gastando menos com serviços de saúde privada, como consultas e planos de saúde, mas desembolsando mais com medicamentos.

Autor: Mara Machado


O Renascimento

Hoje completa 2 anos que venci uma cirurgia complexa e perigosa que me devolveu a vida quase plena. Este depoimento são lembranças que gostaria que ficasse registrado em agradecimento a Deus, a minha família e a vários amigos que ficaram ao meu lado.

Autor: Eduardo Carvalhaes Nobre


Argentina e Venezuela são alertas para países que ainda são ricos hoje

No meu novo livro How Nations Escape Poverty, mostro como as nações escapam da pobreza, mas também tenho alguns comentários sobre como países que antes eram muito ricos se tornaram pobres.

Autor: Rainer Zitelmann


Como a integração entre indústria e universidade pode trazer benefícios

A parceria entre instituições de ensino e a indústria na área de pesquisa científica é uma prática consolidada no mercado que já rendeu diversas inovações em áreas como TI e farmacêutica.

Autor: Thiago Turcato


Marcas de um passado ainda presente

Há quem diga que a infância é esquecida, que nada daquele nosso passado importa. Será mesmo?

Autor: Paula Toyneti Benalia


Quais são os problemas que o perfeccionismo causa?

No mundo complexo e exigente em que vivemos, é fácil se deparar com um padrão implacável de perfeição.

Autor: Thereza Cristina Moraes


De quem é a América?

Meu filho tinha oito anos de idade quando veio me perguntar: “papai, por que os americanos dizem que só eles vivem na América?”.

Autor: Leonardo de Moraes


Como lidar com a dura realidade

Se olharmos para os acontecimentos apresentados nos telejornais veremos imagens de ações terríveis praticadas por pessoas que jamais se poderia imaginar que fossem capazes de decair tanto.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


O aumento da corrupção no país: Brasil, que país é este?

Recentemente, a revista The Economist, talvez a mais importante publicação sobre a economia do mundo, mostrou, um retrato vergonhoso para o Brasil no que diz respeito ao aumento da corrupção no país, avaliação feita pela Transparência Internacional, que mede a corrupção em todos os países do mundo.

Autor: Ives Gandra da Silva Martins


O voto jovem nas eleições de 2024

O voto para menores de 18 anos é opcional no Brasil e um direito de todos os adolescentes com 17 ou 16 anos completos na data da eleição.

Autor: Wilson Pedroso


Um novo e desafiador ano

Janeiro passou. Agora, conseguimos ter uma ideia melhor do que 2024 reserva para o setor de telecomunicações, um dos pilares mais dinâmicos e relevante da economia.

Autor: Rafael Siqueira