Portal O Debate
Grupo WhatsApp

O que se sabe sobre produtividade no Brasil?

O que se sabe sobre produtividade no Brasil?

18/09/2017 Eduardo Banzato

Devemos falar de quem é a culpa.

No Brasil, é muito confortável colocar a responsabilidade dos nossos baixos índices de produtividade nas costas dos trabalhadores. Os “Intelectuais”, que geralmente possuem grande espaço de mídia, vivem afirmando que a produtividade do trabalhador brasileiro é baixa.

É só observar as manchetes e você verá: “A produtividade por trabalhador no Brasil não cresce desde 1980”; “Brasileiro tem baixa produtividade”; “The Economist diz que brasileiro é improdutivo". Mas o que será que se sabe, de fato, sobre a produtividade do trabalhador brasileiro?

Às vezes, me pergunto: “será que todos os “intelectuais”, que muito estudaram, já tiveram a oportunidade de estar ao lado daquele que é denominado “trabalhador brasileiro?” Será que eles não poderiam se colocar no lugar destes 2 trabalhadores brasileiros, Antônio e Maria...

O Antônio, um trabalhador brasileiro que atua como ajudante na distribuição de um grande varejista, há mais de 20 anos. Acorda às 4h da manhã e segue para o trabalho. Antes das 6h já iniciou o carregamento do veículo (caminhão). Faz a amarração dos volumes no baú com todo o cuidado para não danificar os produtos, confere toda a documentação e segue para o seu dia de trabalho, onde realiza 95% das entregas para diferentes clientes, retornando ao Centro de Distribuição, ao final do dia, com sentimento de missão cumprida.

E a Maria, uma trabalhadora brasileira que, durante 10 anos, acorda às 5h e segue para a fábrica, diariamente, com o objetivo de realizar o seu trabalho em uma célula de produção. Muitas vezes seu supervisor a incentiva a superar seu desempenho, pois o mesmo estava pouco abaixo da produtividade esperada e com um pouco de esforço ela consegue atingir.

Bem, agora, infelizmente, a Ana Maria está desempregada, batalhando duro por uma nova oportunidade. Agora imagine ao final do dia, o Antônio e a Maria, cansados, chegando em casa e escutando no noticiário um destes “intelectuais” dizendo: “...o fato é que a produtividade do trabalhador brasileiro é uma das mais baixas no mundo”.

Imagine como eles se sentem. Será que esses “intelectuais” não poderiam divulgar estes fatos de maneira diferente? Eu ficaria muito mais à vontade se os “intelectuais” deixassem bem claro que a baixa produtividade operacional é consequência direta da péssima gestão de nosso Estado. Existe uma transferência de responsabilidade do “Estado Improdutivo” para o “Trabalhador Improdutivo”.

Vejam alguns fatores críticos e como o Estado Brasileiro, com sua incompetência, lentidão e gestão fraudulenta é responsável pela baixa produtividade do "trabalhador": 

Tecnologia: acesso a determinadas soluções podem aumentar muito a produtividade operacional de qualquer operador, mas no Brasil, o trabalhador tem que se superar muito mais que em outros países, pois aqui o Estado é lento para decidir, além de organizar esquemas que dificultam a utilização da tecnologia e ainda assegurar legalmente que entidades sindicais trabalhem contra a produtividade.

Legislação e Justiça trabalhista: em relação a outros países, a nossa legislação e nossa justiça são uma piada! Alguns “intelectuais” aqui destacam os direitos conquistados, mas não possuem a mínima capacidade de enxergar o todo. O Estado Brasileiro é um “elefante branco” que não mais consegue reagir à dinâmica mundial.

Infraestrutura e Logística: boa parte da baixa produtividade operacional vem de nossa péssima infraestrutura. Por que motoristas de caminhões perdem tanto tempo em estradas? Por que operadores em linhas de produção ficam parados por falta ou atrasos de fornecimento? Enfim, aqui nosso Estado consegue a façanha de se manter, há muitos anos, sem capacidade de investimento em infraestrutura, pois os desvios e má gestão são tão grandes, que o próprio Estado perdeu o controle da gestão de tantos esquemas.

Burocracia: o que para alguns países é uma vantagem competitiva, no Brasil o Estado cria dificuldades para cobrar pelas facilidades. Isso já é cultural e o Estado assegura uma legislação tão confusa, que nenhuma empresa, mesmo que queira, consegue trabalhar como se deve, pois não está claro o que deve ser feito.

