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O que esperar da visita de Dilma à China

O que esperar da visita de Dilma à China

10/03/2011 Roberto Barth

Em sua primeira viagem para fora da América Latina, a presidente Dilma visitará a China. Tem lógica a escolha, dado que hoje os chineses já têm a segunda economia do mundo - rumando para ser a primeira, muito em breve. Por outro lado, é a maior importadora das commodities brasileiras.

A presidente embarca em abril. Na agenda já estão previstas reuniões com representantes do empresariado chinês. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirma que serão feitos esforços para reduzir os danos causados pelas importações de produtos chineses no mercado nacional.

Uma das propostas é negociar parcerias para ampliar as exportações de minério de ferro e aço do Brasil para a China. Para isso não haveria a necessidade da viagem dessa comitiva cara, uma vez que os chineses necessitam comprar nossa soja e nosso minério de ferro, entre outras commodities, para alimentar sua enorme população e para ter acesso à matéria-prima essencial para seu gigantesco parque industrial. Vale salientar que a população da China teve um ganho enorme de renda e agora passa a demandar mais comida, item escasso num país com pouca área cultivável.

Do mesmo modo, o crescimento de seu parque industrial demanda mais e mais matérias-primas básicas, que também não estão disponíveis naquele país. Ou seja, o Brasil passa a ser uma das alternativas mais viáveis no abastecimento à China de commodities. Os chineses necessitam comprar aqui, não dependendo de nenhuma viagem para promover nossas vendas.

A outra explicação para essa viagem da presidente Dilma e sua comitiva é atender aos apelos do empresariado nacional para evitar que os produtos chineses prejudiquem, ainda mais, o mercado brasileiro, levando a maior desindustrialização.

Mas em 2005 foi exatamente a mesma coisa. O Ministério da Indústria da China convidou o governo brasileiro e representantes dos inúmeros setores industriais nacionais - que já naquela época se sentiam altamente prejudicados pelo surto de importação de produtos chineses - a organizarem uma missão de alto nível a Pequim. Na ocasião, seriam negociadas formas de autorregulamentação, por parte dos chineses, em suas exportações ao Brasil de diversos produtos, como forma de conciliar os interesses comerciais de chineses e brasileiros.

Vários setores industriais brasileiros se sentiram aliviados e se juntaram à missão, como forma de resolver esse grave problema. Tinham, com o governo brasileiro, a esperança de conseguir negociar uma solução viável para todos. O governo brasileiro esteve representado, naquela missão, por inúmeros representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, inclusive com a participação do então ministro Luiz Fernando Furlan.

E eu estava lá.

Qual foi nossa surpresa quando, exaustos após mais de 40 horas de viagem aérea, fomos surpreendidos logo na primeira reunião com a informação de que o governo chinês não estava disposto a negociar nada. Dizia inclusive nem saber o que estávamos fazendo lá! Ficamos em Pequim por 11 dias, e foram 11 dias sem nenhum avanço no assunto. Fomos muito bem tratados pelos chineses, uma vez que hospitalidade é uma de suas qualidades. Mas negociar aquilo que era nosso propósito, a autorregulamentação das exportações chinesas ao Brasil, nem entrou nas conversas. Voltamos todos, inclusive o próprio ministro, sem que os chineses tivessem sequer ouvido nossas reinvindicações.

Agora, com um governo novo, as esperanças de que nossos velhos problemas serão resolvidos se renovam. Todos cheios de vontade de resolver os assuntos pendentes. O ministro Fernando Pimentel (MDIC) e sua equipe estão trabalhando arduamente no sentido de solucionar o problema das importações desleais que causam danos ao setor industrial brasileiro. A presidente Dilma tem também essa diretriz.

Mas os chineses, inclusive seu governo, mantêm seu plano de criação de empregos via ampliação do setor industrial exportador. E, mesmo com muita hospitalidade, não estão interessados em ceder. E não têm nada a negociar conosco sobre esse assunto, uma vez que já compram do Brasil os produtos (commodities) e as quantidades que lhes interessam para suprir sua população e sua indústria.

No que está muito correto do ponto de vista deles, o governo chinês olha os interesses de sua população e segue rigidamente o excelente plano traçado há mais de 30 anos para criar milhões de empregos. Para isso, mantém sua moeda subvalorizada, concede incentivos aos exportadores, mantém os sindicatos sob seu controle, não dá nenhuma importância à preservação do meio ambiente. E também não se importa com as reclamações de governantes de outros países. Estão muito corretos em governar para a melhoria da qualidade de vida de sua população. E, nisso, têm tido muito sucesso. Aplicando essa política, chegaram à segunda economia do mundo, e logo serão a primeira.

O governo brasileiro deveria fazer o mesmo. Olhar pela população brasileira, pela indústria brasileira, pela criação de empregos no Brasil.

Aqui fica uma pergunta à presidente Dilma: o que ela espera de resultados concretos dessa viagem? Tenha a certeza de que toda sua comitiva será muito bem recebida pelos chineses, porém é preciso agir firmemente para obter resultados concretos contra esse grave problema da indústria brasileira, o comércio desleal nas exportações chinesas ao Brasil.

* Roberto Barth – um dos fundadores da Comissão de Defesa da Indústria Nacional (CDIB), atualmente é diretor da Supergauss Produtos Magnéticos..




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