Portal O Debate
Grupo WhatsApp

O coração, morada do amor e dos sentimentos, é terra que ninguém pisa

O coração, morada do amor e dos sentimentos, é terra que ninguém pisa

08/02/2020 Jacir J. Venturi

Qual coração não guarda seus segredos? Fantasias, desejos?

Ninguém adentra o íntimo de outrem – por isso o coração é terra que ninguém pisa, como bem expressa a sabedoria popular, que também admite que o coração é a morada do amor e dos sentimentos.

Se ninguém pisa, não é só por ser impossível de se apoderar dele pela força, mas também por ser ilógico, imprevisível, pois todo o amor é uma amálgama de êxtase e sofrimento.

Como nos versos da consagrada goiana Cora Coralina, “quis ser um dia jardineira de um coração. Nasceram espinhos e nos espinhos me feri.”

Na mesma toada, temos o poema da mineira Adélia Prado, ainda mais pungente: “o amor é a coisa mais alegre, o amor é a coisa mais triste, o amor é a coisa que mais quero.”

A aceitação dessa alternância entre fases ditosas e frustrantes torna a vida mais leve. Rejeitar a tristeza ou o sofrimento é como rejeitar a própria condição humana.

Para mitigar as dores do coração é comum buscar racionalidade nas relações afetivas. Ou seja, chega a Dona Razão para tentar pôr ordem na casa, porém entre o cérebro e o coração cabe um oceano.

Temos dentro de nós dois cães que se litigam todos os dias: um representa a emoção e o outro, a razão. Qual dos dois vence a briga? Aquele ao qual damos mais comida, por isso os dois precisam ser alimentados com porções iguais.

O equilíbrio entre os sentimentos e a inteligência é a essência de uma vida de contentamento interior, o que requer disciplina pessoal, esforço e boas escolhas do nosso livre arbítrio.

Uma relação a dois será vitoriosa se igualmente ambos se predispuserem a dialogar, ceder e tolerar. As discordâncias fazem parte do cotidiano de um casal – afinal são dois seres oriundos de históricos familiar e individual diferentes, e cada um vem com suas crenças e escala de valores.

Mas que prevaleçam a boa comunicação e a força dos bons argumentos. E se um entra em crise ou surta, o outro deve se conter, manter o equilíbrio, pois danoso para a relação é quando simultaneamente os dois entram em crise. Se os dois acham que têm razão, aí começa a tragédia – parafraseando Shakespeare.

Igualmente salutar é a prática da empatia, uma habilidade que se faz condizente quando se analisa a etimologia da palavra: do grego en (dentro) + pathos (sentimentos). Destarte, empatia significa dentro do sentimento do outro; colocar-se no lugar do outro, com interesse genuíno.

As maiores destruidoras de afetos não são as divergências, mesmo quando descambam para momentos de raiva, mas sim as mágoas. Por isso, bem vindas são as palavras do Apóstolo Paulo: “que não se ponha o sol sobre a vossa ira”.

Contraponto à solidez da consagrada expressão “até que a morte nos separe”, vivenciamos hoje uma maior fragilidade nos laços afetivos, baixos vínculos – que Zygmunt Bauman definiu como amores líquidos, e que, para ele, geram níveis de insegurança cada vez maiores.

Mas também podemos constatar que os sentimentos são mais realistas, e com maior qualidade, enquanto duram.

Sendo os casamentos menos duráveis, um pai muito brincalhão diz que aconselhava a filha a antes de tudo preocupar-se não em arranjar um bom marido, mas um bom ex-marido, pois é ele que vai pagar a pensão; é ele que vai ajudar a criar os filhos.

Também tem a galhofa daquele engenheiro que fazia a defesa do casamento com sua lógica própria: é tão bom que já estou no terceiro.

O amor teima em resistir à racionalidade. E ninguém prescrutou tão profundamente os labirintos da alma humana quanto Sigmund Freud, que afirma: “a grande questão que nunca foi respondida e para a qual eu ainda não tenho resposta, apesar dos meus trinta anos de pesquisa da alma feminina, é: o que deseja uma mulher?”

Em tempos de igualdade de gênero, concedamos às mulheres o mesmo direito a proclamar em alto e bom som: o que deseja um homem? Destarte, o amor existe para ser vivido e não compreendido.

* Jacir J. Venturi foi diretor de escolas, professor e/ou coordenador da UFPR, PUCPR, Universidade Positivo e autor do livro “Da Sabedoria Clássica à Popular (3ª edição)”.

Fonte: Jacir J. Venturi



8 de janeiro

Venho aqui versar a defesa Dos patriotas do “mal”

Autor: Bady Curi Neto


Aborto legal e as idiossincrasias reinantes no Congresso Nacional

A Câmara dos Deputados, em uma manobra pouco ortodoxa do seu presidente, aprovou, nessa semana, a tramitação em regime de urgência do Projeto de Lei nº 1904/2024, proposto pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), integrante da ala bolsonarista e evangélica, que altera, sensivelmente, as regras de tratamento do crime de aborto.

Autor: Marcelo Aith


Há solução para as enchentes, mas será que há vontade?

Entre o fim de abril e o início de maio de 2024, a maior tragédia climática da história se abateu sobre o Rio Grande do Sul.

Autor: Alysson Nunes Diógenes


Primeiro semestre: como estão as metas traçadas para 2024?

O que mais escutamos nas conversas é: “Já estamos em junho! E daqui a pouco é Natal!”

Autor: Elaine Ribeiro


Proliferação de municípios, caminho tortuoso

Este é um ano de eleições municipais no Brasil. Serão eleitos 5.570 prefeitos, igual número de vice-prefeitos e milhares de vereadores.

Autor: Samuel Hanan


“Vaquinha virtual” nas eleições de 2024

A campanha para as eleições municipais de 2024 ainda não foi iniciada de fato, mas o financiamento coletivo já está autorizado.

Autor: Wilson Pedroso


Cotas na residência médica: igualdade x equidade

Um grande amigo médico, respeitado, professor, preceptor de Residentes Médicos (com letras maiúsculas), indignado com uma reportagem publicada, em periódico do jornal Estado de São Paulo, no dia 05 do corrente mês, enviou-me uma cópia, requestando que, após a leitura, tecesse os comentários opinativos.

Autor: Bady Curi Neto


O impacto das enchentes no RS para a balança comercial brasileira

Nas últimas semanas, o Brasil tem acompanhado com apreensão os estragos causados pelas enchentes no Rio Grande do Sul.

Autor: André Barros


A força do voluntariado nas eleições

As eleições de 2022 contaram com mais de 1,8 milhão de mesários e mesárias, que trabalharam nos municípios de todo o país. Desse total, 893 mil foram voluntários.

Autor: Wilson Pedroso


A força da colaboração municipal

Quando voltamos nossos olhares para os municípios brasileiros espalhados pelo país, notamos que as paisagens e as culturas são diversas, assim como as capacidades e a forma de funcionamento das redes de ensino, especialmente aquelas de pequeno e médio porte.

Autor: Maíra Weber


As transformações universais que afetam a paz

Recentemente a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) aprovou projeto proposto pelo governo estadual paulista para a criação de escola cívico-militar.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


Por um governo a favor do Brasil

A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos estados, dos municípios e do Distrito Federal, constitui-se em estado democrático de direito e tem como fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho, da livre iniciativa e do pluralismo político.

Autor: Samuel Hanan