Portal O Debate
Grupo WhatsApp

O poder ineficaz da indústria brasileira

O poder ineficaz da indústria brasileira

02/07/2014 Airton Cicchetto

Com uma contribuição de cerca de 25%, a indústria brasileira é geradora de um PIB aproximado de 550 bilhões de dólares.

Para entender a magnitude desta cifra, pode-se dizer que a indústria nacional representa, por si só, o 25º PIB do mundo, estando a frente de mais de 200 países, entre eles, importantes economias como as da Bélgica, Suécia, Suíça, Chile, entre muitas outras. Ainda, o PIB da indústria nacional é maior do que o conjunto das economias somadas de mais de 100 países, mundo afora. O complexo industrial brasileiro é bastante diversificado, congrega centenas de milhares de empresas e milhões de empregados.

A união faz a força e esta força é feita pela associação de quase 700 mil industrias e 1.250 sindicatos patronais, conforme dados da sua entidade máxima, a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Como se pode ver, os números demonstram uma força muito expressiva, porém, força não ganha jogo. O jogo dos negócios se ganha com competitividade, atributo que nossa gigantesca indústria vem perdendo continuamente. Hoje, o Brasil situa-se na 54ª posição no ranking de competitividade dos países, elaborado pela escola suíça de negócios IMD e a Fundação Dom Cabral.

Há 4 anos o Brasil ocupava a 38ª posição neste mesmo ranking, o que significa dizer que em 4 anos, 16 países ultrapassaram os níveis de competitividade do Brasil. Internamente, no país, a indústria também perde posição, pois há menos de uma década, representava mais de 30% do PIB nacional. Nos últimos trimestres, a produção tem encolhido ainda mais, acarretando, inclusive, severa redução do nível de emprego no segmento industrial.

Claramente, há problemas e, mais do que ninguém, os senhores da indústria sabem que o roteiro para solução de problemas passa pela identificação de suas causas e implementação de planos concretos de solução. Pois bem, as causas de nossa baixa competitividade estão diagnosticadas, são experimentadas diariamente pela imensa maioria dos milhões de gestores de negócios e empresários do Brasil, e também vem sendo insistentemente veiculadas na mídia, escrita e falada, nos artigos, sínteses e comentários de analistas econômicos locais e também do exterior.

Para relembrar são estas as causas principais: pesada carga tributária, encargos trabalhistas mais altos do mundo, má qualidade da infraestrutura física (rodovias e portos deficientes), taxa de câmbio manipulada e posicionada em níveis nocivos aos interesses da indústria local, alta burocracia e corrupção no serviço público, ambiente generalizado de desconfiança, nível de investimentos insuficiente para alavancar maior crescimento da economia, entre tantas outras mazelas. Pois bem, os problemas estão identificados há muito tempo e suas soluções já deveriam estar em andamento.

A indústria, a maior prejudicada, deveria por meio de sua entidade máxima, a CNI, estar usando seu mencionado poder, movendo sua enorme força no sentido de pressionar o governo a fazer o que deve ser feito, fazer a coisa certa. Atitude, aliás, alinhada com a sua missão, que prega: “defender e representar a indústria na promoção de um ambiente favorável aos negócios, à competitividade e ao desenvolvimento sustentável do Brasil”.

Este não parece ser o caso, pois os representantes da indústria vêm dialogando com o governo há muito tempo, como fizeram 34 empresários na última semana e, aparentemente, tem se satisfeito com medidas paliativas de ajuda a um ou outro setor que, sabidamente, não corrigem as causas básicas e não focam o resultado desejado que é o aumento real da competitividade das empresas e do país. Peter Drucker define eficácia como fazer a coisa certa, com foco no resultado.

Não é, exatamente, o que o governo vem fazendo e, por sua vez, a indústria, por meio de seus representantes, não tem exigido do governo uma atuação mais assertiva. A indústria, sabe-se lá as razões, não tem usado seu grande poder. A propósito, diga-se, um poder mal utilizado, que não denuncia malfeitos, não pressiona por soluções, não foca resultados, vem minguando e se revelando, embora imenso, um poder ineficaz.

*Airton Cicchetto é consultor, palestrante empresarial, engenheiro, mestre em administração e idealizador do modelo SCG - Simples Complexo Gerencial - Simplificando a Gestão.



Liderança desengajada é obstáculo para uma gestão de mudanças eficaz

O mundo tem experimentado transformações como nunca antes, impulsionadas por inovações tecnológicas, crises econômicas e transições geracionais, dentre outros acontecimentos.

Autor: Francisco Loureiro


Neoindustrialização e a nova política industrial

Com uma indústria mais produtiva e competitiva, com equilíbrio fiscal, ganha o Brasil e a sociedade.

Autor: Gino Paulucci Jr.


O fim da ‘saidinha’, um avanço

O Senado Federal, finalmente, aprovou o projeto que acaba com a ‘saidinha’ (ou ‘saidão’) que vem colocando nas ruas milhares de detentos, em todo o país, durante os cinco principais feriados do ano.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


O Brasil e a quarta chance de deixar a população mais rica

O Brasil é perseguido por uma sina de jogar fora as oportunidades. Sempre ouvimos falar que o Brasil é o país do futuro. Um futuro que nunca alcançamos. Vamos relembrar as chances perdidas.

Autor: J.A. Puppio


Dia Bissexto

A cada quatro anos, a humanidade recebe um presente – um presente especial que não pode ser forjado, comprado, fabricado ou devolvido – o presente do tempo.

Autor: Júlia Roscoe


O casamento e a política relacional

Uma amiga querida vem relatando nas mesas de boteco a saga de seu filho, que vem tendo anos de relação estável com uma moça, um pouco mais velha, que tem uma espécie de agenda relacional bastante diferente do rapaz.

Autor: Marco Antonio Spinelli


O que esperar do mercado imobiliálio em 2024

Após uma forte queda em 2022, o mercado imobiliário brasileiro vem se recuperando e o ano de 2023 mostrou este avanço de forma consistente.

Autor: Claudia Frazão


Brasileiros unidos por um sentimento: a descrença nacional

Um sentimento – que já perdura algum tempo, a propósito - toma conta de muitos brasileiros: a descrença com o seu próprio país.

Autor: Samuel Hanan


Procurando o infinito

Vocês conhecem a história do dragãozinho que procurava sem parar o infinito? Não? Então vou te contar. Era uma vez….

Autor: Eduardo Carvalhaes Nobre


A reforma tributária é mesmo Robin Hood?

O texto da reforma tributária aprovado no Congresso Nacional no fim de dezembro encerrou uma novela iniciada há mais de 40 anos.

Autor: Igor Montalvão


Administrar as cheias, obrigação de Governo

A revolução climática que vemos enfrentando é assustadora e mundial. Incêndios de grandes proporções, secas devastadoras, tempestades não vistas durante décadas e uma série de desarranjos que fazem a população sofrer.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


Escravidão Voluntária

Nossa única revolução possível é a da Consciência. Comer com consciência. Respirar com consciência. Consumir com consciência.

Autor: Marco Antonio Spinelli