Mobilidade Urbana: O Estado, embora invista em um dos mais caros sistemas de transporte urbano do mundo para facilitar o ir e vir do trabalhador, possui um dos piores sistemas também. Resultado da incompetência e corrupção que acaba limitando todos os investimentos nesta área. E o trabalhador, investe horas para chegar ao trabalho e tem que se superar para competir com operadores de outros países.

Educação e Qualificação: Aqui, o modelo de gestão se repete... o Estado estabelece um orçamento ridículo para a formação educacional e profissional, remunera pessimamente os professores e as empresas acabam recebendo profissionais despreparados. Além disso, o Estado promove crises que aumentam a rotatividade (turnover), o que também dificulta a absorção de conhecimentos pelo trabalhador.

E o Trabalhador? Esse tem que se superar todos os dias, pois precisa sustentar não só a sua família, mas principalmente o Estado Brasileiro. É por esse motivo que gostaria que os “intelectuais” deixassem de dizer que o “trabalhador brasileiro é improdutivo” e começassem a destacar que é o Estado Brasileiro que possui uma das piores produtividades no mundo.

Sim, são vocês do Executivo, do Legislativo e do Judiciário os responsáveis diretos pela nossa baixa produtividade e não os trabalhadores.

* Eduardo Banzato é diretor do grupo IMAM, que há 37 anos atua na área editorial, de consultoria e treinamento em logística.



Liderança desengajada é obstáculo para uma gestão de mudanças eficaz

O mundo tem experimentado transformações como nunca antes, impulsionadas por inovações tecnológicas, crises econômicas e transições geracionais, dentre outros acontecimentos.

Autor: Francisco Loureiro


Neoindustrialização e a nova política industrial

Com uma indústria mais produtiva e competitiva, com equilíbrio fiscal, ganha o Brasil e a sociedade.

Autor: Gino Paulucci Jr.


O fim da ‘saidinha’, um avanço

O Senado Federal, finalmente, aprovou o projeto que acaba com a ‘saidinha’ (ou ‘saidão’) que vem colocando nas ruas milhares de detentos, em todo o país, durante os cinco principais feriados do ano.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


O Brasil e a quarta chance de deixar a população mais rica

O Brasil é perseguido por uma sina de jogar fora as oportunidades. Sempre ouvimos falar que o Brasil é o país do futuro. Um futuro que nunca alcançamos. Vamos relembrar as chances perdidas.

Autor: J.A. Puppio


Dia Bissexto

A cada quatro anos, a humanidade recebe um presente – um presente especial que não pode ser forjado, comprado, fabricado ou devolvido – o presente do tempo.

Autor: Júlia Roscoe


O casamento e a política relacional

Uma amiga querida vem relatando nas mesas de boteco a saga de seu filho, que vem tendo anos de relação estável com uma moça, um pouco mais velha, que tem uma espécie de agenda relacional bastante diferente do rapaz.

Autor: Marco Antonio Spinelli


O que esperar do mercado imobiliálio em 2024

Após uma forte queda em 2022, o mercado imobiliário brasileiro vem se recuperando e o ano de 2023 mostrou este avanço de forma consistente.

Autor: Claudia Frazão


Brasileiros unidos por um sentimento: a descrença nacional

Um sentimento – que já perdura algum tempo, a propósito - toma conta de muitos brasileiros: a descrença com o seu próprio país.

Autor: Samuel Hanan


Procurando o infinito

Vocês conhecem a história do dragãozinho que procurava sem parar o infinito? Não? Então vou te contar. Era uma vez….

Autor: Eduardo Carvalhaes Nobre


A reforma tributária é mesmo Robin Hood?

O texto da reforma tributária aprovado no Congresso Nacional no fim de dezembro encerrou uma novela iniciada há mais de 40 anos.

Autor: Igor Montalvão


Administrar as cheias, obrigação de Governo

A revolução climática que vemos enfrentando é assustadora e mundial. Incêndios de grandes proporções, secas devastadoras, tempestades não vistas durante décadas e uma série de desarranjos que fazem a população sofrer.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


Escravidão Voluntária

Nossa única revolução possível é a da Consciência. Comer com consciência. Respirar com consciência. Consumir com consciência.

Autor: Marco Antonio Spinelli